A vereadora licenciada Silvana De Carli (PP) assumiu nesta quarta-feira (1º) a Secretaria de Desenvolvimento Social de Flores da Cunha. Diante do seu primeiro desafio no Executivo, ela afirma que a prioridade da sua gestão será avançar em políticas habitacionais, fortalecer o Centro de Convivência do Idoso e estruturar novas ações voltadas às mulheres vítimas de violência.
Única mulher eleita nas últimas duas eleições municipais em Flores da Cunha, Silvana detalhou sua decisão pela transição do Legislativo para o Executivo, os desafios da área social e a saída da única mulher do Parlamento florense. O ex-vereador Clodo Rigo, que fez 550 votos em 2024, assumirá a terceira cadeira do Progressistas no Legislativo.
O Florense: Como surgiu o convite para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social?
Silvana De Carli: O convite partiu do prefeito (César Ulian) em junho, quando já estava definida a saída do César Conz (ex-secretário de Administração e Governança). Eu já havia manifestado, em outras oportunidades, o desejo de ter uma experiência no Executivo. Sempre tive vontade de mostrar esse lado que tenho muito forte em mim, que é de executar.
Esse interesse em assumir uma Secretaria já era antigo?
Sim. Ainda no primeiro mandato da atual administração eu havia pedido uma oportunidade, inclusive quando houve a troca na Secretaria de Turismo. Depois, neste segundo mandato, reforcei que, se surgisse uma oportunidade, gostaria de ser considerada. Gostaria de ser testada.
Quando recebeu o convite, a decisão foi imediata?
Sim. Hoje eu tinha apenas a função de vereadora, e financeiramente isso também pesa. Além disso, a Secretaria (de Desenvolvimento Social) é uma área com a qual eu já tenho bastante proximidade pelas pautas que trabalho e conheço parte das demandas.
O prefeito fez algum pedido para sua gestão?
Eu perguntei o que ele esperava da minha atuação e as prioridades são retomar a pauta da habitação, que já possui algumas iniciativas em andamento, mas precisa avançar. Também dar mais visibilidade e movimento ao Centro de Convivência do Idoso, propondo novas atividades e inovações.
O que a comunidade pode esperar da sua gestão?
Muito engajamento e trabalho, que sempre foi a minha marca. A secretaria passou por momentos difíceis, principalmente em relação às coordenações, mas hoje está mais estabilizada. A ideia é dar continuidade ao que está funcionando e avançar em novos projetos.
A população costuma cobrar ações em relação às pessoas em situação de rua. Como pretende tratar esse tema?
É um assunto técnico e complexo. Não adianta simplesmente retirar alguém da rua se a pessoa continua em situação de vulnerabilidade. Grande parte dos casos envolve problemas relacionados ao alcoolismo, dependência química ou saúde mental. Precisamos respeitar as políticas públicas da assistência social e trabalhar soluções efetivas, e não apenas ações que gerem repercussão. Quero primeiro entender melhor toda a realidade do município junto com a equipe antes de me posicionar sobre possíveis medidas. É um tema que exige responsabilidade.
Nesta semana foi aprovada a criação da Diretoria Especial da Mulher. Como avalia essa mudança?
É uma oportunidade de desenvolver um trabalho mais específico. Essa função permitirá centralizar ações e facilitar o acesso a recursos destinados à área. No Legislativo, nossa atuação era muito voltada à conscientização. Agora teremos mais ferramentas e recursos para executar políticas públicas.
Qual será o primeiro passo nessa nova estrutura?
Precisamos identificar quem são essas mulheres, entender quais são suas necessidades e construir um diagnóstico. Só assim será possível desenvolver ações mais eficazes. Pode ser desde grupos de apoio até oficinas de fortalecimento da autonomia financeira e emocional das mulheres. Muitos casos são de reincidência, então é preciso entender por que essas mulheres retornam ao ciclo de violência.
A conscientização sobre violência contra a mulher evoluiu no município?
Sim. Hoje esse assunto é debatido inclusive nas escolas. Tenho participado de palestras e percebo que os alunos já chegam com informações sobre violência doméstica e abusos porque acompanham esses temas pela internet. Muitas vezes eles acabam compartilhando situações vividas dentro da própria família.
Como avalia o fato de a Câmara ficar sem representação feminina durante a sua licença?
Fico triste, porque perdemos uma opinião feminina dentro do Legislativo. Mas essa responsabilidade não pode ser apenas minha. Precisamos ampliar a participação das mulheres na política para que não exista apenas uma representante.
Você sentiu desgaste na reta final da atuação como vereadora?
O ano passado foi muito intenso por causa da presidência da Câmara. Depois que deixei a presidência, precisei me readaptar à rotina de vereadora. Talvez tenha diminuído um pouco o ritmo, mas continuei trabalhando nas pautas que sempre defendi. O esforço para uma mulher na política é maior, porque é preciso provar constantemente a capacidade de trabalho. Muitas das pautas que eu defendia avançaram, como as relacionadas ao autismo e aos idosos. Mas, eu ainda tinha novos projetos planejados, como uma atuação voltada às pessoas com fibromialgia.
Você pretende voltar à Câmara?
Sim. A intenção é retornar no último ano da legislatura para estar habilitada e à disposição do partido para o que ele decidir em relação às próximas eleições.

