Flores da Cunha teve 140 solicitações relacionadas à poda e supressão de árvores na área urbana em 2025. A atenção com a arborização da cidade foi levantada pelo vereador Oscar Francescatto (PL), que sugeriu a criação de um programa estruturado de revitalização e ampliação da arborização urbana.
No plenário da Câmara, Francescatto apresentou dezenas de fotos para justificar uma mudança na postura municipal. O vereador defende a necessidade de atenção especial para árvores antigas, inclinadas ou com raízes que comprometem calçadas, além de ampliar o plantio em áreas ainda sem cobertura vegetal.
— A beleza de uma cidade começa pela arborização.Não precisa ir muito longe para enxergar o problema. Por exemplo, o ligustro, uma árvore que tem ao redor da Praça (da Bandeira), é alérgena, não é muito bonita e a raíz arrebenta as calçadas. Já outras árvores estão velhas, tortas ou doentes e merecem atenção — afirma Francescatto, defendendo uma manutenção constante.
O programa sugerido conta com seis tópicos, incluindo uma avaliação técnica das árvores existentes e a substituição gradual das “espécies inadequadas”. O vereador reforça que pequenas ações, como a poda correta e a colaboração dos proprietários vizinhos, podem melhorar a segurança e a harmonia urbana.
— Cuidar de uma árvore é como cuidar do cabelo: se não se dá atenção, não adianta parecer bonita por fora — observa Francescatto.
Na última quarta-feira (4), a reportagem d’O Florense conversou com 20 cidadãos que caminhavam pela área central. A maioria não demonstrou preocupação com o tema. Confira algumas respostas a baixo.
Como a população pensa?
“Em Flores, em geral, eu acho que tem bastante árvore bonita. O que às vezes acontece é que o pessoal joga lixo ou não cuida do espaço, e isso acaba prejudicando o ambiente. Mas, em relação às árvores mesmo, eu acredito que estão bem”.
Aniele Padilha, 19 anos
“Eu acredito que está tudo bem cuidado. A única coisa que eu noto é que em algumas ruas os primeiros galhos ficam muito baixos e acabam atrapalhando um pouco. Pela demanda do espaço que a gente tem, eu acho que a quantidade de árvores é suficiente e estão bem assim”.
Marcelo Rosa Boeira, 45 anos
“As árvores estão bonitas e bem cuidadas. A gente vê que toda arborização está bem cuidada, tudo organizado. E tem que continuar a cuidar das árvores, porque isso é importante para a cidade e para quem mora aqui”.
Nelsa Cecilia Zuppa Pasticelli, 71 anos
“Tem bastante árvore, bastante sombra que elas geram também. Antigamente eu lembro que era bem pior, tinha mais sujeira, menos cuidado. Agora não, a gente vê que procuram cuidar mais. Sempre dá para melhorar um pouco, porque tudo pode melhorar, mas no geral eu acho que está bem cuidado”.
Antônio de Antunes, 72 anos
“Considero a cidade bem arborizada. As árvores trazem sombra, ajudam a melhorar a qualidade do ar e deixam os espaços mais agradáveis. No nosso bairro dá para ver esse resultado, porque muitas mudas que foram plantadas anos atrás cresceram e hoje oferecem um ambiente melhor”.
Fábio Junior Godoy, 42 anos
Prefeitura salienta normas em vigor
Questionada sobre a proposta do vereador Oscar Francescatto, a Prefeitura de Flores da Cunha salienta que já possui a Lei Municipal nº 1.248/1989, que estabelece as regras para plantio, poda, supressão e manejo de árvores em áreas urbanas. Essas normas definem responsabilidades tanto do poder público quanto de proprietários de imóveis, especialmente em relação ao cuidado com o passeio público e à preservação da vegetação urbana.
A diretora de Meio Ambiente, Franciele Zorzi, destaca que a Prefeitura também disponibiliza orientações técnicas à população sobre o tema.
— O Manual de Arborização Urbana, elaborado por engenheiros agrônomos da administração pública, serve como guia prático para orientar o plantio e o manejo adequado das espécies, qualquer pessoa pode acessar — salienta.
Além disso, o município também integra o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) desde 2023, entidade que reúne municípios da região para atuação conjunta em projetos ambientais e de sustentabilidade. Entre as frentes de trabalho do consórcio estão iniciativas relacionadas ao planejamento ambiental e ao apoio técnico às cidades consorciadas.
Já o monitoramento da arborização urbana é feito pela Secretaria de Agricultura, de forma contínua.
— O munícipe pode solicitar serviços de poda ou corte pelo site da Prefeitura, na aba “Serviços e Atividades de Interesse Coletivo – Arborização Urbana”, ou diretamente junto à Secretaria de Agricultura. Após a solicitação, é realizada vistoria técnica para avaliar as condições da vegetação e definir o manejo mais adequado para cada situação — detalha a diretora de agricultura, Tainara Gilioli.
Em 2025, foram registrados 96 pedidos de poda e 44 de remoção. Entre os pedidos de corte, 28 foram executados, 11 indeferidos e cinco convertidos em poda.

