A quantidade de reformas e melhorias necessárias começa a preocupar a comunidade escolar da Escola Estadual de Ensino Médio São Rafael, em Flores da Cunha. São demandas represadas que começam a afetar a rotina dos 944 alunos matriculados. A situação envolve desde reformas de grande porte, como a recuperação da quadra esportiva e do auditório, até intervenções menores consideradas urgentes pela direção.
A diretora, Claudia Garibaldi Salvador, enfatiza que a escola está aguardando com atenção o início das obras, pois elas serão importantes para a segurança dos alunos. Ela salienta que os trâmites foram iniciados ainda em 2023. Em nota, a 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE) afirma que há orçamento em análise e outras demandas em avaliação técnica.
O problema ultrapassa os limites da escola e está tirando o sono do Círculo de Pais e Mestres (CPM), que, há um bom tempo, procura formas de ajudar a escola a resolver as questões estruturais.
— Para se ter uma ideia, desde 2023 estamos aguardando uma reforma prometida pelo Estado, mas infelizmente até agora não saiu do papel — desabafa o presidente do CPM, Sedimar Ulian, 40 anos.
“Não são mais problemas isolados”
A preocupação com o acúmulo de demandas e falta de respostas levou a direção da escola a enviar dois ofícios solicitando “atenção especial” e verbas para o deputado estadual Guilherme Pasin (PP). O assunto também foi abordado pelo ex-aluno e vereador Diego Tonet (PP), que visitou a escola na semana passada e cobrou urgência do Governo do Estado.
— Não são mais problemas isolados. É um conjunto de dificuldades que aos poucos vai comprometendo a estrutura da escola — declarou em tribuna na sessão ordinária de segunda-feira (6).
Um ponto que chama atenção é que algumas obras já foram aprovadas, contudo esbarram em detalhes burocráticos e são adiadas.
— O retorno que recebi (da 4a CRE) é que as obras estão previstas e existem trâmites burocráticos em andamento para ajuste de orçamento e contrato. É preciso reconhecer que há encaminhamento, mas, com sinceridade, digo que a escola São Rafael precisa de mais rapidez. Esta escola já esperou demais.
Obra aprovada não saiu do papel

O auditório é um dos espaços com problemas de infiltração (Foto: Escola São Rafael/ Divulgação)
O auditório da escola São Rafael — que tem capacidade para cerca de 200 pessoas — é um dos espaços com problemas de infiltração.
— O salãozinho (auditório) também é uma necessidade. O local é usado para eventos, reuniões e outras atividades, e também está com problemas no telhado, o que influenciou até a parte elétrica, fazendo com que o espaço não possa ser utilizado atualmente — detalha o presidente do CPM.
O local ainda abriga dois banheiros e uma sala que poderia ser destinada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), que atualmente atende 59 estudantes.
Os registros apresentados pela escola demonstram que a reforma deste espaço já foi aprovada, inclusive passando por vistoria técnica. Há, inclusive, a empresa SISAL definida para execução, com investimento estimado em mais de R$ 1 milhão.
Apesar dos encaminhamentos desde 2024, a obra nunca foi iniciada e a última resposta recebida pela direção, em 5 de março, é desanimadora:
— Do jeito que a empresa que ganhou a licitação está trabalhando, não temos como saber se eles irão fazer o seu colégio até o fim do contrato deles. Infelizmente — descreve o trecho citado no ofício.
“Garantir segurança”
Questionado sobre os ofícios recebidos, o deputado estadual Guilherme Pasin (PP) respondeu que acompanha de perto a situação da Escola São Rafael.
— Trata-se de uma demanda que envolve segurança e qualidade no ambiente escolar. As melhorias solicitadas são fundamentais para garantir mais segurança aos alunos e professores, melhores condições de aprendizado e um espaço adequado para atividades pedagógicas, esportivas e de convivência. Seguiremos pressionando e fiscalizando até que essas melhorias saiam do papel — declarou.
Falta de acessibilidade e estrutura básica preocupa
O presidente do CPM, Sedimar Ulian, explica que, dentre as melhorias solicitadas, o “foco principal é a quadra esportiva”. Ele reforça que a estrutura está apresentando vários problemas no telhado, o que gera infiltrações em dias de chuva e danificou boa parte do piso, além de exigir que algumas salas sejam inativadas, como a de informática.
Sem a devida manutenção solicitada, a situação do ginásio de esportes poderá se tornar crítica em breve, por colocar em risco a segurança dos alunos. Segundo a direção do São Rafael, o espaço apresenta problemas no piso, cobertura, banheiros, vestiários e arquibancadas.
Além das reformas maiores, a escola também busca recursos para melhorias estruturais voltadas à acessibilidade e ao funcionamento cotidiano. Entre os pedidos está a construção de um banheiro adaptado para pessoas com deficiência no primeiro andar, conforme a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Atualmente, o educandário conta com apenas um sanitário com acessibilidade, localizado no térreo, o que limita o atendimento adequado nos demais espaços da escola.
O projeto para este novo banheiro também prevê a criação de mais quatro sanitários masculinos. Hoje, o primeiro andar da escola conta com apenas dois vasos em um espaço pequeno e sem janelas — insuficiente para a demanda diante do crescimento da escola. Ao lado, o projeto também propõe a construção de um depósito para materiais de limpeza da escola.
Pequenas reformas são consideradas urgentes
Para o presidente do CPM, estas são as principais melhorias, mas há outros pontos que merecem atenção e ficam fora da possibilidade da gestão interna resolver sozinha, afinal “o peso é grande”, pois a escola atende uma grande quantidade de estudantes nos três turnos.
A direção também aponta a necessidade de intervenções menores, mas consideradas essenciais para a segurança e o funcionamento da escola. Entre elas estão:
- Substituição do piso de madeira deteriorado em uma sala de aula.
- Revestimento das escadas internas, que ainda possuem concreto bruto.]
- Adequação da casa de gás às normas de segurança.
- Instalação de reservatório de água para a cozinha, que hoje fica sem abastecimento em períodos de falta d’água.
- Elevação de paredes na quadra externa para evitar acúmulo de água e infiltrações nas salas do térreo.
Segundo a escola, embora sejam obras de menor porte, este conjunto de demandas têm impacto direto na rotina escolar e nas condições de ensino.
O que diz a 4ª CRE
Procurada pela reportagem, a 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE) se manifestou em nota, detalhando trâmites burocráticos e descartando risco de interdição:
“A 4ª CRE informa que estão previstos serviços de melhoria na Escola Estadual São Rafael, incluindo a recuperação do auditório e do ginásio, com intervenções nas instalações elétricas e sanitárias, telhado, adequações de segurança (PPCI), sistema de gás e recuperação de pisos em sala de aula.
A empresa responsável pelos trabalhos é a SISAL, que já realizou vistoria no local e o levantamento das necessidades. Neste momento, o orçamento apresentado está em análise pela Secretaria de Obras Públicas (SOP), etapa necessária para a liberação e início das obras.
Destacamos que este contrato é independente das intervenções realizadas na Escola Targa, não havendo relação entre os serviços.
As demais demandas da escola também estão sendo consideradas nesse processo de avaliação técnica, buscando atender, de forma responsável e planejada, as necessidades da comunidade escolar.
Por fim, reforçamos que, neste momento, não há risco de interdição do ginásio de esportes ou de outros espaços da escola.
A 4ª CRE segue acompanhando a situação e reafirma seu compromisso com a melhoria das condições de ensino e aprendizagem para estudantes e profissionais da educação”.

