Home Destaque “Ela já tinha esse espírito generoso”, conta irmã de paduense que dá nome a torre de hospital de R$ 110 milhões

“Ela já tinha esse espírito generoso”, conta irmã de paduense que dá nome a torre de hospital de R$ 110 milhões

Therezinha Munaro dedicou mais de quatro décadas ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra (SC), e foi escolhida para batizar a nova estrutura
A dedicação aos pacientes era reconhecida por colegas e familiares ao longo de sua trajetória (Foto: Divulgação)

Uma profissional sem cargo de direção e que nunca buscou reconhecimento dá nome a uma torre de R$ 110 milhões. A técnica de enfermagem paduense Therezinha Munaro foi homenageada e batiza a nova estrutura do Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra (SC).

Esta história começou na década de 1970, quando Therezinha tinha 32 anos e deixou o Travessão Bonito, em Nova Pádua, para acompanhar a prima, Irmã Cândida Munaro, que havia assumido a direção do hospital catarinense. A intenção era passar apenas um período na cidade. O tempo, no entanto, tomou outro rumo: foram mais de quatro décadas dedicadas ao hospital.

A paduense fez do local seu lugar de trabalho e também de morada. Passou boa parte da vida cuidando de pacientes e trabalhando nos diferentes espaços da instituição. Por anos, dormiu em um quarto no fim de um dos corredores e usou um banheiro coletivo.

A rotina foi sendo construída sem privilégios e próxima de quem precisava de atendimento. Na memória da família, o cuidado aparecia até nas tarefas mais simples.

— Ela era toda cuidadosa. No serviço, na limpeza, na comida, para fazer as tarefas. Ela ia com calma, paciência, elaborando. E, ao mesmo tempo, era uma pessoa bastante brincalhona. Gostava de ver as pessoas sorrindo — lembra a irmã Alice Munaro.

No Travessão Bonito, onde cresceu, Therezinha já era procurada por vizinhos que precisavam de ajuda. Fazia curativos, cuidava de ferimentos e auxiliava quem precisava.

— Ela estudou em um convento, então vinha para casa e trazia novidades sobre cuidados com ferimentos e curativos e passava isso para as pessoas. Ela já tinha esse espírito generoso — conta a irmã.

Em Mafra, esse conhecimento encontrou o hospital. Therezinha começou trabalhando na limpeza e ajudando a servir as refeições dos pacientes. Depois, passou a atuar como auxiliar de enfermagem e se formou técnica. Foi no pronto atendimento que concentrou boa parte da carreira.

— Ela tinha uma dedicação extrema com a questão sanitária, para que não houvesse contaminação. Fazia os curativos para os pacientes como aquela mãe dedicada que faz o curativo no seu filho. Era uma pessoa de dedicação extrema — relembra o irmão Bento Munaro.

A reputação foi construída no dia a dia. Quando um paciente chegava em estado grave, Therezinha não ficava esperando que alguém dissesse o que deveria ser feito.

— Ela não esperava o médico chegar para tentar reduzir uma hemorragia ou fazer o que pudesse para salvar. Ela já agilizava o trabalho, a limpeza e os ferimentos — lembra o irmão Bento.

“Um nome que ninguém contestou”

O cuidado que Therezinha Munaro tinha com as pessoas ultrapassava os limites do São Vicente de Paulo.

— Quando alguém não conseguia mais ir ao hospital ou não conseguia fazer em casa, ela ia até a casa do paciente fazer o curativo. Era algo natural para ela — detalha o sobrinho Fernando Munaro.

A mesma mulher que nunca procurou privilégios acabou recebendo tratamento diferenciado por causa da reputação que construiu. A nova Torre Therezinha Munaro foi inaugurada no final de junho para ser referência em atendimento.
A estrutura de 11 andares e 15 mil metros quadrados foi construída com um investimento de R$ 110 milhões. A nova torre acrescenta mais 140 leitos ao Hospital São Vicente de Paulo, incluindo 20 de UTI adulto, além de 12 salas cirúrgicas para procedimentos com cirurgia robótica.

A torre foi projetada para ampliar o atendimento aos 39 municípios da região catarinense, sendo referência para 971 mil pessoas. E o nome é de uma paduense que virou símbolo de dedicação e humanização na enfermagem regional.
Para a família, a escolha surpreendeu. Não apenas porque Therezinha nunca ocupou um cargo de direção ou uma posição administrativa no hospital, mas porque a homenagem veio de onde ela passou a maior parte da vida: do cuidado aos pacientes.

Aos 87 anos, Therezinha estava fisicamente bem. Na manhã de 15 de maio, levantou para tomar café e morreu de infarto. Quarenta e cinco dias depois, o hospital inaugurou a torre que leva seu nome.

— Quando sugeriram o nome dela no conselho, não teve uma restrição ou objeção. Todo mundo aplaudiu. Foi unânime — orgulha-se o sobrinho Fernando Munaro.

— São coisas que devem ter uma explicação do universo. Ela tinha 87 anos, estava bem fisicamente, levantou de manhã e morreu de infarto quando ia tomar café. E, 45 dias depois, o hospital inaugurou uma torre com o nome dela. É uma coincidência que marca — complementa.

Therezinha não teve tempo de conhecer a nova torre. Mas, passou mais de quatro décadas dentro do hospital que decidiu homenageá-la. O reconhecimento resume a maneira como ela viveu.

— Ela era extremamente humana, preocupada com o próximo, com o bem de todos. Muito consciente, muito religiosa, de muita fé e preocupada com as pessoas em geral. Uma pessoa muito ímpar — resume a família.

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