Antes do início das obras de reconstrução da Capela Santa Juliana, de Mato Perso, será necessário reforçar a estrutura que permanece de pé. A previsão é que um novo escoramento seja realizado nos próximos dias, como medida de segurança para permitir a retirada do telhado e, posteriormente, a demolição das duas paredes comprometidas pelo temporal de 28 de julho.
O pároco da Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio, padre Joone Fachinelli, explica que o escoramento será uma das primeiras medidas adotadas no processo.
— Quando forem retirados o telhado e as paredes que serão demolidas, será necessário garantir a sustentação das partes que permanecerão de pé. A previsão é que esse trabalho inicie nos próximos dias — explica.
O escoramento é uma medida emergencial que será realizada antes do projeto de reconstrução. O laudo técnico elaborado após o temporal apontou a necessidade de demolição das paredes Leste e Oeste da capela. Uma delas desabou parcialmente durante o temporal, enquanto a outra ficou fora de prumo e apresenta risco de colapso.
O estudo, com cerca de 30 páginas, também indica a necessidade de retirada do forro e da cobertura da igreja para a instalação de uma nova estrutura.
Apesar dos danos, a fachada principal, ao Sul, e a estrutura do presbitério, na parte posterior da capela, onde estão o altar e os santos, serão preservadas.
— Em linhas gerais, preserva-se a estrutura Norte e Sul. Já as paredes Leste e Oeste serão demolidas para a reconstrução de novas paredes — aponta o integrante da diretoria comunitária, Moisés Giacomin.
Projeto em elaboração
O projeto arquitetônico está em elaboração pelos arquitetos Denise Martins Travi e Vagner Dalagno, integrantes da Comissão Diocesana de Arquitetura e Arte Sacra. Denise recebeu o laudo elaborado pela engenheira civil e especialista em estruturas Henriete Manfredini Baroni, que servirá de base para o desenvolvimento do projeto.
— Nós já trabalhamos na revitalização de várias capelas da Diocese de Caxias do Sul e, por isso, fomos indicados para fazer o projeto de reestruturação da Capela Santa Juliana após o temporal, que abalou e comprometeu a estrutura do prédio — relata Denise.
O trabalho está sendo desenvolvido a partir das informações apresentadas no laudo técnico e em conjunto com os profissionais responsáveis pela parte de engenharia e pelo escoramento da estrutura.
— Todo o nosso trabalho é feito com base na observação do laudo técnico apresentado pela engenheira Henriete. A empresa Aguzzoli Engenharia e Construções, responsável pela execução do escoramento, também está envolvida, e precisamos trabalhar em conjunto com os engenheiros — explica.
O projeto arquitetônico tem prazo de aproximadamente um mês para ser entregue. Depois dessa etapa, serão elaborados os projetos civil e estrutural.
Ainda não há uma estimativa de custo para a obra. Conforme Moisés, os valores só poderão ser definidos após a conclusão e aprovação dos projetos.
Apesar da necessidade de demolir parte da estrutura, a intenção é preservar o máximo possível dos elementos que permaneceram intactos.
— Tudo que foi possível preservar da igreja, será preservado. Toda a parte interna que ainda está de pé, será mantida. As colunas com os capitéis dourados serão preservadas, assim como alguns desenhos decorativos — reforça a arquiteta Denise.
Os vitrais não eram originais, então possivelmente serão substituídos. Já a parte do presbitério, onde estão o altar e o retábulo, deverá ser restaurada. O piso, que é de ladrilhos hidráulicos, também será preservado, segundo a arquiteta.
Campanha
A comunidade de Santa Juliana segue mobilizada para arrecadar recursos para a reconstrução. Em agosto, foi lançada a campanha “Nossa igreja precisa da sua ajuda!”, que convida moradores e demais interessados a contribuir com qualquer valor.
As doações podem ser realizadas por Pix, pela chave igrejasantajuliana@gmail.com. Até o momento, a Paróquia não divulgou o valor arrecadado.

