Home Destaque “Entrei em um setor que eu não conhecia nada”, revela sócia-proprietária de mecânica florense

“Entrei em um setor que eu não conhecia nada”, revela sócia-proprietária de mecânica florense

Há oito anos Cristiane Tomé Moré decidiu se reinventar profissionalmente e assumiu um cargo de liderança na Nova Auto Mecânica
Cristiane Tomé Moré cuida da parte financeira da Nova Auto Mecânica (Foto: Karine Bergozza)

No último século as mulheres conquistaram muitos espaços e quebraram diversas barreiras, desde a luta pelo direito ao voto até a liderança em setores antes dominados por homens. Mas, apesar dos avanços, ser mulher ainda significa enfrentar obstáculos diários, como a desigualdade salarial, a dupla jornada e a pressão por padrões de beleza inalcançáveis. Neste cenário, é bom ouvir conselhos de mulheres de Flores da Cunha  que também perseguem seus sonhos e podem servir de inspiração.

Uma dessas mulheres é Cristiane Tomé Moré, 44, que há oito anos decidiu se reinventar profissionalmente. Ela trocou a experiência na área da saúde para assumir a parte financeira da Nova Auto Mecânica. No negócio familiar, ela divide a liderança com o marido, Lissandro Moré, 50 anos, e o cunhado, Carlos Moré, 65.

Em uma área com estereótipos machistas a florense conta que, principalmente no início, relutou bastante em aceitar a proposta feita pelo esposo, convite feito quando estava grávida de seu segundo filho:

— De certa forma eu não queria, porque para quem conhece a oficina antigamente, hoje ela está totalmente diferente. Era tudo bagunçado, não tinha piso, não tinha nada. Fizemos melhorias na iluminação. Então o local foi todo reestruturado internamente depois que eu assumi.

Além da própria insegurança, Cristiane teve que lidar com diversas situações de preconceito vindo, inclusive, das próprias mulheres:

— No primeiro ano as pessoas não queriam conversar comigo, queriam falar direto com o meu marido. Ainda hoje tem alguma coisa de preconceito, mas depois desse um ano, as pessoas já começaram a saber que tem que ver as coisas direto comigo, conversar, agendar e explicar sobre o veículo — relata Cristiane.

Com o passar do tempo, a sócia-proprietária foi se capacitando e tornando-se cada vez mais eficiente e experiente em sua função:

— Eu sou bem franca em dizer que eu sou bem metida. Porque, na verdade, eu tive que ser dessa forma, porque eu entrei em um setor que eu não conhecia nada, não sabia nada.

Na medida em que o trabalho novo ia se encaixando ao seu dia a dia, Cristiane foi identificando vantagens como ter mais autonomia e liberdade para seus compromissos. Por outro lado, diz ter percebido que empreendedores levam tarefas para casa, não tem horário e, muitas vezes, trabalham de domingo a domingo.

(Minha rotina) é bem trabalhosa porque também tenho a casa e os meninos. (No fim do dia) até que vou atrás de tudo, de dar banho para eles e preparar a janta é bem corrido – desabafa.

Para dar conta de tudo a mãe do Anthony, 8 anos, e do Nicolas, 5 anos recebe ajuda dos pais, Gilberto e Salete Tomé, para cuidar das crianças na parte da manhã, já que, à tarde, os pequenos vão para a escola.

Mesmo com essa correria toda a florense não abre mão do hábito da leitura e de estar sempre se aperfeiçoando em sua área de atuação, por meio da qual vem criando laços de amizade com mulheres de todos os cantos do país.

— Estou em um grupo de WhatsApp que reúne quase 1 mil mulheres de todo o Brasil para conversar sobre assuntos ligados à mecânica, seja para as mulheres que trabalham no administrativo ou na produção. No fim do mês vai ter o Terceiro Congresso Mulheres Automotivas – Mulheres MV8, em Porto Alegre, e eu não vejo a hora de ir! Me inscrevi e disse para mim mesma que este ano eu vou. No ano passado eu não consegui, mas neste eu vou!

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