Flores da Cunha iniciou o segundo semestre com aceleração na inadimplência. Conforme dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Flores da Cunha, operadora local do SPC Brasil, o número de inadimplentes cresceu 12,66% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025. O índice ficou acima dos registrados na região Sul (10,68%) e no Brasil (7,80%).
Na comparação com junho, o avanço foi de 2,03%, também superior ao observado nos cenários regional e nacional. O resultado contrasta com o primeiro semestre, quando a variação mês a mês no volume de devedores foi de 0,23% no município.
Além do aumento no número de inadimplentes, a CDL chama atenção para o crescimento das dívidas de maior valor. Mais de 60% dos débitos registrados em Flores da Cunha são bancários. No primeiro semestre, a variação das dívidas acumuladas por devedor foi de 5,17%, enquanto no Rio Grande do Sul houve queda de 1,07%. Em julho, o acumulado cresceu mais 2,09% em relação a junho.
— O aumento do endividamento em Flores da Cunha acompanha, principalmente, dívidas bancárias, que respondem pela maior parte dos débitos registrados no município. Isso indica que o problema já não se limita ao consumo do dia a dia e passa a comprometer parcelas maiores da renda das famílias, o que exige atenção tanto do consumidor quanto do lojista na concessão de crédito. — analisa o presidente da CDL Flores da Cunha, Jasser Panizzon.
O perfil das dívidas também mudou. Em dezembro de 2025, 39,78% dos inadimplentes tinham débitos de até R$ 1 mil. Em julho, eram 36,33%. Já os consumidores com dívidas superiores a R$ 7,5 mil passaram de 23% em janeiro para 25,27% em julho.
No primeiro semestre, o valor médio devido por inadimplente aumentou 13%. Em julho, cada devedor acumulava, em média, R$ 6.628,04 em atrasos. O valor é 1,82% menor que o registrado em junho, mas permanece cerca de R$ 1 mil acima da média dos inadimplentes gaúchos. Em um terço dos casos, as dívidas têm entre um e três anos.
Diante do cenário, a CDL orienta os lojistas a terem cautela na concessão de crédito.
— O lojista precisa usar as ferramentas de análise de crédito do SPC Brasil antes de fechar uma venda a prazo e outros utilitários do sistema que mostram o histórico do consumidor e ajudam a definir limites e condições com mais segurança, tanto para o comércio quanto para o cliente. Não se trata apenas de vender, mas de vender bem, ou seja, de receber devidamente pela mercadoria ou serviço, isso é indispensável para a solidez de qualquer negócio — lembra.

