Cerca de 40 quilos de tampinhas plásticas são arrecadados por mês nos corações coletores instalados nas praças da Bandeira e Nova Trento, em Flores da Cunha. A iniciativa do Lions Club encaminha as “doações” da comunidade para três entidades sociais do município, que conseguem vender o material reciclável por até R$ 2,50 o quilo.
A proposta, que completa um ano em maio, facilita uma rede de solidariedade. Inspirados em um projeto de São José do Ouro, os corações nas praças inspiram centenas de cidadãos a separarem e descartarem corretamente as tampinhas de garrafa, um material plástico facilmente reciclável e que rende receita à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), à União pela Vida Animal (Upeva) e à Liga Feminina de Combate ao Câncer.
— A ideia é integrar a comunidade em favor da natureza e da reciclagem, obtendo recursos para as entidades — reforça o presidente do Lions florense, César Agostinetto.
A adesão da comunidade tem sido constante. É raro ver os corações metálicos com menos da metade de sua capacidade. O morador Ricardo Santos relata que incorporou o descarte das tampinhas à rotina.
— A gente pega a tampinha e coloca ali. Além de evitar sujeira, estamos contribuindo para uma causa — comenta.
No comércio, a percepção é semelhante. A gerente do Posto Andreazza, Miriã Cardozo, afirma que o material costuma ser subestimado.
— É algo simples, mas que pode ajudar no cuidado de animais, com alimentação e atendimento — destaca.
Diante do sucesso deste primeiro ano da iniciativa, o Lions projeta a expansão dos corações coletores para as praças dos bairros Nova Roma e São Gotardo e do distrito de Otávio Rocha. Também é avaliada uma parceria com a prefeitura de Nova Pádua.
Na APAE, tampinhas são separadas e vendidas a R$ 2,50

Mutirão separa as peças plásticas por cor para a venda (Foto: Jornal O Florense, divulgação)
Após a coleta periódica nas praças, as entidades ficam responsáveis pela triagem e encaminhamento para reciclagem. Na APAE, o processo envolve alunos e participantes do grupo de convivência como atividade pedagógica.
A diretora Maria Lurdes Branchini da Silva explica que a separação correta influencia no valor de venda. O material é comercializado com a empresa C&M Plásticos, de Bento Gonçalves.
— Quando as tampinhas são entregues misturadas, o quilo vale R$ 2. Separadas por cores, chega a R$ 2,50.
Os recursos obtidos são destinados à manutenção da estrutura e às demandas da instituição, que atualmente atende 112 famílias.
Criado em 2009, o projeto de reciclagem da APAE busca reduzir o impacto ambiental e evitar o acúmulo de plástico nos contêineres públicos. A parceria com o Lions e o Leo Club ampliou o alcance da iniciativa.
— Muita gente não tem noção do trabalho envolvido. Se cada um descartasse corretamente, haveria mais respeito e consciência — avalia Maria Branchini.
Na opinião da diretora da APAE, a iniciativa nas praças foi responsável por um avanço na educação ambiental em Flores da Cunha, com participação crescente da população e potencial de crescimento.

