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Palavra Viva: Um legado que segue vivo através do tempo

Confira a crônica escrita por Júlio César Nunes da Silva na edição Nº 1879 do jornal O Florense

Vivemos um tempo em que muitas coisas se perdem pelo caminho, seja na pressa, na superficialidade dos sentimentos ou no imediatismo de mais um dia corrido. Por isso, torna-se cada vez mais raro — e valioso — encontrar quem construa um legado apoiado em valores. Valores que não precisam ser anunciados, porque se revelam naturalmente: na forma de agir, de cuidar, de lembrar e de continuar.

Certa vez, ouvi uma frase que até hoje me intriga: “Há pessoas que passam pela vida.” Quem sabe até seja verdade. Mas gosto de pensar que há quem não apenas passe por ela, aquelas pessoas que encontram um propósito para viver. E, quando alguém encontra um propósito verdadeiro, encontra também um sentido que atravessa o tempo.

Porque propósito não é apenas sobre o que se faz, mas sobre aquilo que permanece depois. Está nos gestos repetidos com carinho, nas palavras que tocam, nos encontros que deixam marcas invisíveis — mas profundas.

E por isso, há algo de muito bonito quando uma história não se encerra em si mesma, mas encontra continuidade em outras vidas. Como se o tempo, em vez de levar, apenas transformasse. Como se tudo aquilo que foi vivido com verdade encontrasse novos caminhos para existir.

Talvez seja esse o maior dos legados que alguém pode deixar: não apenas memórias, mas presença. Uma presença que segue viva nas atitudes, nas escolhas e na forma como outras pessoas passam a enxergar o mundo.

Quando isso acontece, já não falamos apenas de lembranças, nem de saudades. Falamos de algo que ainda floresce. De algo que segue acontecendo em cada gesto que carrega um pouco daquilo que um dia foi semente.

A atuação do Instituto Flávio Luis Ferrarini mostra que um legado não se sustenta apenas pelas lembranças, mas na capacidade de seguir gerando sentido. Porque em cada atividade, em cada encontro e em cada adulto ou criança alcançada, há presença de algo que permanece — não como passado, mas como uma força do presente e do futuro. Um vínculo que não se rompe, mas se reorganiza no tempo.

Um sentimento que impulsiona e inspira — reafirmando, todos os dias, a importância de continuar. E é justamente isso que mais permanece.

Não são apenas os livros e as histórias transformadas em crônicas e poesias, mas os encontros, os olhares, as inspirações silenciosas que seguem ecoando por aí, transformando sonhos e curiosidades em novas realidades. Porque, de alguma forma, o Flávio continua ali… em cada criança, em cada adulto que descobre, pela primeira vez, o encanto das palavras.

Assim, a saudade deixa de ser apenas ausência e passa a ser também movimento. Um movimento que impulsiona e reafirma a importância de olhar para o passado, sim, mas também de seguir adiante, olhando para o horizonte que nos espera logo ali em frente.

Porque, no fim, quem vive com um propósito verdadeiro nunca parte por completo. Permanece… de outras formas, em outros tempos, em outros corações. E segue. Sempre segue.

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