De uma pergunta surgida em Nova Pádua a uma apresentação diante de pesquisadores no Ceará. Brenda Tormen e Larissa Morandi Reginato, de 14 anos, percorreram mais de 3 mil quilômetros até Juazeiro do Norte para levar à XI MOCICA (Mostra Científica do Cariri) uma pesquisa sobre uma questão que chamou a atenção das duas no próprio município: por que há tantos casos de hipertensão entre os paduenses?
A questão levou a pesquisa para um caminho bastante particular; os hábitos alimentares herdados dos imigrantes italianos e preservados ao longo das gerações. A partir deles, as estudantes passaram a investigar se existe alguma relação entre a alimentação mantida no município e os índices de hipertensão entre os paduenses.
— A escolha (do tema) se deu pela constatação de que a hipertensão é uma das doenças mais frequentes em Nova Pádua. Existem muitos casos. Sempre ouvimos falar sobre a doença e aproveitamos a oportunidade para abordar o tema na mostra científica da escola. Foi uma maneira de aprofundar o nosso conhecimento na área e descobrir o motivo de tantos hipertensos — explica Brenda.
Larissa viu na pesquisa uma forma de levar esse assunto para além da escola.
— Nosso objetivo é conscientizar, orientar e mostrar para a nossa população os altos índices de hipertensos paduenses.
“Relevância para outros municípios”
O caminho até o Ceará começou ainda na escola Luiz Gelain. O projeto recebeu destaque na 9ª Mostra Científico-Cultural, em julho do ano passado. Com orientação do professor Dilnei Abel Daros, Brenda e Larissa levaram o trabalho à XII IFICITEC, Feira de Inovação Tecnológica do IFRS Campus Canoas. O destaque na área de Ciências Humanas garantiu o credenciamento para a XI MOCICA.
No Ceará, a pesquisa sobre uma realidade tão próxima das estudantes passou a dividir espaço com trabalhos de jovens de diferentes partes do país.
— Estamos vivendo uma experiência única em nossas vidas, totalmente diferente do que somos acostumadas a viver, conhecendo a cultura, as tradições e a gastronomia de outro lugar. O que nos chama atenção é a potência da feira, da diversidade dos projetos e a experiência que vamos levar daqui — conta Larissa.
A participação na mostra também coloca as estudantes diante de uma etapa nova; apresentar o que descobriram a avaliadores que não acompanharam o projeto desde o início. A preparação foi concentrada em dominar cada parte do estudo para conseguir explicar as escolhas feitas ao longo do caminho.
— Sabemos que nos preparamos ao máximo e estamos prontas para transmitir aos avaliadores todas as informações que adquirimos durante a realização do nosso projeto. A pesquisa é algo que eles nunca viram. Fizemos um trabalho que pode ter relevância para outros municípios, que podem se espelhar nesse estudo e fazer também em suas cidades — avalia Brenda.

