Encontrar e manter profissionais qualificados é um desafio para a maioria das empresas. Para o reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Asdrubal Falavigna, o mercado exige mais do que oferecer um salário competitivo. Reconhecimento, oportunidades de crescimento, qualidade das relações de trabalho e identificação com a organização também pesam na decisão de ficar ou procurar outro emprego.
— A empresa tem que se adaptar à pessoa — destacou o reitor durante reunião-almoço do Centro Empresarial de Flores da Cunha, nesta sexta-feira (6), no restaurante Dolce Itália, da Escola de Gastronomia da UCS.
Para Falavigna, as organizações precisam rever a maneira como lidam com seus profissionais. Mais do que oferecer uma contraproposta salarial no momento que alguém anuncia que pretende sair, as empresas precisam construir, no cotidiano, motivos para que as pessoas queiram permanecer.
— Ninguém segura ninguém. As pessoas que decidem o que querem fazer — apontou.
Na avaliação do reitor, um dos principais erros de gestão é concentrar a atenção no comportamento individual do trabalhador, sem avaliar os processos internos, as condições de trabalho e as relações estabelecidas com as equipes. Ele também alertou que a permanência de um funcionário não significa necessariamente satisfação ou comprometimento: muitas vezes, a pessoa continua no emprego apenas porque ainda não encontrou outra oportunidade.
Falavigna citou um levantamento segundo o qual 36% dos trabalhadores com carteira assinada trocaram de emprego por vontade própria em um período de 12 meses. Para ele, problemas de relacionamento, pouca flexibilidade e ausência de perspectivas profissionais estão entre os fatores que ajudam a explicar a rotatividade elevada.
— Não precisamos gostar de todo mundo que trabalha junto, mas temos que gostar da instituição em que trabalhamos e ter convergência de propósitos e objetivos — observou, destacando a necessidade de preparar gestores para uma liderança mais humanizada e com capacidade de comunicação.
Formação conectada às empresas
Nesse cenário, Falavigna defende que a aproximação entre universidades e empresas ganha importância.
— Se a universidade se afastar das empresas, ela pode não estar formando a pessoa mais adequada para o mercado de trabalho — afirmou.
Para o reitor, as instituições de ensino precisam compreender as necessidades do setor produtivo, enquanto as empresas devem participar da construção de oportunidades de qualificação.
Falavigna apresentou iniciativas da UCS nessa direção. Cerca de 40 empresas mantêm atividades com a universidade em áreas como pesquisa, inovação e desenvolvimento. A instituição também oferece capacitações, treinamentos, apoio ao desenvolvimento de produtos e formação de profissionais indicados pelas organizações.
O reitor ainda informou que a UCS destinou R$ 48 milhões, em 2026, a bolsas, financiamentos e incentivos para estudantes de graduação. Aproximadamente um terço dos alunos conta com alguma modalidade de auxílio.
Ao encerrar, Falavigna defendeu que a formação e a permanência de talentos são responsabilidades compartilhadas entre universidades, empresas e comunidade.
— O grande valor maior de qualquer empresa, assim como dentro da universidade, são as pessoas — afirmou, ao destacar que o desenvolvimento regional depende da capacidade de criar oportunidades e condições para que os profissionais construam suas trajetórias na própria região.

