Parlamentar que destinou mais de R$ 7,3 milhões em emendas para a construção da ponte entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul, o senador Hamilton Mourão (Republicanos) visitou a obra nesta quinta-feira (2). Ao lado de lideranças locais, acompanhou o andamento dos trabalhos sobre o Rio das Antas, financiados com recursos destinados em 2024 e 2025.
Nesta sexta-feira (3), Mourão também visitou a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, destruída por um incêndio em maio. Acompanhado do ex-vereador Moacir Ascari Fera, o senador se colocou à disposição para analisar formas de contribuir com a reconstrução do templo centenário.
Em entrevista exclusiva ao O Florense, Mourão detalhou as ações do mandato, que se estende até 2031, explicou como define a destinação de emendas parlamentares e comentou temas de repercussão nacional, como a proposta de mudanças na escala de trabalho 6×1. Confira os principais trechos da entrevista.
O Florense: O que motivou a visita do senador a região?
Hamilton Mourão: Essa agenda foi construída em acordo com o deputado (federal) Carlos Gomes, que é o presidente estadual do nosso partido Republicanos. O apoio a construção da ponte entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul foi uma iniciativa dele, que eu abracei. Conseguimos colocar uma emenda da nossa bancada e criar os recursos necessários para essa ponte, que agora vai se tornar uma realidade. Além disso, aproveitamos para manter contato com as lideranças locais dos dois municípios. Em Flores da Cunha, pude acompanhar o trabalho feito pelo prefeito César Ulian, principalmente a revitalização da Avenida 25 de Julho e as obras de drenagem, tão necessárias depois das enchentes de 2024. Também queremos ver como podemos apoiar a prefeitura nessa empreitada.
O senador destinou R$ 7,3 milhões para a construção da ponte em Nova Pádua. Como acompanha esse projeto?
No final de 2023, o Carlos Gomes me convidou para conhecer a região e fiquei impressionado. Uma região cortada por vales, com uma população estabelecida há muito tempo, e as pessoas ainda precisavam fazer a travessia por balsa (no Rio das Antas). É um verdadeiro absurdo. Quando você tem um rio de mais de 150 metros de largura — e a ponte terá um vão de 170 metros —, não faz sentido esse deslocamento. Isso atrasa pessoas que podem precisar de atendimento médico e atrasa a entrega da produção da região. A ponte surgiu como uma necessidade mais do que evidente. Era algo que o Estado brasileiro estava devendo para essa população.
O senador também visitou a Igreja Matriz de Flores da Cunha, destruída pelo incêndio. É possível apoiar a reconstrução?
Ainda não recebi nenhum pedido nesse sentido. Mas, estaremos em condições de analisar como podemos trabalhar nisso. Talvez seja algo que teremos que conversar com o arcebispo em Porto Alegre. É importante porque a igreja de Flores da Cunha é um templo icônico, não apenas do município, mas do Estado, pela sua arquitetura em estilo gótico. Ela é um ponto de referência para o turismo e um marco da imigração italiana. Tudo aquilo que pudermos fazer para auxiliar na reconstrução, faremos.
As emendas parlamentares seguem sendo alvo de debate. Como o senador define a destinação dos seus recursos?
As emendas são muito criticadas, principalmente pela imprensa. O Executivo reclama porque, com o orçamento da forma como está hoje, as despesas obrigatórias comprimiram muito as despesas discricionárias, onde estão as emendas. Mas é justamente por meio das emendas que o Estado brasileiro chega aos municípios. Ou alguém acha que, lá em Brasília, alguém está olhando para Flores da Cunha, Nova Pádua ou Nova Roma do Sul? Não está. Quem enxerga essas necessidades somos nós, que estamos no Estado. No ano passado, por exemplo, recebi cerca de 2.500 demandas de municípios gaúchos. A partir daí fazemos uma análise para identificar onde o recurso será melhor empregado. Tem que ter projeto. Se não houver projeto, não recebe recurso. É preciso dizer exatamente o que será feito. Depois, nós também acompanhamos para verificar a execução.
Em um cenário político cada vez mais marcado por confrontos e exposição, o senador mantém um perfil mais discreto. Por quê?
Na minha visão, ser histriônico não resolve problema. O discurso não resolve problema. Nós temos inúmeras questões importantes no Rio Grande do Sul: a dívida do Estado, a dívida do agro, infraestrutura, recursos, o Fundo Constitucional… Então, procuro fazer um trabalho técnico dentro das comissões e não deixo de comparecer a nenhuma delas. Também venho constantemente ao Estado. Normalmente chego na quinta-feira e retorno a Brasília no sábado, visitando municípios para entender as necessidades de cada região. Esse tem sido o meu trabalho como parlamentar. Evito discussões estéreis com outros parlamentares, porque elas não levam a nada. Lamentavelmente, alguns não entendem isso e precisam de uma escada para subir na vida. Eu não preciso de escada. O meu trabalho é o meu cartão de visitas.
A próxima eleição renovará as demais duas cadeiras do Rio Grande do Sul no Senado. Que conselho o senador dá aos futuros candidatos e aos eleitores?
Os candidatos precisam entender que senador é diferente de deputado. O deputado normalmente representa uma parcela da população do Estado. O senador representa o Estado como um todo, independentemente do governo que estiver no comando. Além disso, o Senado tem uma função extra em relação à Câmara. A Câmara legisla e fiscaliza, mas não julga. O Senado legisla, fiscaliza e julga. Num momento em que existe essa disputa entre os Poderes, especialmente em relação à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal, é o Senado quem poderá julgar eventuais processos de responsabilidade contra ministros. Então quem pretende disputar uma vaga precisa compreender a grandeza dessa missão. Somos apenas 81 senadores, enquanto a Câmara tem 513 deputados. É uma forma diferente de atuar e exige essa compreensão.
Como o senador avalia a proposta que trata do fim da escala 6×1?
Em primeiro lugar, considero que a forma como o governo federal apresentou esse assunto teve um caráter eleitoreiro. A PEC trata de duas questões diferentes: a escala de trabalho e a jornada de trabalho. E, na minha visão, ela fere um princípio que considero fundamental, que é a liberdade contratual. O que é liberdade contratual? É eu, como empregado, poder dizer que quero trabalhar três dias por semana, 10 horas por dia, e receber pelas 30 horas trabalhadas. Da forma como está colocada, a proposta vai engessar as relações de trabalho. Num país marcado por alta informalidade, baixa produtividade e uma legislação trabalhista conflitiva, isso pode dificultar a evolução tecnológica, aumentar custos e reduzir produtividade. É preciso entender que cada setor tem suas particularidades. Se você conversar com um garçom, por exemplo, ele pode dizer que quer trabalhar mais porque ganha dinheiro com as gorjetas. Não se pode colocar todos os setores dentro do mesmo pacote. Por isso defendo o princípio da liberdade contratual.

