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Conheça a história da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes

Em 8 de dezembro de 1908, a comunidade assistiu à primeira missa do templo, celebrada pelo padre Vitorino de la Ravoire
Interior da Igreja Matriz, foto restaurada e colorida digitalmente por Ivo Maioli (Foto: Redes sociais/ Reprodução)

A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes era uma das mais antigas do Rio Grande do Sul no estilo gótico. Sua construção iniciou em 1904 e foi concluída em 1914.

— A espiritualidade dos imigrantes que se estabeleceram na região era muito forte. Desde o início estiveram presentes sacerdotes para dar assistência religiosa. Com destaque para o Padre Augusto Finotti, que reuniu as capelas pioneiras de São Pedro e São José — contextualiza o escritor e historiador Floriano Molon.

Conforme informações do Inventário do Patrimônio Cultural Material de Flores da Cunha, realizado em 2024 pelas historiadoras Danúbia Otobelli e Gissely Lovatto Vailatti, os Freis Capuchinhos Franceses passaram a administrar o Curato de São Pedro em 1903. Com eles, deu-se início à construção de um novo templo, sob direção do Padre Frei Theophile de Villards-sur-Thônes. Antes dela existia uma capela em madeira, dedicada a São Pedro.

Para traçar as linhas gerais da obra os frades contrataram o arquiteto francês Victor Denarié. Posteriormente, o frei Robert D’Apprieu assumiu a liderança do canteiro de obras, modificando a proposta técnica para que se adequasse aos recursos e materiais locais.

— O estilo gótico da Igreja Matriz e seus vitrais, trazidos diretamente de Paris, eram incomparáveis e constituíam uma característica profundamente marcante. Sabemos que essa estética é uma herança direta dos Frades Capuchinhos e que a arquitetura neogótica, com suas imponentes linhas verticais, era considerada a expressão mais adequada para conduzir as almas em direção ao Céu — conta a jornalista e historiadora Danúbia Otobelli.

Primeira missa foi celebrada em 1908

Uma garrafa com o registro histórico da construção foi sepultada sob o pilar do transepto. Pouco depois, em 8 de dezembro de 1908, a comunidade assistiu à primeira missa do templo, celebrada pelo padre Vitorino de la Ravoire.

— Um dos diferenciais, pelos quais a nossa Igreja Matriz se destacava, era o fato de ter tido sua pedra fundamental lançada no ano de 1904 (benta pelo Padre Theophile) e ter sido inaugurada em 1914 – complementa o professor e escritor Ivo Gasparin.

Para elevação dos alicerces, em pedra de basalto, foi aberta uma pedreira. Já a areia da argamassa vinha das margens do Rio das Antas, de onde subia até o canteiro de obras carregada por mulas. A fabricação de cada um dos tijolos da estrutura ficou por conta do casal Primo Francesco Paviani e Josefina Lovatel.

De acordo com informações do livro “História de um gigante”, de Gissely Lovatto Vailatti, Lorete Maria Calza Paludo e Vania Tonietto Brugali, em 1910 foi colocado o telhado e dois anos depois iniciou-se o reboco interno. O assoalho foi pavimentado com ladrilhos fabricados em Porto Alegre.

Da Europa chegaram, em 1912, as estátuas do Sagrado Coração de Jesus, Maria Imaculada, São José e São Pedro, assim como as estátuas do presépio. Em 1914, foram finalizadas as obras da Igreja Matriz. Dois anos depois, em 25 de fevereiro de 1916, o título da Paróquia foi alterado de São Pedro para Imaculada Conceição de Lourdes.

Em 1906 a Igreja Matriz estava em construção (Foto: Cúria dos Capuchinhos/ Divulgação)
Registro da Igreja Matriz em 1930 (Foto: Acervo Pessoal Silvio Garibaldi/ Divulgação)

Riqueza interna e marcos de fé

O carpinteiro Antonio Busetto confeccionou o batistério, o púlpito e o altar-mor da igreja, este último inaugurado em 1925. No ano de 1932, foi realizada a pintura do tabernáculo e adquiridas as estátuas de Maria Bambina e Senhor dos Mortos. Também foram colocados os lustres e feitas a instalação elétrica da Matriz e do salão paroquial.

No ano de 1939 iniciou-se o trabalho de pintura artística, feito pelo artista italiano Antonio Cremonese, morador de Flores da Cunha. A igreja foi solenemente inaugurada pelo bispo Dom Cândido Maria Bampi em 10 de fevereiro de 1942.

Os altares laterais guardavam marcos importantes de devoção: na ala direita, o Memorial do Santo Sudário, inaugurado em fevereiro de 1999; já a ala esquerda acolhe, desde julho de 1988, os restos mortais do Frei Salvador Pinzetta, cujo processo de reconhecimento da santificação tramita junto ao Vaticano.

— A Igreja ajudava a contar a própria história desse lugar, de sua gente, de seus feitos, pois integrava um conjunto edificado, juntamente com o campanário, a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, a Praça da Bandeira e o túmulo do Frei Salvador. A vida girava em torno dela — ressalta a professora e historiadora Gissely Lovatto Vailatti.

“A nossa igreja era feita de alma”

Uma ampla revitalização renovou o templo em 2013, substituindo o tom azulado das paredes por um bege-claro. Além de reformas no telhado e nas instalações elétricas, o altar foi ampliado e o conjunto de estátuas foi restaurado pelas mãos da artista plástica Rosalva Trevisan Rigo. Os trabalhos foram entregues oficialmente em 28 de setembro daquele ano, com a celebração de uma missa especial.

— Há monumentos que são feitos de pedra, mas a nossa igreja era feita de alma. Ver o fogo destruindo o sagrado ultrapassou a matéria. Uma dor que não pode ser explicada nem medida, somente sentida, que abriu um buraco enorme no coração da cidade e no coração de cada florense — lamenta a professora e historiadora Lorete Maria Calza Paludo, que prossegue:

— Mas o que o fogo não queima é a nossa força, herdada dos nossos antepassados, forjada no interior dessas paredes, que teimam em ficar de pé e unidos por essa força posta à prova pelo tempo e pela tragédia nos manteremos firmes pela união e solidariedade.

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