Home Destaque “Não se configura como um problema estrutural”, destaca secretária de Educação sobre os casos frequentes de evasão escolar

“Não se configura como um problema estrutural”, destaca secretária de Educação sobre os casos frequentes de evasão escolar

Neide Sonda de Godoy defende que, em 2025, 70% dos casos da educação infantil e mais de 60% do ensino fundamental foram regularizados ou arquivados em razão do retorno dos estudantes à escola
Flores da Cunha conta com duas escolas estaduais que oferecem ensino médio: São Rafael, com cerca de 700 alunos matriculados, e Frei Caneca, com 173 estudantes (Foto: Karine Bergozza)

O desejo pelo poder de compra para adquirir bens de consumo, em geral novas tecnologias, tem levado muitos jovens, especialmente de 16 e 17 anos, a adiarem os estudos. Prova disso é que a infrequência escolar representa 15,2% dos atendimentos do Conselho Tutelar de Flores da Cunha e tem sido associada, em parte, à entrada precoce de adolescentes no mercado de trabalho.

Informações do sistema de Fichas de Comunicação de Aluno Infrequente (FICAI) do município levam em consideração os dados da rede estadual e mostram que, em 2024, 80 estudantes de ensino médio estavam com infrequência escolar na Terra do Galo. Número que seguiu alto em 2025, com 73 registros.

No ensino fundamental, considerando os dados da rede municipal e estadual, o número apresentou uma pequena diminuição de 2024 (108) para 2025 (88). Já a quantidade de FICAIs na educação infantil, observando dados da rede municipal, passou de 7 (2024) para 10 (2025).

Para a secretária de Educação de Flores da Cunha, Neide Sonda de Godoy, os dados de infrequência na educação infantil e no ensino fundamental mostram resultados positivos, fruto do trabalho articulado entre as escolas, a Rede de Apoio Integrada (RAI) e o Conselho Tutelar.

— Os dados indicam que a evasão escolar na rede municipal é baixa. Embora existam situações pontuais de infrequência, a evasão não se configura como um problema estrutural nas escolas municipais, reflexo do acompanhamento sistemático e das ações preventivas — enfatiza.

A secretária destaca os números do ano passado:

– Cerca de 70% dos casos da educação infantil e mais de 60% do ensino fundamental foram regularizados ou arquivados em razão do retorno dos estudantes à escola — afirma a secretária, destacando o fortalecimento de vínculos escola-família e projetos pedagógicos que promovem a participação ativa dos estudantes.

Sobre a questão do ensino médio, que em Flores da Cunha é gerido nas escolas estaduais, a secretária Neide salienta que, do ponto de vista educacional, a permanência e a continuidade dos estudos na idade adequada será sempre a melhor alternativa.

— Entende-se que a EJA e o Encceja são políticas públicas importantes, que cumprem um papel de reinserção educacional para aqueles que, por diferentes razões, interrompem sua trajetória escolar. O objetivo da Secretaria é atuar preventivamente para reduzir essas interrupções, sem desconsiderar a relevância dessas modalidades como alternativas de retorno.

Diretoras lamentam falta de vínculo

Flores da Cunha conta com duas escolas estaduais que oferecem ensino médio: São Rafael, com cerca de 700 alunos matriculados, e Frei Caneca, com 173 estudantes.

A diretora da Escola Estadual São Rafael, Claudia Garibaldi Salvador, relata que o educandário teve 19 casos de evasão de alunos do Ensino Médio em 2025. Para este novo ano letivo, a escola está entrando em contato com as famílias de alunos infrequentes de variadas idades, mas o que predomina continua sendo os matriculados no noturno e que estão cursando o ensino médio:

— Percebemos que a rotina de estudo e trabalho leva a evasão e que na hora de fazer escolhas entre escola e trabalho, sempre é o trabalho que se torna prioridade — constata.

Para a diretora Claudia, o fato de muitas famílias não se fazerem presentes na escola acaba refletindo na vida escolar dos alunos e na importância que eles dão para a educação:

— Identificamos pouca participação na assembleia de pais dos alunos de 2° e 3° ano do noturno, o que para nós é um termômetro da participação dos pais na escola.

Frei Caneca registra 45 abandonos

A falta de incentivo dos pais também é um dos pontos abordados pela diretora da Escola Estadual Frei Caneca, Josiele Brogliatto Colleoni. Ela constata que, na maioria das vezes, o ensino não é valorizado dentro dos lares e que os jovens se limitam a empregos mais simples ao invés de investirem em capacitação para conseguir um trabalho mais qualificado.

— Observamos que as famílias não estão suprindo o seu papel enquanto família, enquanto estrutura e papel de articulador. Se fizermos um paralelo ao que se tinha há tempos atrás, onde os pais diziam: “Estuda que é importante, é fundamental para ter um bom emprego”, hoje não sei ainda se tem essa fala, essa cultura — considera a diretora.

Outro ponto levantado por Josiele é o de muitas empresas apenas exigirem que os jovens estejam matriculados no ensino médio, sem cobrar frequência escolar.

— É importante que se retrabalhe a cultura de vínculo aluno, escola e trabalho, e não o contrário. O aluno precisa estar vinculado, devidamente matriculado e frequentando as aulas — defende a diretora.

Sobre os números expressivos, 45 abandonos no ensino médio em 2025, a diretora relata um caso:

— No mês passado, uma mãe nos procurou querendo cancelar a matrícula da filha. A aluna vai fazer 18 anos em julho, e a mãe já queria cancelar a matrícula agora porque a filha vai fazer o Encceja quando completar 18 — lamenta a diretora.

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