Home Destaque Moradores do São Cristóvão apontam falhas em obras de escoamento e desabafam sobre a recorrência das enchentes

Moradores do São Cristóvão apontam falhas em obras de escoamento e desabafam sobre a recorrência das enchentes

Após fortes chuvas, comunidade se une na reconstrução das casas e reivindica melhorias definitivas na infraestrutura do bairro
Lorena Azevedo Salvador e a filha Tatiele Salvador sinalizam até onde a água subiu (Foto: Karine Bergozza)

Pouco mais de 24 horas depois das fortes chuvas que atingiram Flores da Cunha, a terça-feira (22) foi de reconstrução. A comunidade aproveitou o dia de sol para limpar as residências e contabilizar os prejuízos. Cenário comum no bairro São Cristóvão, um dos mais afetados do município.

Com a ajuda da mãe, a aposentada Lorena Azevedo Salvador, 63 anos, a projetista Tatiele Salvador, 40, estava organizando a casa que foi invadida pela água na manhã de segunda-feira (21).

– Tem pouca coisa dentro de casa e bastante foi fora, como o colchão e os eletros. Eu acabo a prestação do colchão no mês que vem. Querendo ou não, os dois colchões dos dois quartos foram fora, o banheiro que instalei faz 15 dias foi fora, o sofá, a geladeira e o forno – lamenta Tatiele, que mora no andar inferior da casa da mãe, na Rua Guilherme Lucian.

A projetista conta que a agua subiu até a pia da cozinha, e mesmo com a instalação das galerias na localidade, o problema ainda não está resolvido. Por isso, reivindica, junto da mãe, medidas para que a situação não volte a se repetir, como aconteceu em 2024, onde também perdeu muitas coisas.

– Para dizer bem a verdade, essa obra não foi terminada. Eles (Prefeitura) pararam ali nas galerias, só que tem que vir tudo para cá ainda. Eles prometeram derrubar a ponte, mexer a ponte e ali em cima. E primeira coisa tem que ver o esgoto do Monte Belo, que ontem era uma cascata. Então onde que tem o problema não está finalizado – constata Tatiele.

Tatiele Salvador e Lorena Azevedo Salvador (Foto: Karine Bergozza)

“Vamos ter fé que a coisa vai andar”

A professora Catiane Fiamenghi Otobelli, 54, mora em São Cristóvão desde que nasceu e observa que os problemas com enchentes vem aumentando consideravelmente com o passar dos anos.

– O nosso problema, depois que resolveram a questão das galerias na Rua Luiz Zanandrea, o nosso maior problema é a Rua Guilherme Lucian, onde que tem a entrada do Monte Belo, que desce pelo morro e desemboca no canal ali do Esporte Clube São Cristóvão, e a ponte do Mercado Grisa – detalha Catiane.

A moradora lembra que na hora da chuvarada seu esposo, Fernando Ottobelli, já tinha saído para trabalhar, momento em que ela e o pai, Agostinho Luiz Fiamenghi, 88, começaram a erguer os utensílios

– Minha casa foi atingida, mas como a gente já sabe do problema, então a gente já se precaveu. Entrou água na garagem, no porão, mas nada de perdas.

A professora explica que esta terça-feira (22) foi o dia de colocar as coisas em dia e prospectar o futuro.

–  Quem sabe agora, que todo mundo viu, que nas redes sociais postaram bastante. Vamos ter fé que a coisa vai andar. A gente está buscando bastante auxílio do Oscar Francescatto, nós já tentamos com a administração pública e vamos tentar novamente. A gente espera que ninguém mais tenha perdas, porque a gente trabalha e batalha para conseguir as nossas coisas e em questão de minutos, a gente fica sem nada – lamenta.

”Foi um desastre”

A auxiliar de escritório Justina Sugari, 62, mora em São Cristóvão há 37 anos, nos fundos da Metalúrgica Salvador. Ela conta que foi avisada pela cunhada, Maristela Salvador, às 6h15min, que o rio estava subindo muito rapidamente.

