O sentimento de falta de memória entre os jovens adultos, que contempla a faixa etária dos 20 aos 35 anos, se apresenta como um problema moderno cada vez mais recorrente. O assunto, que acende um alerta sobre a saúde mental na data em que se celebra o Dia Mundial do Cérebro, lembrado na última quarta-feira (22), já ganhou destaque em um artigo do renomado médico Drauzio Varella.
No texto, publicado em GZH em abril de 2026, o médico chama a atenção para o fato de que essa queixa de “falta de memória” tem se tornado comum em consultas médicas. Drauzio causa impacto ao definir que estamos vivendo uma “epidemia de Alzheimer juvenil”.

Médico neurocirurgião, professor universitário e reitor da UCS, Asdrubal Falavigna (Foto: Acervo pessoal/ Reprodução)
Esse cenário de queixas se repete em consultórios da Serra. O médico neurocirurgião, professor universitário e reitor da UCS, Asdrubal Falavigna, relata um aumento na dificuldade dos jovens em lembrar compromissos, manter o foco nas leituras, reter novas informações ou concluir tarefas.
— Tenho percebido queixas mais frequentes de esquecimentos, dificuldade de concentração, sensação de mente cansada e baixa produtividade cognitiva em adultos jovens. Na maioria das vezes, não se trata de uma demência, mas de alteração funcional da atenção, do sono, da ansiedade, do estresse e do estilo de vida — aponta.
Ponto de vista que é compartilhado pelo neurologista e neurocirurgião Rodrigo de Camargo Zan, que realiza atendimentos em Flores da Cunha e Caxias do Sul.
— É uma demanda que chega como queixa de memória. No entanto, no transcorrer da investigação e da anamnese (entrevista médica), a gente observa que não é exatamente um problema da memória ou uma doença da memória, ele vem envolvido em uma desatenção, falta de foco e de concentração — revela.
“Epidemia de falta de atenção”
Esquecer onde deixou as chaves, o guarda-chuva ou não conseguir encontrar o celular são relatos comuns do dia a dia. O neurologista Rodrigo de Camargo Zan, contudo, observa que, em sua maioria, estas queixas de falta de memória em adultos jovens costumam estar atreladas a desatenção.

O neurologista e neurocirurgião Rodrigo de Camargo Zan realiza atendimentos em Flores da Cunha e Caxias do Sul (Foto: Karine Bergozza)
O médico explica que, ao fazer várias coisas ao mesmo tempo, as pessoas acabam não conseguindo focar em nenhuma e as atividades se tornam muito “superficiais”.
– O esquecimento é normal quando tu tens 20 coisas para fazer em um dia e tens que estar lembrando todas elas. Se tu esqueceres uma delas, é normal, não é uma doença da memória. É um excesso de atividades que tu enumerastes durante aquele dia para fazer. Não é o teu cérebro que está com problema, é a tua rotina diária que está excessiva — alerta o neurologista.
Ao definir o cenário como uma “epidemia da falta de atenção”, Zan também aborda o papel da tecnologia. Ao ajudar nos processos diários, a modernidade também tem “a capacidade de nos tirar a atenção em muitos momentos da vida” — características que acabam por prejudicar as relações interpessoais.
Opinião compartilhada pelo médico Asdrubal Falavigna.
— O uso excessivo de telas e notificações pode prejudicar a atenção, a concentração e a qualidade do sono, fatores que são essenciais para a formação das memórias — aponta.
Quando procurar ajuda
Falavigna sinaliza que tanto a ansiedade quanto a depressão podem comprometer a atenção, a velocidade de processamento e a capacidade de retenção de informações. Nesse ponto, Zan traz à tona questões como “maior busca por afirmação social e financeira” como responsáveis pela ansiedade em adultos jovens.
O neurologista afirma que o momento em que as pessoas devem procurar investigar a falta de memória é quando essa condição inibir ou prejudicar o desempenho educacional ou profissional.
— Para elucidar um quadro de esquecimento, tanto em jovem, adulto jovem ou idoso, temos que fazer sempre a mesma rotina de investigação. Primeiro realizamos exames básicos para detecção de patologias de base: anamnese, exame físico e exames laboratoriais. Em uma segunda etapa, são os exames de imagem.
Falavigna reforça que ajuda deve ser procurada quando os esquecimentos forem persistentes, progressivos ou estiverem acompanhados de alterações comportamentais.
— A memória depende da interação entre o cérebro, o sono, a atenção, as emoções e o estilo de vida. Muitas queixas em jovens são potencialmente reversíveis quando adotamos hábitos saudáveis — enfatiza o reitor da UCS.
Dicas para ter uma boa memória
- Dormir bem.
- Praticar atividades físicas regularmente.
- Ter uma alimentação equilibrada.
- Estimular o cérebro com leitura e aprendizado contínuo.
- Cultivar relacionamentos sociais.
- Reduzir o uso excessivo de telas.
- Controlar a ansiedade e a depressão.

