Três meses. Este é o tempo de espera para agendar uma consulta de rotina com a médica que se destaca como referência em pediatria em Flores da Cunha, Josianne Soustruznik Porto. Este cenário preocupa os pais florenses que, cada vez mais, têm procurado especialistas em Caxias do Sul.
É o caso da psicóloga Katiéllen De Carli, 37 anos, que leva sua filha, Alice De Carli Panizzon, de 2 anos, para consultar no município vizinho. Ela conta que a pequena era atendida pela pediatra Priscila Cecconello, que possuía consultório no Centro Médico, em Flores da Cunha, até o fim de 2025.
— A Priscila parou de atender (optou pelo plantão neonatal) e nós fomos para Caxias com outro pediatra. Acabou que aqui em Flores tem a Josi, que é a outra pediatra, mas ela não consegue suprir toda a demanda.
Esta mesma situação é vivenciada por filhas de amigas suas que moram em Flores da Cunha e Nova Pádua.
— Com certeza tem demanda em Flores para ter mais um pediatra, porque eu acho que a maioria dos pacientes da Priscila teriam seguido aqui. Mas é claro que depende muito de você se identificar com a pessoa, com o médico, porque tem isso também, principalmente quando se trata de crianças.
Justamente por essa razão, a psicóloga conta que foi complicado encontrar um novo pediatra que tivesse disponibilidade de horários, uma vez que muitos profissionais gostam de acompanhar o bebê desde a gestação da mãe, passando pelas consultas mensais até os dois anos.
— Além de médico, ele tem que ser legal, tu tens que gostar, tu tens que te sentir acolhido por ele.
Nesse sentido, Katiéllen conta que a escolha pelo nome de Alexandre Pretto, entre os demais sugeridos pela Unimed, se deu por meio de uma indicação.
A psicóloga também destaca que ter o número de WhatsApp do pediatra proporciona mais segurança aos pais, especialmente os de primeira viagem, como ela.
— Temos o WhatsApp pessoal dele, não precisei contatar, graças a Deus, mas ele me passou o contato.
“Se perde um turno inteiro”
Katiéllen conta que era “muito mais prático” quando as consultas eram realizadas no município florense:
— Acordava ela (Alice), só trocava e ia para a consulta. Agora não, é uma manhã inteira ou uma tarde que tu vais para Caxias. São 40 minutos para ir, 40 para voltar, mais o tempo de consulta, atraso, então quando tu for ver é meia tarde ou mais.
A psicóloga admite que a logística para ir ao município vizinho acaba sendo mais complicada, mas, ao mesmo tempo, fica feliz por ela e seu marido, Johny Panizzon, 39 anos, terem flexibilidade para poder sair do trabalho.
— A gente consegue ir para Caxias, mas, pensa alguém que tem que trabalhar no horário comercial, que bate ponto, aí fica muito mais complicado, porque se perde um turno inteiro, com certeza.

