A reinauguração do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi já tem data: dia 21 de agosto, às 18h. O edíficio histórico, que já foi sede da Prefeitura, estava em obras desde maio de 2023. O novo capítulo sobre a história de Flores da Cunha apresentará um espaço requalificado e com uma nova proposta expositiva.
No interior do prédio, os trabalhos avançaram ao longo dos últimos meses e já estão praticamente concluídos. Foram executadas intervenções como a recomposição de rebocos, pisos, forros e revestimentos, além da pintura geral e da implantação das redes hidrossanitárias.
A recuperação das esquadrias também integra esse conjunto de melhorias. Neste momento, a obra se concentra em ajustes finais nas instalações elétricas e na conclusão do elevador.
Paralelamente às obras físicas, a equipe de museologia atua na montagem dos ambientes expositivos, organizando o acervo e estruturando a narrativa que será apresentada ao público. Esse processo, conforme a museóloga Caroline Zuchetti, representa uma mudança na forma como a história local será contada.
— Pela primeira vez, o museu conta com um projeto museológico estruturado, organizado em eixos temáticos, o que permite apresentar diferentes aspectos da história de Flores da Cunha para além de uma sequência cronológica tradicional — revela.
Essa reorganização faz parte do objetivo da Secretaria de Cultura de tornar o espaço mais atrativo e conectado com a comunidade. A subsecretária de Cultura, Adriana Boeira Dotti, acredita que o investimento vai muito além da recuperação física do prédio.
— Estamos falando da preservação da memória, da identidade e do legado construído pelas gerações que formaram Flores da Cunha. O museu terá melhores condições de preservar o acervo e de se aproximar das pessoas — observa.
Na área externa, as equipes seguem com a execução da drenagem perimetral do edifício, essencial para a conservação a longo prazo. Na sequência, será realizada a reconstrução do passeio público e a finalização dos detalhes de pintura das fachadas, completando o conjunto de intervenções.
“Devolução da memória ao povo”
O significado desse momento é destacado por quem acompanhou de perto cada etapa do processo. Representante da Associação dos Amigos do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi, a historiadora Lorete Maria Calza Paludo descreve o restauro como um processo permeado por emoção e pelo cuidado em resguardar a história compartilhada da comunidade.
— Cada visita durante a obra foi como ver o tempo dar lugar a uma vida nova. É a certeza de que a nossa história não será esquecida, mas reescrita e lapidada para continuar mais viva que nunca — ressalta.
A historiadora acredita que o verdadeiro impacto do restauro será percebido no dia a dia, quando a comunidade voltar a ocupar o espaço e estabelecer novas conexões com a própria história.
— Ver o museu pronto é a materialização de um sonho coletivo. É a devolução da memória ao povo. Ver famílias entrando, crianças descobrindo sua história e pessoas se reconhecendo em cada detalhe é a certeza de que o tempo não venceu a memória.
A Associação de Amigos do Museu participou desde o processo de tombamento do prédio em 2018 e atuou como proponente do projeto de captação de recursos. Lorete explica que o papel da entidade sempre foi de fortalecimento do museu.
— Agora, queremos que ele seja vivido. Que deixe de ser visto apenas como um local de coisas antigas e passe a ser reconhecido como o guardião da nossa história — exalta.
A programação de reinauguração contará com ato oficial e apresentações artísticas ainda não divulgadas.
O investimento total é de R$ 2.652.449,79, sendo R$ 1,8 milhão financiados pela Lei de Incentivo à Cultura, R$ 801 mil de contrapartida do município e R$ 10,9 mil da Associação de Amigos do Museu.

