A intensificação das tensões entre Irã e Estados Unidos já gera impactos diretos na economia mundial e passa a ser percebida de forma concreta na Serra. A volatilidade no mercado internacional de petróleo começa a se traduzir em impactos na cadeia do plástico, um dos setores mais sensíveis a esse tipo de oscilação.
Com reajustes frequentes nas resinas e mudanças nas condições de fornecimento, empresas de Flores da Cunha já operam sob um ambiente de maior incerteza, em que decisões de compra, formação de estoque e definição de preços precisam ser revistas.
Na Panizzon Embalagens, a elevação no custo das resinas pressiona a operação e altera a relação entre insumo e produto final dentro da cadeia produtiva.
— Para nós, a matéria-prima representa em média 60% do valor total do produto. É uma cadeia muito grande que ainda não chegou totalmente na ponta. O pessoal ainda vai sentir — afirma o diretor financeiro, Aldo Slaviero.
Restrições de materiais
Em setores ligados ao consumo final, o repasse desse aumento depende da capacidade de reação de toda a cadeia produtiva.
— Pensemos que um dos nossos clientes é uma vinícola. Aumenta a matéria-prima, eles precisam aumentar seus preços e não conseguem repassar o vinho. Estanca lá, estanca aqui — aponta Slaviero.
Além do preço, o fornecimento também passou a operar com mais restrições em determinados períodos.
— Se quisermos comprar duas carretas de material, eles não conseguem. Nos fornecem apenas uma carga por vez e ainda reduziram os prazos de pagamento. Ainda que a guerra cessasse agora, o mercado não iria normalizar no curto prazo — opina o diretor.

