A inteligência artificial já assumiu parte das tarefas que durante anos consumiram tempo dentro das agências de comunicação. Ela ajuda a organizar informações, acelerar pesquisas, revisar materiais e até sugerir caminhos criativos. Mas, à medida que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, cresce uma pergunta entre profissionais do setor: o que continua dependendo exclusivamente das pessoas?
A resposta, segundo as agências, está menos na tecnologia e mais na capacidade humana de interpretar contextos, tomar decisões e construir soluções que façam sentido para cada cliente. Afinal, plataformas semelhantes tendem a oferecer respostas semelhantes diante dos mesmos comandos, tornando o repertório e o olhar crítico elementos ainda mais importantes.
Na agência Finis, de Caxias do Sul, o diretor de arte Alexandre Severo defende que a inteligência artificial amplia as possibilidades do trabalho, mas ainda não substitui a percepção humana.
— Quem trabalha no dia a dia em algum ramo da comunicação precisa compreender que a inteligência artificial é uma ferramenta que pode nos auxiliar, assim como programas de edição, por exemplo. A comunicação, para ser efetiva, precisa do ser humano. Afinal, são pessoas que estão na ponta final do nosso público-alvo — salienta.
A pergunta por trás da tecnologia
Cada vez mais, o diferencial competitivo deixa de estar na ferramenta escolhida e passa a depender do conhecimento de quem a utiliza. Para Regina Lain, gerente de projetos da Dinâmica, a qualidade do resultado depende diretamente da capacidade de formular boas perguntas e conduzir o processo.
— É por isso que defendemos que quem está por trás da pergunta faz toda a diferença. Sem repertório e conhecimento aprofundado sobre o assunto, fica difícil até saber o que pedir para chegar a algo original. É o olhar humano que direciona a IA para sair do óbvio. É justamente esse cuidado que buscamos manter em cada entrega, para que o cliente saiba que está recebendo algo pensado especialmente para ele — acrescenta Regina.
A percepção é semelhante na Agência Ellite. Para o diretor Lucas Bragagnolo, a inteligência artificial exige profissionais preparados para analisar criticamente as respostas produzidas pelas plataformas.
— Precisamos considerar que o profissional que usa a inteligência artificial precisa ter capacidade de análise crítica sobre o que está fazendo. A IA é construída para agradar. Se a pessoa não tiver discernimento e coerência, pode acabar aceitando respostas sem questionar — considera.
Segundo Bragagnolo, a tendência é que novas plataformas continuem surgindo e ampliando as possibilidades de uso. Por isso, mais do que dominar uma ferramenta específica, os profissionais precisarão desenvolver critérios para entender quando e como utilizar cada recurso.
— O principal desafio é nós, enquanto seres humanos, sabermos operar essas ferramentas. A tecnologia vai continuar evoluindo. A minha preocupação é construir um uso realmente eficaz que traga benefícios para os clientes e para os processos da agência — conclui.

