As fortes chuvas que atingiram Flores da Cunha provocaram estragos em diversas localidades. Entre as famílias afetadas está a Dal Alba, do bairro Videiras, que teve duas residências, uma empresa de fabricação de caixas e embalagens para vinhos e um salão de festas atingidos pela água.
Moradora do local, Ana Carla Dal Alba Naibo, 43 anos, conta que a situação mudou rapidamente na manhã da chuva. Por volta das 6h40min, ela levou o filho para pegar o ônibus e, naquele momento, a chuva ainda parecia normal. Pouco depois, porém, a água começou a subir e a família precisou agir rapidamente.
— Era umas 6h40, levei meu filho para pegar o ônibus, estava chovendo normal. E quando eu me vi, eram 7 horas, eu peguei o meu filho menor, que estava dormindo. A água já tinha começado a subir e meu marido só conseguiu tirar um carro — relata Ana Carla.
Em uma das casas atingidas vivem os pais de Ana Carla, Sérgio, 66 anos, e Neiva, 69. Na outra, ela mora com o marido, Gildo Naibo, e os dois filhos, de 10 e 3 anos. As residências já havia sido atingida por um alagamento em 2012.
Segundo ela, a água subiu rapidamente e não houve tempo para retirar os pertences. A água chegou até a altura das calhas, ficando só o telhado de fora.
— É muito rápido. A gente até tentou erguer algumas coisas, mas quando a minha mãe saiu, a água já estava no peito. Não dá nem tempo de pensar no que fazer, só pensa em sair. Foi bem pior do que em 2012 — afirma.
A família havia instalado bombas para auxiliar na retirada da água. O equipamento funcionava de forma automática conforme o nível subia, mas deixou de operar depois que uma parede da empresa do pai de Ana Carla cedeu. Com o rompimento, os fios de energia foram puxados e a bomba acabou desligada.
Ainda sem conseguir dimensionar completamente os prejuízos, Ana Carla conta que a família não teve coragem de verificar todos os estragos. Entre as perdas estão materiais das residências e encomendas que estavam prontas para serem entregues na empresa do pai.
Além dos prejuízos materiais, a situação trouxe preocupação sobre a possibilidade de permanecer no local.
— Como já não é a primeira vez, então já não sei se consigo reconstruir de novo no mesmo lugar, sabe? Só que vender deve ser difícil, porque ninguém vai querer comprar aqui.
Para Ana Carla, um dos momentos mais difíceis é perceber o impacto da enchente sobre os filhos.
— As crianças, principalmente, elas ficam sentidas com os materiais escolares — relata, emocionada.
Enquanto a família começa a pensar nos próximos passos, o sentimento ainda é de tentar compreender tudo o que aconteceu.
— Ainda não caiu a ficha — resume Ana Carla.