– Foi um desastre, ninguém imaginava que fosse acontecer tudo ligeiro assim e a maioria estava dormindo. Na verdade, que eu me lembro, faz 30 anos que eu estou nesse dilema, que cada vez que dá enchente entra a água – relata.

Justina explica que a água também atingiu a metalúrgica, segundo ela parecia uma “cachoeira”, por isso a empresa com cerca de 20 funcionários não pôde funcionar nesta segunda-feira (21).

De acordo com ela, os problemas na comunidade teriam começado quando foi construído o campo do Esporte Clube São Cristóvão e um pavilhão, na Avenida 25 de Julho.

–  Eles desviaram o curso do rio. Então, o rio ia reto e eles fizeram um L para poder fazer o campo. Foi aí que começou a tragédia.

A moradora acredita que as galerias novas não conseguiram dar vazão ao grande fluxo de água por conta dos galhos e detritos que teriam entupido.

– Eu não me queixo do poder público essa vez, eles estão tentando, só que foi muita coisa. Foi por tudo!

Mesmo assim, ela revela que seu problema principal é em relação a água que vem do campo, que estoura os canos e invade sua casa.

– Na última reunião que a gente teve com a Prefeitura, a gente tentou propor fazer uma bacia de captação bem grande, que daí ela vai segurando um pouquinho. Essas melhorias não seriam só para mim, mas para os moradores aqui debaixo também.

Jéssica de Souza de Cândido com os três filhos, de 10, 8 e 3 anos (Foto: Karine Bergozza)

 “A água não chegou a entrar, foi até a escada e parou”

Quem escapou por pouco de ter a casa alagada foi a vendedora Jéssica de Souza de Cândido, 28. Ela mora com o marido e três filhos, de 10, 8 e 3 anos, nas proximidades da Igreja de São Cristóvão.

– Começou muito rápido, quando a gente viu já estava bem cheio o rio. Viemos morar nesta casa no final de semana passado e até o pessoal falou para a gente que nunca tinha enchido assim tão rápido.

A moradora conta que a vizinha a aconselhou a erguer as coisas, e foi o que ela fez.

– Para a gente não ficar aqui, fomos na casa da avó do meu marido, lá em Nova Roma. Só que a água não chegou a entrar, ela foi até a escada e parou aí – relata, aliviada.

Jéssica conta que nunca havia passado por uma situação semelhante, que só tinha visto essas ocorrências pela televisão.

– Nossa, para nós foi um susto! Mas graças a Deus a nossa casa não chegou a molhar! Eu até falei para o Matias, que é meu marido: “Espero que não seja sempre esse susto”.

Água invadiu a casa de Tatiele Salvador (Foto: Tatiele Salvador/ Divulgação)
Água invadiu a casa de Tatiele Salvador (Foto: Tatiele Salvador/ Divulgação)
Eletrodomésticos foram arrastados pela força das águas (Foto: Tatiele Salvador/ Divulgação)
Água chegou até a altura da pia da cozinha (Foto: Tatiele Salvador/ Divulgação)
Família ainda contabiliza os prejuízos (Foto: Tatiele Salvador/ Divulgação)
Água na casa de Catiane Fiamenghi Otobelli (Foto: Catiane Fiamenghi Otobelli/ Divulgação)
Rua próxima à casa de Catiane (Foto: Catiane Fiamenghi Otobelli/ Divulgação)
Chuvas também atingiram a Metalúrgica Salvador (Foto: Cristiano Lovatel/ Divulgação)
Ruas no entorno da Metalúrgica Salvador (Foto: Cristiano Lovatel/ Divulgação)
Ruas no entorno da Metalúrgica Salvador (Foto: Cristiano Lovatel/ Divulgação)
Ruas no entorno da Metalúrgica Salvador (Foto: Cristiano Lovatel/ Divulgação)

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