Reclamações de frequentadores nas redes sociais levantaram dúvidas sobre a operação e cobranças aplicadas no Camping da Vindima Alberto Mattioni, em Flores da Cunha, após a reabertura sob gestão privada. Acostumada com o espaço público, a comunidade questiona alto valor para uso das casinhas reformadas, a exigência de taxa para quem consome bebida adquirida fora do local e a ausência de placas informativas sobre as novas normas. Também há críticas quanto à relação entre preço e estrutura oferecida.
Segundo Flávio Perazzolo, vencedor da licitação para concessão do camping, não há cobrança para entrada ou permanência nas áreas comuns do camping.
— Eu não estou fazendo nenhum tipo de cobrança indevida. O camping está em um processo de reconstrução junto à comunidade para entregar uma área de lazer com qualidade e segurança — afirma o administrador Flávio Perazzolo.
As tarifas, conforme a concessionária, incidem apenas sobre serviços específicos. O pernoite em camping custa R$ 40 por pessoa; para motorhome, o valor é de R$ 50, mais R$ 40 por ocupante. Crianças de 10 a 12 anos têm direito à meia-entrada. Há ainda locação de dois salões de eventos, com valores entre R$ 150 e R$ 450, e reserva de quiosques, entre R$ 100 e R$ 250, conforme disponibilidade.
Sobre os quiosques com cobrança diferenciada, a justificativa é a estrutura ampliada, com geladeira, kit para churrasco, gelo e carvão. O camping já conta com um pub e prevê a instalação futura de um minimercado.
“Entrada com bebidas proibida”
Um dos principais pontos de controvérsia envolve a entrada com bebidas. A concessionária afirma que a restrição passará a valer a partir de março e que ainda estão sendo definidos os detalhes operacionais. No entanto, há relatos de frequentadores que já teriam sido surpreendidos com a cobrança de taxa, inclusive sem aviso prévio visível na entrada ou nas áreas comuns.
Em uma das manifestações publicadas nas redes, um frequentador conta que, após levar bebida comprada fora do camping, teria sido informado de que deveria pagar uma taxa adicional por não consumir no estabelecimento. Segundo o comentário, o grupo já estava instalado no local quando foi abordado para efetuar o pagamento, sem que houvesse aviso prévio.
Outros comentários on-line apontam situações semelhantes, com questionamentos sobre a clareza das informações repassadas ao público.
— Por enquanto, a entrada de bebidas é permitida. A partir de março, não será mais, pois essa é nossa principal fonte de renda para manter o espaço funcionando. Ainda estamos em negociação com a Prefeitura — conta Perazzolo.
No contrato de concessão, está previsto que a entrada e a permanência no camping são gratuitas para a comunidade.
— A concessionária está legalmente autorizada a cobrar por serviços específicos. A Prefeitura exerce fiscalização permanente sobre a concessão e, se houver descumprimento contratual, as medidas administrativas podem ser adotadas — afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tiago Centenaro Mignoni.
“Deve ser previamente informado”
O Procon de Flores da Cunha reforça que, independentemente do modelo de gestão, toda cobrança deve ser informada de forma clara e prévia.
— O Código de Defesa do Consumidor assegura o direito à informação clara, adequada e ostensiva acerca de qualquer valor cobrado. Toda taxa ou encargo deve ser previamente informado — orienta o órgão.
Caso o frequentador identifique cobrança que considere indevida ou não previamente informada, a recomendação é buscar esclarecimento diretamente com o responsável pelo serviço.
— Cada situação deve ser analisada caso a caso. Muitas podem ser resolvidas de maneira imediata e consensual. Persistindo a dúvida ou discordância, é possível procurar o Procon para registrar reclamação formal, apresentando os documentos e informações disponíveis — informa.
