A relação entre corpo, palavra e as diferentes fases da experiência feminina é o ponto de partida de “Eu, Mar Sem Fim”, primeiro livro da escritora, bailarina e coreógrafa caxiense Luísa Fedrizzi. A obra reúne mais de 50 poemas em 140 páginas e chega ao público oficialmente neste sábado (22), às 17h30, em um lançamento no Zarabatana Café, no Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul.
Com ilustrações de Karen Basso, o livro utiliza o mar como metáfora para abordar sentimentos, transformações, relações, conflitos e processos de amadurecimento. A imagem das águas acompanha Luísa desde a infância e acabou se tornando o eixo central da publicação.
Aos oito anos, em um de seus primeiros poemas, a autora escreveu sobre enxergar nos próprios olhos um “mar sem fim”. A lembrança permaneceu ao longo dos anos e, mais tarde, voltou a fazer sentido quando Luísa começou a reunir sua produção poética.
Poemas escritos em diferentes momentos da vida
Embora escreva desde criança, Luísa passou a considerar a possibilidade de transformar seus textos em livro nos últimos quatro anos, período em que frequentou aulas regulares de escrita criativa. O estímulo partiu da professora, escritora e doutora em Escrita Criativa Ana Luiza Rizzo, que também realizou a revisão textual da obra.
O processo de construção do livro envolveu a retomada de poemas produzidos em diferentes fases da vida. Em vez de seguir uma ordem cronológica, os textos foram agrupados a partir de seis perspectivas relacionadas ao universo marítimo.
— Revisitar cada um deles foi como reviver momentos, bons ou ruins, mas a partir de uma perspectiva mais madura e elaborada — relata a autora.
A trajetória artística de Luísa ajuda a explicar a aproximação entre poesia e movimento presente no livro. Natural de Caxias do Sul, ela é licenciada em Dança e especialista no Sistema Laban/Bartenieff de Análise de Movimento, além de atuar como professora, performer, bailarina e coreógrafa.
A literatura já fazia parte de seus trabalhos cênicos antes mesmo da publicação. Poemas escritos por ela foram incorporados a espetáculos que dirigiu ou dos quais participou.
Para a artista, escrever e dançar partem de um princípio semelhante: transformar aquilo que existe internamente em uma experiência que possa ser compartilhada.
— Escrever é parecido com dançar: é uma forma artística de comunicar aquilo em que acredito e de me conectar com outras mulheres — define.
Essa relação entre palavra e corpo também será levada ao palco durante a Feira do Livro de Caxias do Sul. No dia 11 de outubro, às 15h, Luísa apresentará a intervenção artística “Eu, Mar Sem Fim: Poesia em Movimento”, no palco principal do evento. Uma hora depois, às 16h, participará de uma sessão de autógrafos na Praça Dante Alighieri.
A publicação foi viabilizada com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Caxias do Sul e apoio cultural da Grazziotin Negócios Imobiliários e do Instituto Elisabetha Randon. A produção cultural é da Cali Gestão Cultural.
