O Ministério Público (MP) solicitou informações sobre a fiação irregular em Flores da Cunha à Câmara de Vereadores. O ofício integra o inquérito civil que apura eventual omissão da concessionária, a RGE CPFL, na manutenção da rede. O tema vem sendo discutido desde a audiência pública realizada em março de 2025, quando poder público, concessionária e empresas de telecomunicações debateram soluções para o excesso de fios soltos e em desuso nos postes da cidade.
No ofício, o MP solicita o envio de documentos relativos à fiação irregular e esclarecimentos sobre as medidas já adotadas pelo Legislativo para o enfrentamento da controvérsia.
— Temos um inquérito civil em andamento com o objetivo de verificar eventual omissão da concessionária na manutenção da rede e buscar uma gestão otimizada desses bens, com a retirada daqueles equipamentos obsoletos, de forma a garantir mais segurança na prestação do serviço, além de melhorar a paisagem urbana — resume o promotor Vitor Casasco Alejandre de Almeida.
Até o momento, a solicitação de informações foi enviada apenas à Câmara Municipal. Este é o primeiro movimento público que o promotor Casasco, que assumiu o MP de Flores da Cunha em setembro de 2025, realiza dentro deste inquérito civil que foi aberto em outubro de 2024.
Impasse nos mutirões
No final de abril, ao ser questionada pela reportagem do jornal O Florense, a CPFL RGE respondeu que novos mutirões para retirada de fios excedentes e em desuso nos postes de luz serão realizadas “ainda no mês de maio”. Na semana seguinte, o prefeito César Ulian recebeu o representante da RGE, Rafael Dallabrida, em seu gabinete. Na ocasião, foi declarado que, “na sequência”, seria definida “uma nova data para o reinício das operações”. Contudo, 15 dias depois, ainda não foi anunciado nenhum novo mutirão.
Esta solução coletiva para o excessos de fios caídos ou pendurados na área central de Flores da Cunha foi alinhada na audiência pública na Câmara de Vereadores em março de 2025. O acordo era que a cada 15 dias, seriam realizados mutirões com a RGE, empresas de telecomunicações e prefeitura. Porém, mais de um ano depois, apenas três mutirões foram realizados.
Em sua última manifestação, em nota, a RGE afirmou que a participação das empresas de telecomunicações é fundamental, já que a retirada de cabos sem identificação ou autorização pode gerar riscos técnicos, legais e operacionais. A concessionária também declarou que segue notificando as empresas responsáveis para regularização das redes.
Já a Prefeitura de Flores da Cunha destacou que os mutirões dependem da atuação conjunta entre todos os envolvidos, especialmente da concessionária de energia, responsável pelas intervenções na rede elétrica.

