Um inseto apareceu na janela do refeitório e despertou uma dúvida entre os alunos do Pré 1 B: seria uma barata? A pergunta, que poderia ter terminado ali, virou ponto de partida para uma investigação que envolveu pesquisa, observação, construção de um hotel para insetos e até a descoberta de um novo morador.
A experiência dos pequenos resume a participação da Educação Infantil na sexta edição da Mostra Científico-Cultural de Flores da Cunha. Entre crianças de quatro e cinco anos, perguntas que surgem no cotidiano ganham espaço para a curiosidade, a investigação e a descoberta, transformando situações simples em experiências de aprendizagem.
Assim como o Pré 1 B, turmas da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio levaram suas descobertas para a Mostra, reunindo estudantes de diferentes idades em uma mesma experiência de investigação e aprendizagem. A participação começa nos primeiros anos da vida escolar e se estende até o Ensino Médio, mostrando que a curiosidade e a pesquisa científica podem estar presentes em todas as etapas da formação. Neste sábado (15), a partir das 13h15min, os trabalhos selecionados serão apresentados à comunidade durante a etapa municipal, no Parque da Vindima Eloy Kunz.
Tudo começou com um bichinho…
Na infância, a curiosidade aparece o tempo todo. É aproveitando justamente as situações do cotidiano que a pesquisa começa a ser trabalhada desde os primeiros anos da vida escolar.
Foi o que aconteceu com os 20 alunos do Pré 1 B da Escola Municipal de Educação Infantil Irmã Tarcísia. Ao encontrarem um inseto na janela do refeitório, as crianças ficaram em dúvida se era uma barata. O que poderia ter sido apenas um episódio do cotidiano virou o projeto “Detetives da Natureza: o Mistério do Bichinho”.
Orientadas pelas professoras Dulcinéia Rosentalski e Charline Fogaça, as crianças pesquisaram e descobriram que o animal era um percevejo-de-jardim. A partir daí, vieram novas perguntas sobre alimentação, ciclo de vida, cores e o mecanismo de defesa.
A turma também construiu um hotel para insetos e teve uma surpresa: um pequeno morador apareceu por ali.
— O dia que a gente identificou que tinha um morador no nosso hotel, nossa, eles ficaram muito encantados. Nem nós, as profes, imaginávamos isso — conta Dulcinéia.
Na Educação Infantil, a pesquisa acontece de maneira lúdica e prática. As professoras buscam materiais, experiências e parcerias que ajudem os pequenos a encontrar respostas para suas próprias perguntas.
— Nessa fase em que a curiosidade está no auge, o papel central dos educadores é mediar essa jornada para ajudá-las a encontrar as próprias respostas — explica Charline.
Para as professoras, estimular essa curiosidade desde cedo também significa desenvolver atenção, observação, trabalho em equipe e, neste caso, respeito pela natureza.
— As atividades ajudaram a trabalhar a coordenação motora, a capacidade de ouvir e respeitar a opinião dos colegas, a autonomia para participar das tarefas e até a relação com as famílias, que foram envolvidas em diferentes momentos da pesquisa — destaca Dulcinéia.
Mais do que acompanhar a construção do projeto, as professoras dizem que o que mais chama atenção é perceber o envolvimento das crianças ao longo de cada etapa. Uma descoberta que, para um adulto, poderia parecer pequena, ganha outra dimensão quando é feita pelos olhos dos pequenos.
— O que mais nos encanta é ver o brilho no olhar deles. Quando encontraram o bichinho no hotel, por exemplo, foi uma festa. Eles ficaram muito empolgados porque perceberam que aquilo que a gente tinha estudado realmente estava acontecendo na nossa frente — conta Charline.

