Quando saudamos a feliz iniciativa de criar, pelo Vigário Padre Pedro Piccoli, a 1ª Festa Paroquial da Uva, parece que estava tudo às mil maravilhas. Cabe ao historiador, quem sabe pela primeira e última vez, registrar o cenário no Brasil, com a Revolução Civil Militar de 1964, do Governo Ildo Meneghetti no Rio Grande do Sul, do Governo de Raymundo Paviani em Flores da Cunha e do padre Piccoli Vigário de Otávio Rocha.
Em 1964, Brasília nos dá Castelo Branco, o nosso Governador Meneghetti foge para Passo Fundo, e Raymundo Paviani é o nosso Prefeito.
A mistura política e religiosa na “Marcolina”
história provinciana começa em Otávio Rocha, no Governo de Raymundo Paviani, de 1º de janeiro de 1964 a 31 de janeiro de 1969. O empresário João Slaviero, de renome nacional por causa da Vinícola e Granja São Mateus, foi vice de Severo Ravizonni (1956 a 1959).
Em seguida, vem o governo de Raul Bigarella (1960 a 1963). Em 1963, João Slaviero se inscreveu para concorrer a prefeito contra Raimundo Paviani, e perdeu a eleição. Ai começou o rancor “paroquial” abraçado por Slaviero e o Vigário. E partiram para uma iniciativa difícil de ser conquistada. Em matéria de abril de 1965, o Pioneiro tinha por manchete: “DISTRITO DE OTÁVIO ROCHA QUER ANEXAR-SE À CAXIAS”. Formada a Comissão, não sei o que iria ser desmembrado, mas não avançou. Moradores, alguns foram a favor e outros contra tal iniciativa, aumentando a desunião. O clima já ruim, em 11 de agosto de 1965, abate-se sobre Otávio Rocha, violento incêndio que destrói a sede do Grêmio Esportivo Otávio Rocha, poucos dias antes da sua inauguração.
A nova e estranha Igreja
Otávio Rocha, tendo virado Paróquia em 1962, o visionário padre Pedro Piccoli sonha com uma nova Igreja. Faz o projeto, criticado por parecer uma caixa de fósforo, cria comissão de obras, pede apoio de serviços à comunidade, fazem-se festas e a Igreja vai subindo no entorno da velha Capela, em estilo romano de 1905. Como os custos da construção são volumosos, Pe. Pedro Piccoli tem a ideia de fazer uma Festa Paroquial da Uva. Eram dezenas de vinícolas e centenas de famílias produtoras de uvas, e na época específica, as uvas de mesa estavam no seu maior destaque e produção.
Na Festa, o Vigário via forma de arrecadar recursos. Na escolha da Rainha e Princesas, as candidatas “vendiam votos”, e ainda no baile, anunciavam como estava a disputa, que se concentrava nas candidatas Elisabeta Molon e Terezinha Slaviero. Tendo a última vencido.
Assim também tinha o dinheiro da entrada do baile, e a festa que devia ocorrer em dois finais de semana estava ocupando três locais para as refeições: o Clube (que foi urgentemente restaurado), a firma Slaviero e o Hotel Dona Adélia. Os ingressos das refeições também eram somados em favor das obras. O velho Salão Paroquial serviu como local da Exposição de uvas, produtos agrícolas e tinha como destaque um estande da firma Slaviero, e cobrava-se um ingresso de pequeno valor.
O clima político municipal, misturou-se com a festa. João Slaviero era amigo pessoal do Governador Ildo Meneghetti, tendo pousado diversas vezes na sua casa junto à Granja São Mateus. E se fez presente para a inauguração da Festa, dia 20 de fevereiro de 1966.
A Festa inspirada na lendária Festa da Uva de Caxias, acabou sendo modelo, com a segunda edição incluindo o desfile de carros alegóricos, utilização de uma vinícola para a Exposição e com a construção do novo Salão da Comunidade, onde podiam ser atendidos mais de 1 mil pessoas ao mesmo tempo, para as refeições.
A iniciativa de Otávio Rocha, embora o tumultuado clima naquela época, é apontada como a segunda mais antiga festa da Uva e Vinho, agora com 60 anos e a festa mãe de Caxias, Festa Nacional da Uva com 95 anos.
O Prefeito Raymundo Paviani, ofereceria no ano seguinte de 1967, a 1ª Festa da Vindima, com escolha de Soberanas, exposição Agro-industrial e desfile de Carros Alegóricos.

