Home Destaque Projeto “Talian na Prática” objetiva perpetuar a língua cooficial de Flores da Cunha

Projeto “Talian na Prática” objetiva perpetuar a língua cooficial de Flores da Cunha

Os encontros vão culminar na realização de um filó que marcará as atividades alusivas à semana do município, em maio
Incentivados por Camila Stuani Pauletti, família Manica está animada para colocar o Talian em prática (Foto: Karine Bergozza)

Fortalecer a identidade cultural local e incentivar a transmissão do patrimônio imaterial entre as gerações. Com este objetivo está sendo desenvolvido o projeto “Talian na Prática”.

Os encontros, que iniciaram nesta terça-feira (17) no auditório da Casa de Cultura Flávio Luis Ferrarini, tem a finalidade de praticar o talian, a língua cooficial de Flores da Cunha.

Camila Stuani Pauletti, representante da Subsecretaria de Cultura e membro do Grupo de Trabalho para a Salvaguarda da Língua Talian, revela que a ideia de desenvolver o projeto surgiu após a primeira ação, o diagnóstico, ter sido apresentado para o prefeito municipal, César Ulian:

— A ideia de fazer encontros de conversação veio do prefeito, porque ele sente que as pessoas entendem o talian e só precisam de um incentivo para começar a falar.

Esse pensamento foi ao encontro do que a etapa do diagnóstico mostrou, que a maioria das pessoas aprenderam o talian em casa, que elas entendiam tudo, mas não falavam.

— Sugerimos trazer essas pessoas que entendem tudo, mas não falam, para se soltar, porque eu tenho certeza que elas sabem falar. Só que elas não têm coragem, não conseguem formar frases — reforça a linha de frente do projeto.

Ao lado de Lorete Maria Calza Paludo, Luci Bertolini, Rita Garibaldi, Simone Vigolo Paviani, Nata Francisconi e Mateus Dettoni, Camila Stuani Pauletti é uma das líderes do “Talian na prática”. Também participam dos encontros, como convidados especiais, Ivo Gasparin, Fátima Caldart Galiotto e Ladir Brandalise.

– Nós vamos tentar desvincular o talian só com o passado, porque quando se fala de talian sempre se fala das coisas que se trabalhava antigamente, se puxa muitas coisas de antigamente. Vamos trazer as palavras do nosso dia a dia, para que as pessoas comecem a se identificar.

Nesse sentido e para atrair a atenção dos presentes, Camila revela que todo o encontro abordará uma temática diferente, onde a música será utilizada como “quebra-gelo” entre os participantes.

A líder da atividade também destaca que se sente “muito feliz” em fazer parte de mais esta ação de valorização do talian na Terra do Galo.

— Se hoje a gente vive a cucagna (fartura) que eles (imigrantes italianos) vieram procurar, o mínimo que a gente pode fazer é resgatar, preservar essa rica cultura que eles deixaram para nós. A gente não pode deixar morrer!

O “Talian na Prática” vai culminar na semana do município. No dia 14 de maio será realizado um filó alusivo à data, onde os 30 participantes do projeto realizarão uma atividade temática. Mais informações pelo Whatsapp da Subsecretaria de Cultura (54) 99936-1137.

De geração em geração

Uma das participantes do projeto é a auxiliar administrativo Angélica Manica, 35 anos. Ela almeja conseguir falar o talian e passar a tradição herdada para a filha, a pequena Eloísa, de 4 anos.

— Ficamos sabendo do curso porque vimos o post na internet e eu comentei em casa sobre a possibilidade de nós fazermos, para fazer alguma coisa diferente. Então, como eu entendo, mas não falo, me interessei. O pai e a mãe também gostaram da ideia e a gente fez a inscrição — conta.

A mãe, a doméstica Maria Salete Pozzer Manica, 58 anos, está animada com a ideia de aprender mais e confessa que já está tentando fazer com que a neta pronuncie algumas palavras do idioma.

— É bem engraçado. Ela já entende um pouquinho do talian e é muito inteligente. Ela ouve nós falarmos algumas coisas diferentes e acha graça, sai dando risada — compartilha Maria.

Maria mora em Flores da Cunha há quase quatro décadas e frisa que ela e o marido, o pedreiro Carlos Valdir Manica, 60 anos, tiveram o primeiro contato com o talian na cidade em que nasceram, em Tapejara, e ressaltam que é gratificante ver a filha falar a língua que aprenderam na infância:

— Como ela nasceu e se criou aqui em Flores da Cunha é muito bom fazer isso para continuar as origens, pelo menos na conversa, já que não se tem muita oportunidade (de utilizar a língua) no dia a dia. Este projeto é muito bom para ela e para nós também! — conclui Carlos.

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