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Flores da Cunha escuta a comunidade para manter viva sua herança linguística

Pesquisa conduzida pela Subsecretaria de Cultura pretende mapear o uso e o vínculo afetivo dos florenses com o Talian, passo essencial para a criação do Plano Municipal de Salvaguarda da Língua
(Foto: Enzo Manfron / Prefeitura De Flores Da Cunha, divulgação)

O Talian é uma língua feita de afeto, de pertencimento e de história. E é justamente para entender como essa herança segue viva no presente que Flores da Cunha decidiu escutar a própria voz da comunidade.

A Prefeitura de Flores da Cunha, por meio da Subsecretaria de Cultura, está conduzindo um diagnóstico sobre o uso e a presença do Talian no município. A iniciativa é liderada pelo Grupo de Trabalho para a Salvaguarda da Língua Talian e busca traçar um retrato atualizado do dialeto no cotidiano dos florenses. A proposta vai além de saber quem ainda fala ou entende o idioma, quer compreender também o vínculo emocional das pessoas com ele, o espaço que ocupa na vida moderna e as formas pelas quais continua a se reinventar.

Uma semente plantada para o futuro

Desde 2015, o Talian é reconhecido como patrimônio cultural pelo IPHAN e língua cooficial de Flores da Cunha. Agora, o diagnóstico marca uma nova etapa desse compromisso, voltada à escuta e à participação da comunidade.

— O diagnóstico é o primeiro passo para planejar ações eficazes de salvaguarda da língua, garantindo que o trabalho do grupo se baseie em dados reais e reflita as necessidades da comunidade — explica Camila Stuani Pauletti, representante da Subsecretaria de Cultura e membro do Grupo de Trabalho. 

A pesquisa busca respostas que vão muito além de números. Quer entender quem são os falantes, onde o idioma ainda reverbera, e quais são os sentimentos que ele desperta.

— Buscamos identificar quem conhece o Talian, em que medida ele é utilizado, onde é mais falado e quais são os interesses e percepções da comunidade sobre sua preservação. Também queremos compreender o perfil dos falantes, como idade, local de residência e vínculo com a cultura italiana, para que as políticas públicas sejam mais bem direcionadas — informa Camila. 

Essas informações servirão como base para a construção do Plano Municipal de Ações para a Salvaguarda do Talian, previsto no Decreto nº 7.111/2025. Será a partir dele que novas estratégias de valorização da língua ganharão forma, desde ações educativas e culturais até iniciativas de comunicação e turismo.

— Com base nos dados, poderão ser desenvolvidas oficinas e cursos de Talian, atividades culturais em parceria com escolas e entidades, produções artísticas e turísticas na língua, campanhas de valorização e projetos intergeracionais que aproximem jovens e idosos no uso do Talian —  detalha Camila.

Segundo ela, a adesão ao formulário tem sido positiva, e o engajamento das entidades e da imprensa tem ajudado a ampliar o alcance da iniciativa.

— A comunidade tem demonstrado interesse e curiosidade em participar, especialmente por reconhecer o Talian como parte viva da identidade local — revela.

“O nosso desafio é fazer o Talian sobreviver”

O diagnóstico, porém, não é apenas um instrumento técnico. É também um gesto simbólico de reconexão, uma forma de mostrar o que Flores da Cunha foi e o que ainda quer ser.

— O Talian é um elo entre passado e presente. Ele carrega a memória dos imigrantes italianos que formaram nosso município e expressa o modo de ser, falar e viver da comunidade florense. Manter o Talian vivo é reafirmar nossa identidade cultural e transmitir aos jovens o sentimento de pertencimento às nossas origens — afirma.

Para a historiadora Lorete Calza Paludo, representante da Associação de Amigos do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi, o estudo é essencial para definir os próximos passos dessa caminhada de resistência cultural.

— O diagnóstico é importante porque a partir dele teremos uma ideia das ações mais adequadas à nossa realidade. O nosso desafio é fazer o Talian sobreviver. Sabemos também que não será uma tarefa fácil, tendo em vista que precisamos atingir os nossos jovens e que necessitamos de profissionais preparados para esse grande desafio. Nós temos a convicção de que se unirmos força, poderemos salvar esse importante pedaço de história .

Depois da coleta, o grupo irá analisar os dados e preparar um relatório diagnóstico, que servirá como ponto de partida para o plano municipal. A partir dele, serão definidos metas, prazos e responsabilidades para a execução das ações previstas.

O diagnóstico é um convite à participação e à memória. Um gesto de cuidado com o que é de todos, e que só continuará existindo se for compartilhado.

— Participar dessa pesquisa é uma forma de fazer parte da história e do futuro do Talian em Flores da Cunha. Cada resposta contribui para manter viva uma herança que nos identifica como povo e comunidade. O Talian é mais que uma língua, é memória, cultura e afeto. Por isso, a participação de todos é essencial para garantir que essa tradição continue ecoando nas próximas gerações — conclui Camila.

A participação na pesquisa é simples e aberta a qualquer interessado. O levantamento é feito por meio de um formulário on-line anônimo, disponível até sexta-feira (14), que pode ser acessado através deste link. 

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