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Programa de incentivos atrai interesse de 12 startups para Flores da Cunha

“Terroir das Startups” oferece desconto tributário e aposta em ambiente de inovação e integração
(Foto: Klisman Oliveira)

Desde o fim de 2025, Flores da Cunha busca atrair startups de diferentes setores, interessadas em oportunidades de mercado e na integração com empresas da cidade. O projeto “Terroir das Startups”, do Governo Municipal, oferece desconto na tributação para transformar o município em um polo de inovação.

Cinco meses após a aprovação do regime especial, 12 negócios estão em processo de migração ou já instalaram seus CNPJs na cidade, vindas de sete municípios, incluindo de Santa Catarina e São Paulo. Mais do que incentivos fiscais, o que chama atenção dessas startups é o ecossistema que se forma: parcerias com indústrias, eventos de tecnologia e programas educativos começam a compor um ambiente de inovação aberto, que procura aproximar tradição e modernidade na economia.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Cultura e Inovação, Tiago Mignoni, coordena as iniciativas que tentam transformar o município em um ambiente de inovação aberta.

— O “Terroir de Startups”, começou a ganhar corpo no final de outubro. Já conversamos com mais de 20 startups interessadas em entender o que é o projeto e quais oportunidades Flores da Cunha oferece. Hoje, 12 empresas estão em processo de migração ou já transferiram seus CNPJs para cá — explica.

O movimento tem caráter estratégico, o município busca atrair empresas e integrá-las à economia e ao mercado da região, aproveitando o potencial industrial e comercial.

— Essas 12 empresas atuam em ramos bastante distintos. Pela nossa análise, são oito atividades econômicas diferentes com possibilidade de se estabelecerem nos próximos meses em Flores da Cunha. Elas vêm de sete municípios, inclusive de fora do estado, como Santa Catarina e São Paulo, e todas já estão em operação em suas sedes atuais — detalha Mignoni.

A chegada de startups a Flores da Cunha, além de ampliar a diversidade econômica, começa a mostrar efeitos no cotidiano de empresas e empresários. Entre esses negócios que escolheram o município, o Chappa se destaca por oferecer soluções logísticas digitais que combinam tecnologia e gestão operacional.

À frente da empresa, Fábio Costa detalha como a plataforma opera no dia a dia.

— O setor logístico é extremamente sensível a tempo e custo, e um dos maiores desafios está na falta de previsibilidade e controle sobre a operação. O Chappa atua não apenas na conexão de profissionais, mas na gestão completa dessa operação. Através da plataforma, a empresa consegue solicitar mão de obra em poucos minutos, acompanhar a execução em tempo real e ter controle sobre todo o fluxo financeiro envolvido — explica.

A criação de um modelo específico de tributação entra como um dos pontos de mudança para o tipo de negócio do Chappa.

— A legislação de Flores corrige um desalinhamento importante quando reconhece o modelo das startups de intermediação, permitindo que a tributação incida sobre a receita real da empresa, e não sobre o valor total das operações. Isso torna o modelo mais justo e também alinhado com a realidade no nosso negócio — avalia.

Eficiência financeira

Os efeitos aparecem na forma como as empresas estruturam crescimento e investimento.

— O impacto é direto na competitividade. Reduz distorções fiscais, melhora a eficiência financeira e cria espaço para reinvestimento em pessoas, tecnologia e expansão. Com isso, conseguimos ampliar nossa operação e gerar mais oportunidades para os profissionais que estão na ponta.

Outro ponto destacado pelo CEO é a localização de Flores da Cunha em um dos principais polos industriais gaúchos.

— A proximidade com um polo industrial como a Serra é extremamente estratégica, porque nos conecta diretamente com as empresas que vivem na prática os desafios logísticos que resolvemos — observa.

A presença regional amplia a escala das operações.

— Nós já temos conexões concretas com muitas empresas da região. Hoje o Chappa conta com aproximadamente 50 mil profissionais cadastrados na plataforma e, na Serra, incluindo Flores da Cunha, mantém atuação constante. Isso se traduz em um volume grande de serviços realizados, atendendo indústrias e transportadoras e nos permitindo atuar nos desafios reais dessas empresas — detalha.

Segundo Costa, a experiência acumulada na Serra passou a influenciar a atuação em outros mercados.

— Essa proximidade fortalece nossa operação, porque conseguimos evoluir a plataforma com base na prática do dia a dia. Ao mesmo tempo, levamos essa experiência construída na região para nossa atuação em nível nacional.

Para ele, regras claras são um fator estrutural para o crescimento do negócio.

— Segurança jurídica não é só proteção, é condição para escalar. Com regras claras, conseguimos planejar melhor, crescer com mais consistência e ampliar a geração de valor tanto para os clientes quanto para os profissionais — conclui Costa.

“A educação exige organização financeira”

A diversificação das áreas de atuação das startups que chegam a Flores da Cunha também alcança o setor educacional, ampliando o impacto do ambiente de inovação para além da indústria e da logística. Soluções voltadas à gestão escolar começam a ganhar espaço ao integrar tecnologia ao cotidiano das instituições de ensino. À frente do aplicativo Minha Escola, utilizado por escolas de florenses, o CEO Vinicius Nunes acompanha esse movimento:

— Para nós, é motivo de muita satisfação contribuir com o município na otimização dos processos administrativos das escolas, na redução do consumo de papel e no fortalecimento da conexão entre famílias e comunidade escolar por meio da tecnologia. Esse movimento torna a gestão mais eficiente, moderna e integrada — afirma.

A gestão financeira das instituições passa a exigir mais organização no dia a dia escolar.

— Ao longo da nossa trajetória, fomos percebendo que, embora a essência da escola esteja no pedagógico, a educação também exige organização financeira, previsibilidade e fluxo de caixa para se sustentar e crescer. Foi a partir dessa leitura da realidade das instituições que entendemos que não fazia sentido tratar comunicação e gestão financeira de forma separada.

— Ao integrar essas frentes, conseguimos apoiar as escolas na redução da inadimplência, no ganho de eficiência administrativa e na geração de mais previsibilidade, permitindo que direcionem sua energia ao que realmente importa: o desenvolvimento dos alunos. Do financeiro, a gente cuida para que a escola possa cuidar da educação — explica.

Gestão integrada

O desenvolvimento da plataforma parte da rotina das instituições e das demandas enfrentadas por quem está dentro das escolas.

— Desde o início, buscamos compreender a rotina das escolas e os desafios enfrentados por gestores, professores e equipes administrativas. A partir dessa escuta, desenvolvemos uma plataforma intuitiva, simples de usar e alinhada à realidade das instituições de ensino, sempre acompanhada de um suporte próximo e de um atendimento humanizado — ressalta.

A decisão de operar no município também passou pelas condições oferecidas para o desenvolvimento das empresas.

— Tanto o incentivo tributário quanto a proximidade com um ecossistema educacional e institucional são fatores determinantes e Flores consegue oferecer essa combinação de forma muito positiva. Hoje, contar com essa segurança fiscal e com apoio ao desenvolvimento de startups é, também, uma forma concreta de enxergar e construir o futuro — finaliza Nunes.

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