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Gincana Cultural coloca Flores da Cunha em clima de disputa neste fim de semana

Três equipes participam da competição que encerra a Semana do Município com provas, desfile temático e desafios ligados à história e à cultura florense
Atual campeã da Gincana Cultural, a Equipon & Chimia volta à disputa com 180 integrantes (Foto: Divulgação)

Conhecer o lugar onde se vive ganha outro peso em Flores da Cunha neste final de semana. Encerrando a programação da Semana do Município, a Gincana Cultural transformará a relação com a Terra do Galo em desafio, exigindo das três equipes atenção, agilidade e envolvimento com o cotidiano e a história florense.

A proposta da gincana está diretamente ligada às comemorações dos 102 anos do município e segue a temática deste ano, “Raízes fortes, gente que faz acontecer”. As atividades são direcionadas para o resgate histórico, a memória coletiva e o protagonismo das pessoas que constroem a cidade. Ao longo de três dias, as equipes enfrentarão provas culturais, recreativas e artísticas, além de tarefas-surpresa.

A subsecretária de Cultura, Adriana Boeira Dotti, destaca que o evento vai além da disputa por pontuação.

— O principal objetivo é promover integração, participação comunitária e valorização da cultura local dentro das comemorações dos 102 anos de Flores da Cunha. A proposta é unir diversão, criatividade e conhecimento, fortalecendo o espírito de comunidade e pertencimento — afirma.

A gincana é vista como uma forma divertida de preservar a identidade cultural do município, ao criar pontes entre gerações e despertar o pertencimento, sobretudo nos mais jovens.

— Muitas provas envolvem história local, costumes e elementos que fazem parte da essência de Flores da Cunha, aproximando principalmente os jovens das raízes da nossa cidade — avalia a subsecretária.

A atividade, que possui histórico nas comemorações municipais, terá sua terceira edição nos últimos seis anos. Após uma pausa em 2024, motivada por ajustes na programação oficial, o evento volta “renovado”.

— Neste ano, a Gincana Cultural retorna com ainda mais entusiasmo e expectativa por parte das equipes e da comunidade. Esperamos grande participação, envolvimento da comunidade e momentos marcantes de integração — reforça Adriana.

A organização técnica está sob responsabilidade da empresa Blackout Gincanas e Eventos, que elabora as provas e conduz as atividades. Entre os momentos mais aguardados está o desfile temático, marcado para o domingo (24), às 14h, na Avenida 25 de Julho. Com o tema “Música, Vida e História”, cada equipe homenageará um artista ou banda brasileira.

As provas ocorrerão pela área central entre sexta-feira (22) e domingo (24). Nesta edição, três equipes participam da disputa: Equipe Marcolina, Vui Le Carte e Equipon & Chimia.

Equipon & Chimia: “Organização é essencial”

Atual campeã da gincana, a Equipon & Chimia reúne 180 participantes e carrega uma trajetória marcada pelo crescimento. Criada em 2019 a partir de um pequeno grupo do bairro Nova Roma, a equipe expandiu rapidamente.

— Começamos com poucas pessoas e, ao longo das edições, nossa equipe foi crescendo e abraçando pessoas de todos os cantos da cidade, de outras cidades gaúchas e até do Brasil — relata Marília Grison.

Mesmo sendo a equipe mais nova na disputa, a Equipon & Chimia já ostenta o feito de ter vencido a gincana do centenário de Flores da Cunha, em 2024.

— Essa é nossa quarta edição. A gincana é um movimento de encontro e desafios, e nos motiva a superar limites — reforça Marília.

A preparação é intensa e começa com antecedência. A equipe realiza reuniões, confraternizações e até busca informações em gincanas de outras cidades. Entre os desafios, o desfile é apontado como um dos mais exigentes.

— O desfile exige muita mão de obra, materiais e planejamento. Além disso, as tarefas acontecem o tempo todo, sem pausa. A organização é essencial — relata.

Sobre o motivo de participar, a equipe destaca o impacto da gincana na forma como se relaciona com a cidade.

