Home Destaque “Um aluno é diferente do outro”, destaca professora responsável por ministrar oficinas de alfabetização na Escola Francisco Zilli

“Um aluno é diferente do outro”, destaca professora responsável por ministrar oficinas de alfabetização na Escola Francisco Zilli

As aulas de apoio são direcionadas a estudantes estrangeiros e àqueles que demonstram dificuldades na fala e na escrita da Língua Portuguesa
A professora Iviane Scremin Zanrosso revela que a dinâmica das aulas varia de acordo com o nível de entendimento de cada aluno (Foto: Karine Bergozza)

Assim como as escolas municipais Pedro Cecconello e Leonel de Moura Brizola, a Francisco Zilli, no distrito de Otávio Rocha, também oferece oficinas para estrangeiros desde março de 2026. Neste caso, porém, as atividades extras de alfabetização também incluem outros estudantes que demonstram dificuldades na fala e na escrita da Língua Portuguesa.

A coordenadora pedagógica Jordana Rasador explica que o reforço é oferecido para 27 alunos de 7 a 11 anos durante a manhã, no contraturno escolar deles, e são divididas por faixas etárias: nas segundas-feiras, o 4º e o 5º ano, e nas terças-feiras, alunos de 2º e 3º ano.

A escola do terceiro distrito, atualmente, conta com 22 estudantes argentinos. Destes 12 participam da oficina.

— A nossa escola tem uma demanda muito grande de entra e sai de alunos por conta da safra. Tem alunos que entram três vezes durante o ano! Isso ocorre porque os pais trabalham um tempo em um lugar, saem e vão para outro emprego — descreve a coordenadora.

Jordana considera as oficinas fundamentais para a “sociabilização dos alunos”, afinal muitos chegam na escola e ficam “totalmente deslocados”. Estar em uma turma menor, como a da oficina, possibilita um contato mais próximo com a professora e os colegas.

— É bem importante eles se inteirarem um pouco da cultura do Brasil e da cultura gaúcha. Claro que não podem esquecer da cultura deles, mas eles têm que entender que estão em um país diferente, com outro modo de viver, e que precisam aprender a língua para tentar se comunicar no dia a dia — opina.

A professora das séries iniciais Iviane Scremin Zanrosso é responsável por ministrar as oficinas de alfabetização na escola. Ela revela que a dinâmica é diferente para cada aluno:

— Eu vejo qual é a dificuldade, onde tenho que engajar mais, e vou adaptando as atividades. Um aluno é diferente do outro. Um vai aprender mais rápido, outro vai demorar um pouco mais. Não dá para querer que todos avancem ao mesmo tempo, isso não acontece — considera.

A docente define como “maravilhosa” a iniciativa das oficinas e defende que por meio dela consegue dar mais atenção aos alunos que necessitam.

— No início senti um pouco de medo, porque é tudo novo para mim também. Querendo ou não é uma outra língua que você vai ter que ensinar. Mas, ao mesmo tempo, é bem prazeroso chegar e ver que eles estão conseguindo, que eles estão se adaptando. É uma felicidade misturada com alguns medos.

“Foi uma salvação”

Yoselin Noelia Diaz (Foto: Karine Bergozza)

Uma das alunas que frequenta a oficina é Yoselin Noelia Diaz, 7. A pequena é filha de Eduarda Diaz, 27, e Ivan Kleber, 30. O casal argentino, que trabalha na colheita da uva e poda dos parreirais, mora em Otávio Rocha há um ano, tempo que Yoselin estuda na escola Francisco Zilli.

A mãe, Eduarda, enxerga com bons olhos as oficinas. Ela acredita que “com o tempo tudo se aprende, é só ter vontade”.

— Para nós foi uma salvação. Lá na Argentina ela não tinha essas aulas de apoio. Quando chegamos aqui ela estava bem perdida. Foi algo muito bom, foi maravilhoso — agradece Eduarda, orgulhosa da filha que também compartilha com os pais o que aprende na escola.

40 estudantes beneficiados

A necessidade de realizar oficinas para estudantes estrangeiros surgiu em 2022, após o período de pandemia, revela a secretária adjunta de Educação de Flores da Cunha, Graziele Dall Acua. Na ocasião, foi realizado um mapeamento dos estudantes estrangeiros matriculados na rede municipal e ofertado o apoio pedagógico de forma geral, buscando atender às diferentes necessidades de aprendizagem.

— Com o acompanhamento contínuo desses estudantes, observou-se que muitos ainda necessitavam de um trabalho mais específico voltado à alfabetização e ao desenvolvimento da língua portuguesa — contextualiza.

Diante dessa realidade, nos anos seguintes, algumas escolas e localidades passaram a oferecer oficinas direcionadas especialmente aos estudantes estrangeiros, com foco no fortalecimento da comunicação, da leitura e da escrita em Língua Portuguesa, sobretudo para os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental.

Graziele destaca que, atualmente, cerca de 40 estudantes da rede municipal são beneficiados com as oficinas e que o acompanhamento ocorre de acordo com as necessidades identificadas por cada unidade escolar.

— Em razão da maior concentração de estudantes estrangeiros, algumas escolas passaram a desenvolver oficinas específicas e direcionadas para esse público. Atualmente, essa ação ocorre, especialmente, nas escolas municipais Francisco Zilli, Leonel de Moura Brizola e Pedro Cecconello — conclui.

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