Uma trajetória que começou no estoque e ganhou as estradas. Aos 28 anos, Maurício Cavagnoli faz parte de uma nova geração de caminhoneiros que assume o volante com naturalidade. Diferente de histórias tradicionais marcadas por longas jornadas desde cedo na boleia, a dele foi construída passo a passo.
Funcionário da Florença Agro há nove anos, Cavagnoli iniciou organizando mercadorias e atendendo clientes. Com o tempo, passou a auxiliar nas entregas até assumir como motorista.
— Foi acontecendo naturalmente. O pessoal confiou em mim, fiz a carteira, os cursos e comecei — relembra.

A transição, há três anos, foi facilitada pelo conhecimento prévio do negócio. Conhecer os produtos e, principalmente, os clientes da região, fez com que a adaptação à nova rotina fosse mais tranquila.
— Acho que o maior desafio foi pegar a rotina e a responsabilidade de estar na estrada todos os dias — conta.
Cavagnoli reconhece a diferença entre gerações e aponta que quem está há mais tempo já “passou por muita coisa”. Entre os principais desafios, ele destaca as condições das estradas.
— Quando chove, na colônia tem lugar que fica bem complicado de chegar. Precisa ter ainda mais cuidado.
“Apostaram em mim e deu certo”
Nascido e criado no interior florense, o vínculo com o campo segue presente. Além de motorista, Cavagnoli também mantém as raízes na agricultura, ajudando a família nos parreirais. Essa conexão é, inclusive, uma das motivações para seguir na profissão.
— Gosto do que faço. Gosto de dirigir e também, por ter vindo da colônia, sei a importância que esses produtos têm — ressalta o caminhoneiro, que acredita que o futuro da profissão permanecerá estável mesmo diante dos avanços.
— A tecnologia pode mudar muita coisa, mas alguém sempre vai precisar fazer o transporte. Tem que gostar do que faz e ter responsabilidade — projeta.
Mais do que uma função, ser caminhoneiro carrega um significado pessoal. Pai de Matteo, 4, e Luísa, 1, Cavagnoli encontra nos filhos um combustível diário para seguir em frente.
— Fica ainda mais especial quando vejo meus filhos. Os dois gostam muito do caminhão, e o Matteo vive falando do caminhão vermelho do pai. Às vezes quando vou pra casa, eles ficam felizes e querem ver o caminhão. Isso deixa tudo ainda mais legal — conta.
O verdadeiro orgulho pela profissão não está apenas nos momentos de destaque, mas na satisfação de perceber, todos os dias, o valor do trabalho realizado.
— É ver a confiança que as pessoas têm no meu trabalho e perceber que a empresa apostou em mim e deu certo. Ver que a dedicação valeu a pena é o que dá mais orgulho.
O Dia do Colono e do Motorista ganha um significado ainda mais especial para Cavagnoli. A data representa a união das duas histórias que tanto significam para a sua trajetória.
— Representa muito da minha vida. Venho de família de agricultores e hoje também sou motorista, levando insumos para produtores da região. Eu comemoro as duas coisas juntas — exalta.

