Não há polêmica sobre a implementação da zona azul em Flores da Cunha. O temor de adaptação de cultura não aparece nos debates. Em regra, a maioria da população vê a proposta como uma solução para a falta de vagas na área central. Essas manifestações positivas se repetiram na audiência pública na Câmara de Vereadores na terça-feira (3).
Cerca de 30 pessoas, incluindo representante da CDL, estiveram presentes. Coube ao secretário de Trânsito, Itamar Brusamarello, apresentar o projeto municipal, em uma explanação muito semelhante a feita na audiência pública promovida pelo Executivo no dia 1º de dezembro.
— No estudo técnico, vimos que há pessoas que estacionam todos os dias na mesma vaga. O mesmo carro sempre na mesma vaga. Ou seja, não existe rotatividade — destacou Brusamarello sobre a necessidade da mudança.
A implementação da cobrança da tarifa de R$ 3 foi projetado em três fases. Na primeira etapa, a zona azul abrangerá 383 vagas distribuídas em 10 quadras ao longo da Avenida 25 de Julho, Rua Borges de Medeiros e Rua Frei Eugênio. Caso necessário, a zona azul poderá ser expandida para 1.029 vagas.
— Toda ampliação ou redução das vagas será por decreto. Para ter agilidade. Mas, é preciso ponderar que o que define é um estudo técnico. Há sempre pessoas a favor e contra, mas a técnica nos permite decidir — apontou Brusamarello.
Esta questão dos estudos do comportamento do trânsito foi salientada diversas vezes pelo secretário ao longo da apresentação.
— Estaremos atentos a todas as nuances que possam surgir a partir da implantação. Faremos revisões internas mensais e observar o comportamento dos motoristas e a migração que pode ocorrer (dos estacionamentos).
Inclusive, foi questionada uma possibilidade de incremento do transporte coletivo.
— Hoje, o transporte coletivo não consegue se sustentar, é preciso o subsídio do município. Se mais pessoas utilizarem, o sistema se fortalecerá. Se surgir demanda, fazemos questão de ampliar. Mas, é preciso a demanda. Gostaríamos que as pessoas utilizassem mais o transporte coletivo — declarou Brusamarello.
Barros Cassal teme ocupação
Dois cidadãos utilizaram a tribuna do Legislativo. Décio Boff solicitou um olhar maior para a Barros Cassal, que não está prevista no perímetro da zona azul e ele teme que seja “tomada” por motoristas atrás de vagas gratuitas.
— A média ali é de 80 vagas e 40 delas já são de trabalhadores locais. Sou a favor da implantação do rotativo, mas vejo que o meu comércio é prejudicado porque os clientes não conseguem estacionar. Também os pais da escola São José seriam beneficiados se fosse implementado (o rotativo) na Barros Cassal — argumentou.
O temor do comerciante é que a Barros Cassal seja a primeira quadra que irá “congestionar” o estacionamento após a implementação da primeira fase da zona azul. O secretário Brusamarello respondeu que alguns pontos necessitam de conscientização dos motoristas, exemplificando que já uma área de embarque/desembarque para os pais da escola.
— Precisamos ter o termômetro da implantação da primeira fase do rotativo. Se precisar, e o estudo técnico é que nos dirá isso, não teremos problema nenhum em ampliar a zona azul para Barros Cassal. Precisamos dar o pontapé inicial para ver o comportamento das pessoas— afirmou.
Quando começará?
No cronograma municipal, o início da cobrança está previsto para abril de 2026. Contudo, a expectativa era que o Projeto de Lei fosse aprovado pelo Legislativo em fevereiro — o que não aconteceu. Apenas após passar pelo vereadores é que poderá ser aberta a licitação para escolha da empresa e assinatura do contrato.
Tempo máximo de três horas
Na sequência, o conselheiro tutelar Antônio Coloda questionou o tempo de permanência máximo (três horas) e o valor da tarifa (R$ 3 por hora). O secretário respondeu comparando com municípios próximos que tem valor igual ou maior.
— A tarifa deve garantir a operação do sistema, mas não pode onerar demais o cidadão e nem gerar lucro excessivo a concessionária. São vários critérios técnicos — ponderou.
Sobre o tempo máximo, Brusamarello reforça que a intenção é a rotatividade, e não a cobrança. Os estudos mostraram que há vagas no Centro com permanência de 10 horas pelo mesmo veículo.
— Se não tiver a rotatividade, (o sistema) não faz sentido. Não adianta dizer “tenho o dinheiro e vou pagar para ficar nove horas”. Aí, cai o conceito de rotatividade e democratização das vagas públicas. Outras pessoas também precisam utilizar aquela vaga.

