“Morar aqui é um privilégio”. “Não sairia por dinheiro nenhum”. “É uma dádiva”. É assim que os moradores definem, em poucas palavras, o que significa viver em Nova Pádua, o Pequeno Paraíso Italiano. Neste 20 de março, o município completa 34 anos de emancipação, mas sua história começa muito antes disso.
Ainda no século XIX, famílias vindas do norte da Itália encontraram entre vales e morros um lugar onde seria possível recomeçar. Trouxeram pouco na bagagem, mas o suficiente para dar início a uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé e pela vida em comunidade. Antes mesmo de existir oficialmente, Nova Pádua já se formava na coragem de quem chegou e decidiu ficar.
Foi assim que as primeiras casas foram erguidas e a terra começou a ser trabalhada. Aos poucos, a produção agrícola garantiu sustento às famílias, enquanto as capelas se tornaram pontos de encontro e convivência. No dia a dia, a comunidade foi se formando e criando vínculos que permanecem até hoje.
Ao longo das décadas, o Pequeno Paraíso Italiano se desenvolveu sem perder características que marcam sua origem. A agricultura familiar seguiu como base, o cultivo da uva e a produção de vinho ganharam espaço, e a cultura italiana permanece presente no idioma (Talian se tornou língua cooficial em 2020), nas festas e na gastronomia.
A emancipação, conquistada em março de 1992, foi apenas o reconhecimento oficial de algo que já existia há muito tempo: uma identidade construída no dia a dia. Nova Pádua já era comunidade, já era própria, já era lar muito antes de se tornar município.
Razões para ficar
Hoje, ao celebrar seus 34 anos, o que se vê é a continuidade dessa história. Um lugar onde o tempo parece seguir outro ritmo, onde vizinhos se conhecem pelo nome, e a tranquilidade não é ausência de movimento, mas a presença de qualidade de vida.
Um município pequeno em tamanho, com população estimada em 2,3 mil habitantes, mas imenso no significado para quem escolheu ou teve a sorte de chamar este lugar de casa. Talvez seja justamente isso que explica as falas e o sentimento que abrem esta matéria.
Em Nova Pádua, viver não é apenas morar. É pertencer. É reconhecer, na paisagem e nas pessoas, um pedaço de si. É perceber que, entre vinhedos, capelas e histórias que atravessam gerações, existe algo que não se mede, apenas se sente.
Por que é bom viver no Pequeno Paraíso Italiano?
Um município é feito pelo seu povo. No caso de Nova Pádua, são mais de 2,3 mil habitantes que sempre se destacaram pelo orgulho de sua terra e por lutar pelo que acreditam.
Foi para ouvir estas pessoas que o jornal O Florense foi às ruas nesta semana e conversou com os moradores durante seu cotidiano. Nos 34 anos do Pequeno Paraíso Italiano, a pergunta foi simples: Por que é bom viver em Nova Pádua?
As respostas revelam o cotidiano, as escolhas e o vínculo de quem nasceu e decidiu fazer deste pequeno canto da Serra Gaúcha sua própria casa.
“Morar em Nova Pádua é desfrutar de uma qualidade de vida única. No Pequeno Paraíso Italiano, todos os dias somos contemplados com a beleza das paisagens, uma farta gastronomia e o sossego acolhedor do nosso interior. É um lugar onde a gente aprende a valorizar as pequenas coisas e viver com mais leveza. ”
Tatiane Salete Brunetto, 33 anos, funcionária pública.
Eu gosto de morar aqui porque aqui é o meu chão, aqui é a minha terra, onde nasci e me sinto muito bem. Nova Pádua é um lugar tranquilo, um lugar que eu amo de verdade. Eu tenho meus amigos, meus familiares e meus clientes quase todos daqui. Eu tenho o empreendimento a muito tempo graças aos meus clientes fiéis. Eu não trocaria Nova Pádua por nenhum outro lugar.”
Odila Bisinella Vezzaro, 72 anos, empreendedora.
É bom morar em Nova Pádua porque é um lugar extremamente calmo. Aqui nós temos muita oportunidade de explorar todas as nossas belezas naturais que temos à disposição. O nosso município é um lugar muito amigável. O que eu destaco é que aqui é um local onde existe muita solidariedade entre os habitantes. ”
Estevam Bernardi Marin, 15 anos, estudante.
Eu nasci aqui. Morava no interior, no travessão Accioli e agora estou morando no Centro. Não trocaria esse lugar por nenhum outro lugar do mundo. Eu estou acostumada aqui e com as pessoas que residem aqui. No centro tem um pouco mais de movimento, mas ainda assim é muito calmo. A gente tem o Posto de Saúde perto de casa e tudo o que precisamos para ter uma vida boa”.
Maria Teresa Zanella, 74 anos, aposentada

