Uma escola de Mato Perso acaba de colocar Flores da Cunha entre os destaques da educação pública do Rio Grande do Sul. Com nota 8,6 nos Anos Iniciais do Ideb 2025, a Escola Municipal Antônio de Souza Neto teve um dos cinco melhores resultados do Estado. É a maior nota de uma escola do município nas duas últimas edições do índice, superando todos os resultados de 2023 e 2025.
O desempenho foi obtido pelos 18 estudantes que formavam o 5º ano em 2025, na avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Mais do que uma posição em um ranking, o resultado coloca a pequena escola de Mato Perso entre as referências estaduais nos primeiros anos do Ensino Fundamental.
A conquista chega, porém, em um momento em que a instituição enfrenta uma situação completamente diferente. Duas semanas atrás, o prédio da escola foi severamente atingido pelo temporal que espalhou estragos na comunidade do quarto distrito. As aulas estão sendo realizadas de forma remota enquanto é planejada a recuperação da sede da escola.
Para a diretora Claudete Gaio Conte, a coincidência entre os dois acontecimentos tornou a notícia ainda mais significativa.
— Veio em mais que boa hora, para acalentar um pouco o coração da escola. É fruto de um trabalho coletivo e do nosso amor pela educação. Com esse destaque, nos sentimos reconhecidos pelo trabalho realizado — afirma.

Uma nota que não nasceu na véspera da prova
A equipe escolar não atribui os 8,6 a uma preparação específica para o Ideb. O resultado, segundo os professores, é consequência de uma rotina construída ao longo do ano e de práticas que fazem parte do cotidiano dos estudantes.
Um dos exemplos é o Projeto de Leitura, que reserva 15 minutos diários, no início de cada turno, para a leitura em todas as turmas. Outro destaque são as iniciativas voltadas à aproximação com as famílias e ao fortalecimento do vínculo dos estudantes com a comunidade, como o “+ Família – Celular” e o “Conhecendo e Preservando Nossas Raízes”.
— Os projetos fazem toda a diferença na vida escolar. A escola sempre participa das atividades organizadas pela comunidade e, da mesma forma, a comunidade participa das atividades da escola — destaca a diretora Claudete.
A coordenadora pedagógica e vice-diretora, Fabiana Giacomin Cecatto, explica que a escola acompanha de perto a evolução dos estudantes por meio de avaliações e verificações periódicas.
— A gente analisa quais estratégias podem ser utilizadas para melhorar a aprendizagem. O resultado é fruto desse comprometimento.
A secretária de Educação, Neide de Godoy, destaca a participação das famílias.
— É a nossa menor escola, mas talvez nas atividades seja uma das escolas que mais pessoas se envolvem — enaltece a secretária.
Os 18 estudantes por trás dos 8,6
A professora Gabriela Dal’ Zotto, 28 anos, acompanhou a turma que realizou a avaliação. Ela lembra dos 18 estudantes como uma turma curiosa, participativa e com vontade de aprender.
— Era aquela turma que todo professor gosta de ter e que deixa saudades. As famílias também são muito participativas e presentes na escola, o que fez muita diferença durante o ano — recorda.
A rotina incluía atividades de leitura, jogos, simulados e outras propostas de aprendizagem. Mas, para os próprios estudantes, havia outro elemento importante: a união da turma.
Laura Dalla Rosa, 11 anos, hoje no 6º ano, resume a relação entre os colegas em uma frase:
— O que mais gosto da minha turma é que a gente é muito unido. A gente se ajuda — afirma.
Caio Gaio Conte, 12 anos, também estudante do 6º ano, lembra da ansiedade durante a realização da prova e do esforço feito junto aos colegas.
— Eu me esforcei bastante para conseguir essa média junto com meus colegas e os professores também. Eu gosto bastante dos ensinamentos, das professoras. E eu gosto bastante que a nossa turma é uma das mais espertas da escola — conta.

Um resultado que chegou na hora certa
Para as famílias, o significado da nota 8,6 também ultrapassa o resultado de uma avaliação. Marlei Ferronato, mãe de Laura, soube da conquista por uma mensagem enviada pela diretora no grupo de WhatsApp.
— Depois de tudo o que aconteceu aqui na escola, isso traz para nós um alívio, uma alegria para toda a comunidade escolar. É um orgulho muito grande por eles — afirma.
Sandra Czarnobaj Isoton, mãe de outros dois estudantes, também destaca a proximidade entre famílias e professores.
— É uma escola muito unida, os professores são bem dedicados e as famílias também participam com seus filhos. Isso faz toda a diferença — resume, orgulhosa.
A nota, para Sandra, representa um estímulo para a comunidade reconstruir a escola e seguir em frente.
— Foi bem bom receber essa notícia. Espero que agora, com o passar do tempo, a escola se erga, que continue sendo uma escola como é, para eles aprenderem, irem para frente e levarem isso como um aprendizado — diz.
Enquanto Mato Perso trabalha para recuperar o espaço físico atingido pelo temporal, a escola tem outro número para celebrar: 8,6. É a marca de uma turma de 18 estudantes, mas também o melhor resultado obtido por uma escola de Flores da Cunha nas duas últimas edições do Ideb — uma conquista que, em meio à reconstrução, devolve à comunidade um motivo para olhar para frente.

Os sorrisos voltaram para a escola de Mato Perso (Foto: Nadine Dilkin)


