Home Destaque “Me faz sentir vivo”, destaca expositor ao compartilhar a emoção de preservar relíquias automobilísticas em Flores da Cunha

“Me faz sentir vivo”, destaca expositor ao compartilhar a emoção de preservar relíquias automobilísticas em Flores da Cunha

22ª edição do Encontro de Veículos Antigos ocorre neste sábado e domingo, no Parque da Vindima Eloy Kunz, reunindo mais de 300 modelos e histórias de colecionadores apaixonados pelo antigomobilismo.
O florense João Paulo Carpeggiani participa pela primeira vez como expositor e apresentará sua BMW 325 Coupé, modelo raro no Brasil (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma oportunidade de conhecer de perto relíquias que já não circulam pelas ruas, observar como os automóveis mudaram ao longo das décadas e descobrir curiosidades que vão muito além da aparência. No sábado (7) e domingo (8), junto à programação do 3º Festival Melhores Vinhos, Flores da Cunha receberá o 22º Encontro de Veículos Antigos. As atrações no Parque da Vindima Eloy Kunz são um convite não apenas aos colecionadores, mas também às famílias, aos curiosos e a todos que apreciam cultura, design e boas experiências.

A expectativa do Veteran Car Club, organizador do encontro, é reunir mais de 300 veículos de diferentes épocas. Mas o que faz alguém dedicar tempo e recursos para preservar um automóvel por tantos anos? As respostas são encontradas nas histórias de quem estará expondo no encontro.

Para o florense João Paulo Carpeggiani, 40 anos, a paixão começou na infância. Influenciado pelo pai Paulo Roberto Carpeggiani, também apaixonado por automóveis, ele lembra que ganhou uma assinatura da revista Quatro Rodas quando era criança.

— Naquele tempo os carros que eram lançados costumavam ser sonhos inatingíveis e hoje, cerca de 30 anos depois, eles se tornam realidade e nos remetem a muitas memórias afetivas e familiares especiais que fizeram parte de nossa infância — conta o arquiteto.

No encontro, João Paulo vai expor uma BMW 325 Coupé. O modelo chama a atenção pelo desenho atemporal e, principalmente, pela raridade: apenas 17 unidades foram importadas para o Brasil entre 2000 e 2002. A procura pelo automóvel levou tempo, mas, quando encontrou um anúncio do veículo, não teve dúvidas na hora de fechar negócio.

— Me conecto novamente a uma época em que não precisávamos do celular para nada. É girar a chave, bater arranque, acelerar e escutar o som do motor seis cilindros em linha, o que é absurdamente lindo! Me faz sentir vivo! — declara.

A experiência de João Paulo encontra pontos em comum com a de Gabriel Rodrigues, 29, que vem de Novo Hamburgo para participar com seu Dodge Coronet Super Bee, de 1970. O modelo, que já recebeu o troféu de Carro do Evento em uma edição anterior, chama a atenção especialmente pela grade dianteira dividida, uma característica que diferenciou o automóvel entre os “muscle cars” da época.

Importado do estado norte-americano do Kentucky, em 2019, o Dodge permaneceu por um período exposto em um museu em Tupelo, no Mississippi, cidade natal de Elvis Presley.

— Localizei o carro na internet e precisei de apenas sete fotos para comprar! Além do carro, ganhei um amigo porque praticamente toda a semana, desde 2019, o ex dono entra em contato. Para um Americano é algo estranho um carro atravessar o oceano e vir para o Brasil — brinca o colecionador.

“Experiência única”

Para Rodrigues, parte do encanto está justamente nas possibilidades que os automóveis ofereciam aos compradores de antigamente.

— Era uma verdadeira guerra para conseguir cativar o comprador. Hoje, no nosso mercado nacional, lidamos com escassez de modelos, cores e até de motores — observa o desenhista.

Outro exemplo de preservação estará representado pelo Chevrolet Impala Sport Coupé, de 1963, que será exposto por Pablo Soldatelli, 53, de São Marcos. Adquirido há um ano, de uma coleção do Rio Grande do Sul, o automóvel mantém uma característica especial: não passou por restauração e conserva 41 mil milhas originais.

A opção por manter o veículo nas condições originais revela o cuidado de Pablo com a trajetória do automóvel. O interesse por carros começou ainda na infância e, atualmente, é compartilhado com os filhos Joaquim e Bernardo, de 16 e 23 anos, que também gostam de antigomobilismo.

— O que fica depois de tantos anos de dedicação é o aprendizado e as amizades que conquistamos. Preservar um automóvel antigo é preservar a história automobilística mundial — afirma.

Soldatelli, que participará pela primeira vez como expositor, espera proporcionar essa mesma experiência aos curiosos e visitantes.

— É uma ótima oportunidade de encontrar amigos e pessoas que, mesmo não compartilhando dessa paixão, certamente se permitirão vivenciar uma experiência única — convida.

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