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Confira dicas de leitura para fortalecer a saúde mental após os 60 anos

Especialistas explicam como o hábito contribui para a formação da reserva cognitiva, pode retardar a manifestação de sintomas do Alzheimer e auxilia no equilíbrio emocional durante o envelhecimento
(Foto: Freepik, divulgação)

Em um país que envelhece rapidamente e onde mais de 1,7 milhão de pessoas convivem com a doença de Alzheimer, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, discutir estratégias de promoção da saúde mental após os 60 anos tornou-se uma necessidade. Entre essas estratégias, a leitura se destaca como uma das atividades cognitivas mais completas, capaz de ativar simultaneamente áreas cerebrais relacionadas à linguagem, memória, atenção e emoção. Ao estimular a neuroplasticidade e fortalecer conexões neurais, o hábito de ler configura-se como uma prática de cuidado contínuo, associada à preservação das funções cognitivas, ao equilíbrio emocional e à construção de um envelhecimento mais ativo e autônomo.

Luana Guedes (Foto: Divulgação)

A psicóloga clínica Luana Guedes explica que a leitura estimula funções cognitivas essenciais, como atenção, memória e concentração, contribuindo para o desenvolvimento da chamada reserva cognitiva.

Segundo ela, a reserva cognitiva funciona como proteção do cérebro diante do envelhecimento e de doenças neurodegenerativas.

— A reserva cognitiva é a capacidade que o nosso cérebro tem de, quando acontece uma morte neural, utilizar outros neurônios, responsáveis por outras funções, para assumir aquele papel. Uma pessoa com pouca reserva pode apresentar sintomas desde os 60 anos. Já a

lguém com uma reserva maior consegue adiar esses sintomas para os 80 anos ou mais — informa.

Asdrubal Falavigna (Foto: Divulgação)

O neurologista Asdrubal Falavigna esclarece que, embora o hábito não impeça o surgimento da doença, ele pode influenciar na forma como os sintomas se manifestam ao longo do tempo.

— A leitura não previne nem cura o Alzheimer; entretanto, pode atrasar o aparecimento dos sintomas clínicos. As pessoas que mantêm hábitos intelectuais retardam os sintomas do Alzheimer, pois o cérebro compensa melhor a perda seletiva da memória.

Os benefícios, porém, não se limitam ao aspecto neurológico. A leitura também atua como fator de proteção emocional, especialmente em uma fase marcada por mudanças e perdas simbólicas.

— Além de diminuir sintomas de ansiedade e depressão, o hábito da leitura reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse — afirma a psicóloga.
A leitora Jussara Tronco reconhece esse impacto em sua própria vida, associando a leitura à manutenção da saúde mental em um mundo saturado de informações.

— A leitura me dá subsídios para me manter mentalmente saudável. Vivemos em um mundo saturado de informações, se elas não se transformarem em conhecimento, elas se tornam superficiais — ressalta.

Outro ponto destacado pelo neurologista diz respeito à leitura mesmo diante de queixas de esquecimento ou início de comprometimento cognitivo.

— Nesse caso, a leitura deve ser adaptada, com textos curtos e linguagem simples. A performance pode ser maior lendo em em voz alta. Mesmo em casos de comprometimento cognitivo leve, a leitura retarda as perdas funcionais — declara Falavigna.

Dicas de como começar a ler depois dos 60

  • Escolha temas que despertem interesse
  • Comece com livros curtos e breves
  • Leia em um ambiente silencioso e confortável
  • Crie um horário fixo para a leitura
  • Faça anotações ou comente o que leu
  • Prefira letras maiores e boa iluminação
  • Priorize a constância, não a quantidade

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