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Outubro Rosa: O apoio da família e a prevenção fizeram a diferença na história de Lizandra

Após receber o diagnóstico de câncer de mama, moradora de Flores da Cunha enfrentou cirurgia e quimioterapia com o apoio dos familiares e da Liga Feminina de Combate ao Câncer
Lizandra Venz Galiotto transformou o medo do diagnóstico em força para recomeçar (Foto: Nadine Dilkin)

A notícia chegou em um momento em que a florense, Lizandra Venz Galiotto, 49 anos, estava com as malas prontas para passar alguns dias na praia com a família. No dia 26 de dezembro de 2024, ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama. O que deveria ser um período de descanso se transformou em um momento de medo e incerteza. Ainda assim, decidiu guardar a notícia por alguns dias para não preocupar a filha, Monique, que já estava viajando.

— Eu pensei: “Meu Deus, agora eu vou morrer.” Porque, quando tu recebe essa notícia, tu não sabe que tipo de câncer, não sabe como teu organismo vai reagir e se tu tem força suficiente para conseguir dar a volta. Foi um baque enorme — recorda.

A descoberta, porém, veio após anos de acompanhamento médico. Lizandra realizava exames anualmente e, em janeiro de 2024, os resultados estavam normais. Em outubro, ao fazer o autoexame, percebeu um leve inchaço na mama e procurou atendimento médico. A mamografia, realizada em novembro, apontou uma alteração, que levou à solicitação de uma biópsia. O resultado confirmou o câncer de mama.

Em janeiro do ano seguinte, ela deu início aos exames e à preparação para a cirurgia, que ocorreu em fevereiro, seguida pelas quimioterapias. O tratamento ocorreu até março de 2026. Atualmente, Lizandra está curada e segue com consultas periódicas para acompanhamento médico.

Uma rede de apoio

Durante o processo, o apoio do marido, Luisinho, e da filha foi fundamental. Nos primeiros dias após a cirurgia, Monique chegou a dormir com a mãe para ajudá-la com os medicamentos. A presença da família trouxe segurança nos momentos mais difíceis.
— Se eles não estivessem comigo, eu não ia conseguir. A família é fundamental nessa hora — afirma.

Acostumada a uma rotina ativa, com caminhadas, corridas e atividades na chácara, Lizandra também precisou aprender a respeitar os limites do próprio corpo. Ficar em repouso e não poder se movimentar como antes foi uma das maiores dificuldades.
— Foi bem difícil para mim, porque eu não conseguia ficar parada. Foi difícil ter que ficar aqui, assim, sem poder me mexer por causa da cirurgia — conta.

Outro apoio importante veio da Liga Feminina de Combate ao Câncer, que a auxiliou com medicamentos, uma peruca após a queda dos cabelos e suplementos alimentares, necessários porque as sessões de quimioterapia dificultavam a alimentação.

— A Liga me abraçou, me apoiou. Ela me ajudou um monte, com remédio, apoio, carinho. Aquilo fez muita diferença para mim — relembra.

“Aproveitar a vida”

A experiência também mudou a maneira como Lizandra enxerga o cotidiano. Hoje, ela procura dar menos importância às pequenas preocupações e aproveitar mais os momentos simples, sem deixar para depois aquilo que lhe faz bem.

— Eu sempre procuro aproveitar o dia de hoje e aproveitar a vida, porque a vida, se Deus quer, é um sopro — reflete.
Ao compartilhar sua história, Lizandra reforça a importância de manter os exames em dia e procurar atendimento ao perceber qualquer alteração. Para ela, a atenção ao próprio corpo foi decisiva para que a investigação começasse cedo.

A mensagem que deixa as outras mulheres é de esperança, mesmo diante do medo que acompanha o diagnóstico.

— No começo, parece que a gente fica sem chão. Não se desanime. Tenha pensamento positivo e siga o tratamento. Diga: “Eu vou conseguir, eu vou ficar bem, eu vou vencer mais essa” — aconselha.

Liga atende 64 pacientes

A Liga Feminina de Combate ao Câncer de Flores da Cunha presta assistência a 64 pacientes, entre eles, 22 com diagnóstico de câncer de mama. O auxílio é oferecido conforme as necessidades de cada pessoa e pode incluir medicamentos, cestas básicas mensais, encaminhamento para apoio psicológico e ajuda de custo em exames.

O atendimento contempla crianças e adultos, incluindo homens, reforçando a importância de uma rede de apoio para pacientes que enfrentam o câncer.

— A paciente ou o familiar que vier e colocar a sua necessidade a gente sempre tenta ajudar no que é possível – ressalta a presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer, Renata Zorgi Lusa.

Exames sem fila de espera

A Secretaria de Saúde de Flores da Cunha oferece mamografias e exames preventivos do câncer do colo do útero durante todo o ano, sem fila de espera para autorização. A secretária de Saúde, Jane Paula Baggio, conta que, até agosto de 2026, 63,3% das mulheres na faixa etária indicada estavam com a mamografia em dia e 71,24% com o exame preventivo do colo do útero atualizado.

Em Flores da Cunha, considerando os registros do Painel DATASUS e acompanhados pela rede pública de saúde, foram identificados 12 casos em 2022; 27 casos em 2023; 16 casos em 2024; 17 casos em 2025 e 18 casos em 2026. A faixa etária com maior prevalência é de 45 a 54 anos.

— Esses dados reforçam a importância da prevenção, do rastreamento e, principalmente, do diagnóstico precoce.

Jane conta que um dos principais desafios é ampliar a adesão aos exames, já que fatores como falta de informação, medo do diagnóstico e dificuldades para conciliar a rotina podem afastar as mulheres do rastreamento. Quando um exame apresenta alteração, a paciente é avaliada e pode ser encaminhada para exames complementares e atendimento especializado.

— O Outubro Rosa é uma oportunidade importante de mobilização, mas a prevenção do câncer de mama e do câncer do colo do útero precisa ocorrer durante todo o ano — destaca a secretária.

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