Em 2026, celebramos o centenário do nascimento de Maria Della Costa, uma das grandes personalidades das artes cênicas brasileiras, nascida em Flores da Cunha, antiga Nova Trento.
Filha de imigrantes italianos e de origem humilde, Gentile Maria Marchioro Della Costa construiu uma trajetória marcada por talento, coragem e dedicação à arte. Ainda jovem, em Porto Alegre, foi descoberta pelo jornalista Justino Martins, da Revista do Globo, iniciando a carreira como modelo.
Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como modelo, participou de apresentações no Cassino Copacabana e aprofundou seus estudos de interpretação, inclusive em Portugal. De volta ao Brasil, integrou importantes grupos teatrais e destacou-se em obras de grandes autores nacionais e internacionais.
Reconhecida por sua contribuição à cultura brasileira, recebeu importantes homenagens, entre elas a Ordem do Mérito Cultural, em 2002. Nos últimos anos de vida, viveu em Paraty, onde administrou a pousada Coxixo. Faleceu em 24 de janeiro de 2015, aos 89 anos.
Ao celebrar seu centenário, Flores da Cunha recorda com orgulho a trajetória de uma de suas ilustres cidadãs, cuja arte projetou o nome da cidade nos palcos do Brasil. Homenagear Maria Della Costa é preservar a memória de uma grande artista e perpetuar seu legado para as novas gerações.
Uma relação de memória e admiração
Minha relação com a artista florense Maria Della Costa vem de longa data. Nos anos 1970, quando trabalhei em São Paulo, tive a oportunidade de assistir a importantes peças teatrais e conhecer o Teatro Maria Della Costa, inaugurado em 1954, em uma das principais avenidas da capital paulista. Mais tarde, hospedei-me no Hotel Coxixo, em Paraty, onde me encontrei com a artista, que ali viveu seus últimos anos.
Em outra ocasião, como presidente de uma das Fenavindimas, tive a satisfação de recebê-la em Flores da Cunha, quando um artista de Porto Alegre lhe entregou uma pintura, destinada ao Museu Pedro Rossi.
Também acompanhei a homenagem realizada no antigo prédio da Secretaria da Festa Nacional da Vindima, no Parque, onde funcionou uma espécie de escola de cinema, com atividades apoiadas por recursos da Comunidade Europeia. Na ocasião, foi criada uma sala dedicada à artista, identificada por um grande banner, cujo paradeiro desconheço após o encerramento das atividades.
Sinto que Flores da Cunha tem uma dívida de reconhecimento com Maria Della Costa, atriz de extraordinária trajetória no teatro brasileiro, com passagens também pela televisão e pelo cinema. Em suas entrevistas, fazia questão de mencionar sua terra natal, na Serra Gaúcha.
Neste ano de seu centenário, é importante resgatar sua história, consultando inclusive seu currículo e sua trajetória artística, registrados na Wikipédia e em outras fontes.
Por isso, somo-me humildemente aos que defendem uma homenagem permanente à nossa artista maior, dando seu nome ao teatro municipal, que está nascendo dentro da Casa de Cultura Flávio Luis Ferrarini. Seria uma distinção justa e duradoura, capaz de preservar sua memória e aproximar as novas gerações do legado de uma florense que conquistou o Brasil.

