Certamente o padre Pedro Piccoli não imaginava que uma simples ideia para arrecadar recursos para a construção da Igreja Matriz São Marcos se transformaria em tradição e Otávio Rocha ficaria conhecido como um roteiro turístico onde é possível revisitar a história da imigração italiana, sua forte religiosidade e apreciar a gastronomia típica de mesa farta.
Em 1966, o religioso sugeriu a realização de uma festa que reunisse recursos e possibilitasse pagar as despesas com o novo templo. Na concepção do padre as candidatas que quisessem integrar a corte da 1ª Festa Paroquial da Uva deveriam vender votos em almoços festivos que angariavam fundos para a obra.
Em seu livro “Torre Centenária de Otávio Rocha”, Floriano Molon destaca que o evento foi o primeiro a ser realizado na região, ficando atrás apenas da tradicional Festa da Uva de Caxias do Sul. Afinal, a Festa do Vinho, de Bento Gonçalves e a própria Vindima, de Flores da Cunha, tiveram suas primeiras edições após 1967.
Além de contar com a organização do padre Pedro Piccoli, o evento tinha em sua comissão organizadora: Francisco Caldart, Alexandre Pedron, João Zilli e Constantino Tadiello.

A coroa da rainha da primeira festa foi utilizada por mais de uma dezena de coroações. As princesas só começaram a usar o adereço na 12ª edição. (Foto Acervo Floriano Molon/ Divulgação)
A corte da festa era formada por três princesas: Carmem Isabel Schio (representando Santa Justina), Edenir Scopel (capela São Luiz) e Elizabeta Molon (vila de Otávio Rocha). Foi coroada rainha Teresinha Slaviero (representante do Travessão Carvalho). A escolha ocorreu em 12 de fevereiro de 1966 no salão do clube de Otávio Rocha.
A disputa foi acirrada entre Elizabeta e Teresinha, mas, Teresinha venceu por 226 mil votos contra 154 mil, e foi coroada pela rainha da Festa da Uva de Caxias do Sul da época, Sílvia Ana Celli.
A 1ª Festa Paroquial da Uva foi realizada de 20 a 27 de fevereiro de 1966, Logo no primeiro dia do evento foi inaugurada, em uma manhã de muita chuva, a Igreja Matriz do terceiro distrito, a primeira em estilo moderno do interior do Rio Grande do Sul. O evento contou com a presença do visionário João Slaviero, do governador do Estado Ildo Meneghetti, do padres Antônio Galiotto e Pedro Piccoli, do Bispo Dom Benedito Zozi, do Dr. Aurélio Pedron, do radialista Carlos Mambrini e do ex-prefeito Severo Ravizzoni.
De Paroquial a Colonial
Somente 11 anos depois, em fevereiro de 1977, foi realizada a segunda edição. Floriano Molon, em seu livro “Torre centenária de Otávio Rocha” destaca que a expressão “Paroquial” foi substituída por “Colonial”, tornando-se Festa Colonial da Uva (Fecouva).

A corte da segunda Festa Colonial da Uva: Elida Grifante, Elizete Trentin e Salete
Tomazzoni. (Foto Acervo Floriano Molon/ Divulgação)
A mudança visava proporcionar uma maior abrangência ao evento que, desta vez, contou com um júri especializado para a escolha da corte, formada pela rainha Elizete Trentin e pelas princesas Salete Tomazzoni e Elida Grifante.
A comissão era composta por: Floriano e Dalva Molon (presidente), Francisco Caldart, Theodoro Damin e Nelcindo Manosso (vice-presidentes), João Zilli (secretário) e Eurico Dani (tesoureiro).
A festa contou com a exposição de uvas e produtos agrícolas, localizada nas antigas instalações da cantina Slaviero, e o desfile de carros alegóricos emocionou os presentes. O evento foi um verdadeiro sucesso e reuniu mais de 40 mil pessoas em pleno interior. Uma receita de tradição que continua sendo seguida, mesmo seis décadas após a primeira festa.

