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ERS-122 tem novos pontos de lentidão após mudanças no km 81

CSG afirma que alterações são provisórias, mas motoristas relatam congestionamentos
(Foto: Klisman Oliveira)

Motoristas que trafegam diariamente pela ERS-122, entre Flores da Cunha e Caxias do Sul, têm enfrentado lentidão, filas e novos pontos de retenção desde a alteração no fluxo no km 81 da rodovia. A mudança, realizada para viabilizar um acesso provisório ao bairro Nossa Senhora da Saúde, reacendeu críticas sobre a saturação do trecho e a falta de melhorias estruturais na principal ligação entre os dois municípios.

As críticas que se espalharam pelas redes sociais ganharam eco com o vereador Diego Tonet (PP), que criticou a intervenção na última sexta-feira (8) e defendeu novamente a duplicação da rodovia.

— Hoje, passei às 7h20min pelo trecho e praticamente fizeram um funil para esse acesso ao loteamento. Conseguiram eliminar mais uma terceira faixa, uma das poucas que ainda temos entre Flores da Cunha e Caxias do Sul. Retornei por volta das 11h e o congestionamento já chegava ao trevo de acesso à Linha 40 — declarou.

A publicação repercutiu entre motoristas que utilizam diariamente o trecho. Nos comentários, seguidores também relataram dificuldades recorrentes no trajeto e criticaram as alterações recentes no fluxo da rodovia.

— Primeiro foi na subida da TKA, depois próximo ao Pedancino, agora na chegada a Caxias. Em vez de duplicarem, afunilam — reclamou um seguidor.

— Certamente quem projeta essas obras não utiliza essa estrada todos os dias — escreveu outra seguidora.

Cobrança à concessionária

A discussão em torno das mudanças no tráfego da ERS-122 prosseguiu na sessão legislativa de segunda-feira (11), quando os vereadores Diego Tonet, Deivid Schenato e Silvana De Carli, da bancada Progressista, tiveram aprovado por unanimidade um requerimento encaminhado ao diretor-presidente da CSG, Ricardo Peres.

O documento solicita informações sobre o fluxo de veículos e os critérios adotados pela concessionária para futuras intervenções na rodovia. Entre os pedidos estão dados atualizados do Volume Diário Médio (VDM) nos trechos entre Flores da Cunha, Caxias do Sul e Antônio Prado.

Os parlamentares também pedem esclarecimentos sobre a metodologia utilizada para aferição desses dados, incluindo período de medição e data da última atualização.

Ainda na sexta-feira (8), o prefeito César Ulian recebeu o gerente de Projetos da CSG, Paulo Negrini, e o diretor de Investimentos, Marcos Gruba, para tratar das recentes mudanças no trânsito da ERS-122, especialmente no km 81. Durante a reunião, a Prefeitura cobrou medidas para melhorar a mobilidade e reduzir os transtornos.

O impasse do VDM para a duplicação

O debate sobre o Volume Diário Médio (VDM) da ERS-122 está em alta desde novembro do ano passado, quando uma comitiva de empresários florenses esteve em Porto Alegre para retomar as discussões sobre a duplicação da rodovia. A articulação liderada pelo Centro Empresarial apresentou levantamentos indicando que o trecho entre Flores da Cunha e Caxias do Sul concentra cerca de 580 mil veículos por mês, o equivalente a uma média de 19,3 mil automóveis por dia.

O número superaria o gatilho de 18 mil veículos de VDM, previsto no contrato de concessão firmado com a CSG para viabilizar investimentos de ampliação na rodovia.

Apesar disso, o modelo de concessão estabelece que o índice deve ser considerado em todo o trecho concedido entre Caxias do Sul e Antônio Prado. Entre Flores da Cunha e Antônio Prado, no entanto, o fluxo é menor (aproximadamente 9 mil veículos). Com isso, a média entre os dois pontos ficaria em torno de 14 mil veículos por dia.

Duplicação fora do contrato

Em entrevista à Rádio Solares, em fevereiro deste ano, o diretor-presidente da CSG, Ricardo Peres, afirmou que a duplicação é a única solução capaz de resolver os problemas de trânsito no trecho entre Flores da Cunha e Caxias do Sul. Na ocasião, Peres respondeu a um questionamento da reportagem sobre a falta de previsão de investimentos de grande porte no segmento.

— O tráfego ali é bastante intenso. A rodovia em si já está saturada. Não existe outra obra que possa resolver a questão, a não ser a própria duplicação entre Flores da Cunha e Caxias do Sul — declarou.

Peres também destacou que a duplicação do segmento entre os km 80 e 95 da ERS-122, com cerca de 15 quilômetros, não está prevista no atual modelo de concessão da rodovia.

— Essa obra não está no contrato. Isso precisa ser discutido junto com o governo do Estado para buscar uma alternativa de viabilizar uma obra desse porte. Qualquer obra que seja feita naquela região vai ser praticamente inócua, porque o congestionamento vai permanecer — afirmou à rádio.

Na terça-feira (12), por volta das 17h, a reportagem encontrou um funcionário da CSG realizando a contagem de veículos no km 81. O monitoramento incluía motoristas que utilizavam o novo acesso e os condutores que trafegavam nos dois sentidos da ERS-122. De acordo com o funcionário, o volume de veículos que utilizava o acesso ainda era considerado baixo.

“Funil” temporário até outubro

Questionada sobre o impacto das mudanças no km 81, a concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) reforça que o atual cenário é temporário. Por meio de nota, a concessionária afirma que o “funil” faz parte de “desvios provisórios” necessários para a segurança dos motoristas e das equipes que trabalham na construção de uma ponte no km 78,5 entre Caxias do Sul e Farroupilha.

A companhia destaca que mantém um “monitoramento contínuo dos acessos” para realizar ajustes e melhorias no fluxo sempre que necessário. Segundo a nota, o objetivo é garantir o avanço das obras dentro do cronograma contratual, buscando restabelecer a normalidade no trecho o mais breve possível. A conclusão do viaduto no km 78,5 segue com previsão para outubro deste ano.

A CSG finaliza a nota lamentando os transtornos, mas reforçando o compromisso com a execução segura dos trabalhos.

Sem resposta

Nesta nota, a CSG não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre os números atuais do VDM na ERS-122, nem sobre os gargalos entre Caxias do Sul e Flores da Cunha. Outro ponto em aberto é a avaliação do impacto causado pelo novo acesso após uma semana de relatos de congestionamentos na chegada a Caxias do Sul.

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