A escritora de Flores da Cunha, Paula Toigo, 22 anos, transformou inquietações pessoais, vivências acadêmicas e aprofundamento espiritual em uma obra que propõe reflexões sobre fé, sofrimento, existência e os vazios do mundo contemporâneo. O livro “As falhas do mundo e o meu amor por Deus”, lançado pela Editora do Cristão, reúne pensamentos construídos ao longo da graduação em Psicologia e dos estudos em Teologia, Filosofia e Literatura.
Graduanda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Paula conta que o processo de escrita surgiu em meio a um período de transformação pessoal e aprofundamento da fé cristã. Antes da publicação, ela costumava registrar reflexões pessoais nas anotações do celular.
— Escrever uma obra sempre foi algo que eu via muito distante de mim. Para ser honesta, antes de produzir um livro eu escrevia muitas teses, antíteses e sínteses nas “notas” do meu celular — conta.
O aprofundamento espiritual vivido durante a faculdade foi determinante para que as ideias começassem a ganhar forma.
— Houve um momento no meio da faculdade que eu me aprofundei demais na minha fé, e percebi que quem havia se transformado era eu, e não as pessoas ao meu redor. Me senti muitas vezes sozinha em meus pensamentos, no meio da universidade, e isso me deu motivação para que eu começasse a escrever o que penso, o que carrego no meu coração — detalha a escritora florense.
“Conscientes de nossas ações e intenções”
Na faculdade, Paula atuou em um residencial terapêutico voltado ao atendimento de pessoas em sofrimento psíquico, além de acompanhar rotinas em clínicas de saúde mental, hospitais e escolas.
— A Psicologia fez eu entender muito do comportamento humano, e por que algumas pessoas fazem o que fazem. Mas, o que fez eu olhar com caridade e amor para todas as pessoas foi definitivamente a minha vivência em Cristo — reflete.
Os estudos em teologia, filosofia e literatura transformaram sua forma de enxergar as relações humanas.
— Nós, como seres humanos temos uma vontade impulsiva de apontar o dedo ao nosso próximo sem antes olharmos para nós mesmos. Com o estudo, nos tornamos mais conscientes de nossas ações e intenções para com o outro e para com o mundo — ressalta.
A escritora não pretende oferecer respostas prontas, mas abrir espaço para reflexão e interioridade.
— Espero que o leitor possa refletir com um coração aberto e se desapegar da ideia “o que uma jovem de 22 anos tem para dizer?” — convida.
Fé e existência
Na obra, Paula conduz o leitor por reflexões que dialogam com espiritualidade cristã, ciência, psicologia e filosofia. O livro aborda questões relacionadas à materialidade, ao egoísmo e à busca por sentido em tempos marcados pela pressa e pela superficialidade.
— Eu quis que o leitor parasse um pouco para refletir sobre toda a sua existência. A minha reflexão abraça a espiritualidade cristã e evidencia a importância de falarmos sobre a eternidade e aquilo que não podemos ver — explica Paula.
Ao longo da narrativa, ela também procura alertar sobre os excessos do mundo contemporâneo e os impactos de uma vida centrada apenas na materialidade.
— Recorri há inúmeras impressões para mostrar ao leitor o perigo de sermos submissos à materialidade e ao nosso próprio egoísmo, e com isso apontei, sobretudo, os erros que já cometi também.
— De fato, eu quis deixar uma marca na mente do leitor sobre a concordância da ciência com a existência de Deus, e como seria impossível estarmos vivos neste mundo que chamamos de Terra se Deus não existisse — acrescenta.

