A morte da atriz e modelo francesa Brigitte Bardot, aos 91 anos, noticiada mundialmente em dezembro de 2025, encerra a trajetória de uma das figuras mais influentes do cinema europeu do século XX. Ícone que marcou as passarelas, o comportamento e a indústria contemporânea por mais de sete décadas, Bardot deixa um legado que segue presente em diferentes áreas.
Em Flores da Cunha, esse legado se manifesta no trabalho da designer fashion Andreia Sogari Molon, de 52 anos. A florense mantém um acervo artístico com mais de 20 obras dedicado exclusivamente à imagem e à história da atriz francesa, construído ao longo de décadas por meio de pesquisa, estudo e produções autorais.
A relação de Andreia com Bardot teve início ainda na infância, quando ela assistiu, sem conhecer a identidade da protagonista, ao filme “Vida Privada”, exibido na televisão. A experiência ficou registrada na memória da artista e deu origem a um interesse que amadureceu com o passar dos anos.
— Quando vi aquele filme na televisão em preto e branco, chuviscado e com imagens tremidas fiquei profundamente encantada, de um jeito que nunca mais esqueci. Na época, eu não sabia que era ela, só anos depois, conforme fui crescendo e conhecendo melhor o cinema, comecei a reconhecer seus traços. Então me veio a lembrança: meu Deus, é a Brigitte Bardot! — relembra.
“Ânsia de conhecimento”
Andreia passou a se dedicar à pintura de forma mais efetiva após a formação em Moda pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Com afinidade desde cedo com o desenho e as artes visuais, começou a produzir telas para uso pessoal em 2007, inspirada em grandes obras e artistas que admirava.
— A moda e a arte caminham juntas, não é? Sempre tive essa ânsia de conhecimento, essa necessidade de estar em contato com a arte. Ela é um ícone mundial, praticamente todos os grandes artistas a retrataram. Picasso, Andy Warhol e muitos outros a pintaram e a reinterpretaram, me inspirei nisso — destaca.
A identificação com Brigitte Bardot, de acordo com a designer, vai além da imagem cinematográfica. Ela destaca a postura da atriz ao abandonar a carreira no auge e se dedicar à causa animal através de sua fundação como um dos principais motivos de inspiração.
— Ela sempre teve um estilo próprio, nunca seguiu padrões. E quando decidiu sair de cena, fez isso de forma consciente. A fundação que ela criou para a proteção dos animais diz muito sobre quem ela era. Ela é minha inspiração, minha musa — afirma.
A partir dessa identificação, Andreia aprofundou o estudo sobre a trajetória de Brigitte Bardot, reunindo ao longo dos anos diversos materiais. A coleção inclui livros, biografias, discos, registros fotográficos e filmes da atriz.
— Na época não tinha internet, não tinha acesso fácil. O que aparecia era alguma revista antiga, alguma coisa que de vez em quando a gente encontrava. Depois vieram os outros conteúdos. Hoje, com a internet, é possível ter acesso a tudo, mas esse estudo começou muito antes — ressalta.
“Continua sendo referência”
As telas de Andreia retratam diferentes fases da atriz francesa, explorando tanto a Bardot do cinema quanto a mulher que decidiu se afastar dos holofotes para viver em Saint-Tropez (cidade costeira da Riviera Francesa).
— Eu tenho muito cuidado com esses quadros. Nunca vendi nenhum e sempre fui muito reservada em relação a esse trabalho. Ao mesmo tempo, sou muito eclética: transito por diferentes referências e interesses. Essa diversidade sempre me acompanhou, tanto na arte quanto na moda, e é o que me permite criar sem me limitar a um único caminho — reflete a artista.
A notícia do falecimento chegou a Andreia por meio do marido. Embora já acompanhasse o delicado estado de saúde da atriz, ela relata que a confirmação da morte representou o encerramento simbólico de um ciclo que a acompanhou ao longo de toda a vida.
— Eu já tinha conhecimento do estado de saúde dela. Quando recebi a notícia, entendi como o fechamento de uma trajetória muito intensa e significativa. Ela nunca copiou ninguém. O estilo, o cabelo, a forma de se vestir, tudo era dela. Por isso continua sendo referência, mesmo depois de tanto tempo e vai continuar sendo, com certeza. Meu sentimento agora é de serenidade — conclui.

