Home Destaque “Hoje salvamos mais uma vida”: a missão de quem dirige uma ambulância

“Hoje salvamos mais uma vida”: a missão de quem dirige uma ambulância

Há 31 anos, Pedro Mannrich tem por rotina transportar a esperança a quem mais precisa
Mannrich sabe que, antes de dirigir, é preciso manter a calma sem esquecer que há alguém esperando ajuda (Foto: Andrelise Cavagnoli)

Quando a sirene de uma ambulância rompe o silêncio, para quem está no trânsito ela anuncia uma emergência. Para Pedro Mannrich, resume 31 anos de uma profissão em que cada chamado pode decidir uma vida.

Aos 58 anos, o condutor socorrista sabe que sua responsabilidade vai muito além do volante. Cada saída exige rapidez, equilíbrio emocional e trabalho em equipe, porque, muitas vezes, alguns minutos podem fazer toda a diferença.

Servidor público há 34 anos, Mannrich chegou à ambulância quase por acaso. Trabalhava como motorista de uma Kombi da Prefeitura quando surgiu a oportunidade de trocar de função com um colega do atendimento de emergência.

— Eu sempre quis ser motorista, mas não imaginava ser motorista de ambulância.

Naquele início dos anos 1990, a realidade era bem diferente da atual. As ambulâncias tinham poucos equipamentos, não havia treinamentos específicos e, muitas vezes, o motorista era o único responsável pelo atendimento.

— Nossa ambulância era uma Caravan. Não tinha os equipamentos que existem hoje e nem técnico de enfermagem. Era só o motorista.

Com o passar dos anos, o serviço evoluiu. Vieram capacitações, treinamentos periódicos e equipes mais preparadas. Mas a essência da profissão permaneceu a mesma: chegar rápido, agir com segurança e trabalhar em sintonia.

Muito além do volante

Mannrich faz questão de desfazer uma ideia comum sobre a profissão.

— Muita gente acha que o motorista de ambulância só dirige. Muito pelo contrário. O condutor socorrista analisa a cena, sinaliza o trânsito, auxilia o técnico de enfermagem no atendimento, ajuda na imobilização da vítima e conduz a ambulância com rapidez e segurança.

Segundo Mannrich, nenhum atendimento acontece sozinho.

— A gente é uma equipe. Se um falha, a equipe falha.

Essa sintonia começa assim que a ocorrência é comunicada.

Antes mesmo de chegar ao local, Mannrich já sabe que precisará estar preparado para qualquer cenário.

— Nunca sabemos o que vamos encontrar. Quando saímos com a sirene ligada é porque existe uma urgência ou emergência. A adrenalina aumenta, mas rapidez e segurança precisam caminhar juntas. Não adianta provocar outro acidente tentando chegar mais rápido.

Em mais de três décadas de profissão, algumas ocorrências terminaram quando o plantão acabou. Outras nunca saíram da memória.
Uma delas aconteceu quando um temporal atingiu uma escola em Antônio Prado e deixou dezenas de feridos. Mesmo estando de folga, Mannrich não pensou duas vezes.

— Quando soube do que tinha acontecido, fui até a IBZ, peguei um carro, passei no Hospital Fátima para buscar enfermeiras e seguimos para Antônio Prado ajudar no atendimento.

Histórias que permanecem

Depois de 31 anos ouvindo a mesma sirene, Mannrich continua sentindo a responsabilidade de cada chamado.

Apesar da experiência acumulada, ele admite que ainda existe uma situação difícil de aceitar.

— A maior dificuldade é não conseguir salvar a vítima em tempo.

Ao final de um atendimento bem-sucedido, é uma única sensação que permanece.

— O que mais me orgulha é saber que o dever foi cumprido e poder dizer: hoje salvamos mais uma vida.

Ele faz questão de deixar um lembrete para quem encontra uma ambulância pelo caminho.

— Gostaria que as pessoas soubessem que o motorista de ambulância não é só mais um motorista. Ele tem família, amigos, sonhos e também espera chegar em casa em segurança depois de cumprir seu dever.

Após mais de três décadas, a sirene continua tendo o mesmo som. O significado, porém, ficou ainda maior. Para Mannrich, ela lembra que, em algum lugar, existe alguém esperando por ajuda — e que chegar alguns minutos antes pode representar uma nova chance de vida.

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