— Muitas tarefas nos fazem observar detalhes que passam despercebidos no dia a dia. Isso amplia nosso conhecimento sobre Flores da Cunha — conta Marília, que considera que o significado da gincana ultrapassa as tarefas e resultados, ganhando um valor coletivo e afetivo para todos:

— A gincana representa amor, dedicação e pertencimento. É algo que marca a vida de todos que participam — declara a gincaneira.

Marcolina: “União é o pilar”

Com cerca de 200 integrantes, a Equipe Marcolina tem origem na comunidade de Otávio Rocha e carrega no nome uma referência histórica ao antigo Travessão Marcolino Moura.

— A equipe leva este nome pela sua origem e base ser em Otávio Rocha. Marcolina se tornou uma nomenclatura que tem raiz forte e carrega toda a cultura da comunidade — explica a representante Renata Trentin.

Desde que estreou na gincana, em 2017, a equipe acumula conquistas que são motivo de orgulho e celebração entre os integrantes — incluindo a vitória logo em seu primeiro ano de participação, na histórica gincana em homenagem aos 50 anos da Fenavindima.

— A preparação acontece durante o ano todo. Estudamos constantemente a cultura do município, porque é um tema recorrente nas provas. Todas as provas são sempre muito diferentes, e é isso que estimula a equipe — revela Renata.

Reconhecida pelo forte envolvimento comunitário, a equipe de Otávio Rocha também foi campeã nos anos de 2019 e 2023.

Para a Marcolina, o desfile representa o momento mais emblemático da competição, reunindo não apenas o maior grau de complexidade, mas também a oportunidade de dar visibilidade a todo o trabalho construído ao longo da gincana.

— É sempre nosso maior e melhor desafio. É o momento em que mostramos para a comunidade o resultado de todo o trabalho. União é o pilar da Equimarcolina. É com esta união que a nossa convivência vai além dos limites da equipe — define Renata.

Além do desempenho competitivo, a equipe enfatiza o impacto da gincana na relação com a cidade.

— Através das tarefas e enigmas, ampliamos nosso conhecimento sobre Flores da Cunha. Isso fortalece o vínculo com a comunidade — pontua.

Com expectativas elevadas para esta edição, o objetivo é claro:

— A vitória. Sempre — reforça Renata Trentin.

Vui Le Carte: “Colecionar boas memórias”

Com 60 integrantes, a equipe Vui Le Carte completa duas décadas de participação na gincana, mantendo uma trajetória marcada pela diversidade e pela valorização da convivência.

— O que nos motiva a participar é a diversão e os desafios — afirma a representante Taís Pandolfi.

Formada originalmente por um grupo de jovens da comunidade de São Cristóvão, a equipe cresceu ao longo dos anos incorporando participantes de diferentes regiões do município.

— Nossa equipe preza muito pela boa convivência, tentando trazer um clima leve e descontraído durante a gincana. Tentamos sempre trabalhar em conjunto, explorando os conhecimentos de cada participante conforme as provas — explica.

Taís também resgata a origem curiosa e bem-humorada do nome “Vui Le Carte”

— Dizem que, há muito tempo, um senhor chegou na bodega da Dona Grisa e pediu “vui le carte”, querendo cartas de baralho para jogar. Mas ela entendeu de outro jeito, como se fosse uma ofensa, e respondeu brava: “vai lecar tu nona” (vai lamber tua avó). A expressão ficou marcada como uma brincadeira da comunidade e acabou virando o nome da equipe — lembra.

Ao relembrar a trajetória na gincana, Taís destaca que são justamente as experiências inusitadas que tornam a vivência tão marcante e especial para a equipe.

— Já tivemos situações como procurar elementos durante a madrugada ou realizar tarefas em locais pouco usuais. São experiências que ficam — comenta.

A Vui Le Carte demonstra interesse especial por provas que envolvem circulação pela cidade e resolução de enigmas. Mesmo com a leveza e a diversão como essência, a equipe também reconhece na gincana um importante papel na valorização e na preservação da cultura local.

— É fundamental fomentar a história local e transmitir esse conhecimento entre gerações. Em todas as edições sempre se descobre fatos novos sobre o município ou moradores — ressalta.

Para esta edição, a equipe mantém expectativas equilibradas.

— Somos uma equipe menor, mas temos pessoas muito engajadas. Nosso objetivo principal é a diversão e colecionar boas memórias — conclui.

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