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Nova Pádua começa a elaborar plano para enfrentar possíveis impactos do El Niño

Documento vai orientar ações preventivas, mapear áreas vulneráveis e organizar a resposta do município em situações de emergência
(Foto: Klisman Oliveira)

A previsão de chuvas intensas para os próximos meses levou a Prefeitura de Nova Pádua a iniciar a elaboração de um plano de contingência para orientar ações preventivas. A ideia é definir procedimentos de resposta diante de possíveis situações de emergência no período do El Niño.

A proposta foi apresentada pelo prefeito Itamar Bernardi Kiko, na segunda-feira (15), a representantes do Executivo, Legislativo, Brigada Militar e comunidade. A ideia é estabelecer protocolos de monitoramento, comunicação e atuação para reduzir impactos caso as previsões de intempéries se confirmem.

A iniciativa surge a partir dos alertas sobre a possibilidade de a região voltar a enfrentar períodos de instabilidade climática. A intenção é estar mais preparados do que nas chuvas de maio de 2024.

— O plano de contingência está sendo estruturado por conta das chuvas que estão previstas para o final deste ano e início de 2027. As informações que nos chegam dizem que nossa região será afetada pelo El Niño — afirmou.

O objetivo é definir as responsabilidades de cada setor e criar mecanismos de resposta rápida:

— A ideia é que tenhamos um caminho a seguir se, porventura, as previsões se concretizarem. Estamos estruturando como será o sistema de alerta, o monitoramento, as responsabilidades e a logística — destacou.

Entre as medidas previstas estão a manutenção preventiva da infraestrutura rural e na sede do município, além do mapeamento de áreas consideradas mais vulneráveis.

— Nesse primeiro momento, precisamos deixar as estradas com as valetas abertas, os bueiros desobstruídos e cuidar dos níveis dos nossos açudes. Junto disso, faremos um levantamento de residências que possam estar em áreas de risco — explicou.

O que é o El Niño

Cientistas da agência americana que monitora a atmosfera e os oceanos afirmam que passa de 60% a possibilidade do El Niño deste ano se tornar um dos maiores eventos já registrados desde 1950. O fenômeno se forma quando as águas do Pacífico ficam mais quentes. Nesse momento, a temperatura está 0,7ºC acima da média. O ápice do fenômeno deve ocorrer entre novembro e janeiro — quando os efeitos serão mais sentidos.

Quem faz o quê

Outro ponto considerado fundamental no plano é garantir o fluxo de informações em situações de interrupção dos serviços de internet e telefonia. A proposta prevê a definição de responsáveis pela comunicação em cada comunidade.

— Nesse cenário sem acesso à internet, cada comunidade terá um responsável pela comunicação. Nossa ideia é desenvolver esse plano ouvindo a comunidade para minimizar ao máximo os efeitos. O que não se pode é ficarmos inertes em cima das informações que temos — completou Kiko.

O documento, que deverá ser anexado ao plano da Defesa Civil do município, está em fase de elaboração. De acordo com o prefeito, aproximadamente 70% do projeto já foi estruturado. Os custos das ações previstas, contudo, ainda não foram definidos.

Plano tem apoio da Câmara

O projeto de contingência  também entrou na pauta da Câmara na última segunda-feira (15). Vereadores utilizaram a tribuna para comentar a proposta e defender ações preventivas diante das previsões climáticas para os próximos meses.
A vereadora Luciane Toscan (PDT) defendeu a atuação conjunta entre poder público e comunidade.

— A gente sabe que situações como chuvas intensas, vendavais e outros fenômenos podem ocorrer de forma inesperada, e estarmos preparados é o melhor caminho para enfrentarmos isso. É claro que gostaríamos que não acontecesse, mas as previsões indicam que alguns eventos poderão ocorrer — afirmou.

A vereadora Giseli Boldrin Rossi (PP) destacou que o planejamento precisa contemplar diferentes situações de risco que podem afetar moradores e propriedades rurais.

— Nós temos um alerta de que de outubro a janeiro será de muita chuva e o prefeito traçou um plano para agirmos nessas condições. Precisamos identificar se temos residências que corram risco de desmoronamento e deslizamento, precisamos nos atentar a rompimentos de açudes, obstrução de vias, quedas de parreirais e falta de energia — observou.

Lições de Roca Sales 

O vereador Cristhian Rancan (PP) destacou a importância da coordenação entre as equipes que atuarão em uma eventual emergência. Ao lembrar das enchentes que atingiram Roca Sales, ele relatou a experiência vivida por um grupo de voluntários que se deslocou até o município para ajudar.

— Eu destaco três pontos do plano de contingência: coordenação central, mobilização de equipes e integração. Tendo como exemplo Roca Sales, quando tivemos as chuvas que destruíram o município, nós fomos com um grupo de amigos para lá para tentar ajudar, mas chegamos na cidade e não sabíamos o que fazer, cada equipe tinha que se virar.

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