O Instituto Flávio Luis Ferrarini chega a mais um aniversário com a sensação de quem começa a colher frutos que, no início, nem sabia que estava plantando. Para celebrar os 11 anos de trajetória, o Instituto convida a florenses e paduenses para uma tarde especial neste sábado (22), a partir das 14h, com programação gratuita e aberta à comunidade, no espaço da Família Pagno, no Travessão Rondelli, em Flores da Cunha.
O encontro terá como destaque um desfile literário que pretende transformar histórias em movimento. A partir de 26 obras de Flávio Ferrarini, escolas e entidades prepararam apresentações que unem literatura, dança, música, teatro e artes visuais.
— Cada grupo encontrou uma maneira própria de interpretar e representar uma obra. Existe muito trabalho, criatividade e carinho por trás de cada performance, de cada detalhe. O que queremos é que a literatura possa ser sentida de uma maneira diferente — explica Madeleine Ferrarini Dallemolle, idealizadora do projeto.
A proposta nasceu do desejo de apresentar a diversidade da obra de Flávio, já que “O Menino da Terra do Sol” acabou se tornando a mais conhecida. O desafio, então, foi levar ao público outras histórias e, ao mesmo tempo, reforçar que o Instituto não existe apenas para preservar a produção de seu homenageado.
— Foi a partir da obra dele (Flávio Ferrarini) que tudo isso começou, mas nós não queremos ficar restritos à literatura dele. Queremos mostrar, por meio do trabalho que ele deixou, o quanto a literatura é capaz de abrir caminhos. Somos admiradores da boa literatura, de toda forma de expressão que consiga tocar as pessoas — afirma Nair Piccoli Curra, voluntária do Instituto.
A escolha por um desfile também carrega um significado especial. Para as voluntárias, literatura, memória e cultura não podem permanecer paradas: precisam circular, encontrar pessoas e ganhar novos sentidos.
— Nós acreditamos que a cultura, a literatura e as nossas memórias precisam ter movimento. Queremos que isso não seja apenas para as pessoas, mas que seja das pessoas. Nós somos cultura — salienta Madeleine.
A programação da tarde também terá música ao vivo com Maicon e Pontel, exposição de arte do Ateliê Bonjour, comidas e bebidas da Família Pagno, espaço ao ar livre para piquenique e um brechó solidário. Toda a renda obtida será destinada à manutenção das iniciativas culturais promovidas pelo Instituto.
“Todos têm algo a contribuir’
O aniversário foi pensado como um encontro em que a cultura deixa de ser apenas algo que se assiste e passa a ser uma experiência compartilhada, vivida por quem se reconhece naquele espaço.
— A nossa maior preocupação é que as pessoas se sintam bem e à vontade. Claro que ficamos felizes se vier bastante gente, mas queremos valorizar quem está se empenhando e quem vem de coração — destaca Madeleine.
Mais do que comemorar uma data, o Instituto quer mobilizar aquilo que esteve presente desde o começo de sua história: a crença de que literatura, arte e criatividade podem aproximar pessoas, despertar talentos e transformar espaços.
— Para mim, chegar aos 11 anos é até uma surpresa. Quando começamos, não tínhamos pretensão de ir tão longe ou atingir tanta gente. A ideia era criar um espaço onde a palavra pudesse fluir e onde cada um pudesse expressar seu pensamento — conta Madeleine.
Manter esse movimento por 11 anos, porém, também significou enfrentar um desafio permanente: mostrar que cultura não precisa estar presa a uma única linguagem.
— Quando uma pessoa descobre que pode criar, se expressar, participar e transformar aquilo que está ao seu redor, a cultura deixa de ser apenas uma atividade e passa a fazer parte da vida. É isso que queremos: abrir caminhos e mostrar que todos têm algo a contribuir — explica Nair.
Para as idealizadoras, o futuro do Instituto passa pela capacidade de continuar inspirando e envolvendo pessoas. Não necessariamente da mesma forma que aconteceu até aqui, mas preservando o movimento e aquilo que dá sentido à caminhada.
— Nós acreditamos que a cultura, a literatura, as nossas memórias e esse legado precisam andar juntos. Queremos que sejam das pessoas, que elas se apropriem disso e assumam todo esse conhecimento. Um legado verdadeiramente vivo é aquele que não pertence a uma única pessoa, mas que passa de mão em mão, queremos que todos se sintam parte — afirma Madeleine.
SERVIÇO
Quando: Sábado (22), às 14h
Onde: Família Pagno, no Travessão Rondelli
Entrada gratuíta e aberto à comunidade
Atividades durante a tarde:
- Desfile literário
- Show ao vivo com Maicon e Pontel
- Exposição artística com o Atêlie Bonjour
- Espaço ao ar livre para piquenique
- Apresentação de dança com Isís e Sofia e LeVie Escola de Dança
- Brechó solidário
- Comidas e bebidas fornecidas pela Família Pagno

