É crescente o número de fios e cabos soltos nos postes de luz de Flores da Cunha, oferecendo riscos a pedestres e motoristas. Seja no Centro, perto de mercados, farmácias e escolas, ou no interior, é fácil encontrar o excesso de cabos pendurados na via pública. A solução, aparentemente simples, foi alinhada no ano passado em audiência pública na Câmara de Vereadores: a cada 15 dias, seriam realizados mutirões com a RGE, empresas de telecom e prefeitura para retirada dos fios inutilizados. Porém, mais de um ano depois, apenas três mutirões foram realizados.
Procurada sobre a falta de ações, a CPFL RGE declara que “os mutirões realizados anteriormente só foram possíveis mediante acordo e presença conjunta das empresas de telefonia”. Em nota, a concessionária afirma ser de “grande importância a participação efetiva das companhias de telecom”, sob o argumento de que a remoção de cabos sem identificação ou sem autorização do proprietário pode gerar riscos técnicos, legais e operacionais. Junto com esta explicação, uma nova promessa: “ainda no mês de maio, a CPFL RGE estará realizando novos mutirões”.
No meio tempo, a concessionária afirma que segue notificando e cobrando as empresas de telecomunicações quanto à regularização de suas redes. Infelizmente, é visível nas ruas que esta fiscalização é inexistente ou tem pouco efeito prático.
A CPFL RGE reforça que, conforme as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), os ocupantes (empresas de telecomunicações) são responsáveis pela manutenção de suas instalações (fios e cabos) e devem mantê-las regularizadas.
Prefeitura “depende da atuação conjunta”
Questionada a não realização de mais mutirões, a Prefeitura de Flores da Cunha respondeu, também por nota, que “ainda em 2025, foi alinhada a retomada das ações para este ano”. Com apoio da Câmara de Vereadores, o Executivo afirma manter tratativas com os envolvidos (RGE e operadoras de telefonia e internet) para viabilizar a continuidade dos trabalhos.
A nota reforça que a execução dos mutirões depende da atuação conjunta entre todas as partes, especialmente da concessionária de energia, “pois sem sua participação não é possível realizar as intervenções na rede”.
A Prefeitura afirma que as conversas seguem em andamento para viabilizar a retomada o mais breve possível dos mutirões, mas que, até o momento, não há uma nova data definida.
Vereadora cogita medida judicial
A ex-presidente da Câmara de Vereadores, Silvana De Carli (PP), representa o Legislativo desde o princípio desta iniciativa. Ela também sinaliza dificuldades de comunicação com a RGE CPFL e admite que há poucas perspectivas.
— Não estamos conseguindo retomar isso. Há um grupo no WhatsApp que faço parte representando o Legislativo. O problema é, realmente, trazer a RGE para junto — afirma Silvana.
Uma possibilidade é a adoção de medida judicial, seguindo o exemplo de outras cidades que tem o mesmo problema dos fios soltos.
— Há vários municípios que estão multando. Em último caso, teremos que aderir também para poder organizar isso. Estamos tentando na conversa, também com as operadores de Flores, mas não está sendo suficiente.

