A Caderode promove, na terça-feira (20), em parceria com a Associação Sala de Arquitetos, um encontro com o arquiteto e urbanista Lorí Crízel, especialista em neuroarquitetura. A palestra “Neuroarquitetura: tendências e práticas projetuais” será realizada às 15h, na sede da empresa, e abordará a aplicação dos conhecimentos da neurociência à arquitetura e ao design.
A proposta é discutir como os ambientes podem influenciar emoções, comportamentos e bem-estar, considerando aspectos que vão além da funcionalidade e da estética. Entre os temas em destaque estão o conforto multissensorial, o design biofílico, a personalização das experiências e a criação de espaços que atendam às diferentes necessidades dos usuários.
Segundo Crízel, uma das principais mudanças na arquitetura contemporânea é a ampliação do olhar sobre a experiência humana.
— Não basta que um ambiente seja bonito, ergonômico ou funcional. Precisamos compreender como ele é percebido, vivenciado e utilizado pelas pessoas — afirma.
Na prática, essa abordagem envolve o planejamento de espaços que favoreçam diferentes atividades e experiências, como concentração, colaboração, interação e momentos de menor estimulação sensorial. O conceito, denominado pelo especialista como zoneamento experiencial, integra elementos como iluminação, acústica, mobiliário, cores e materialidades para criar atmosferas adequadas a cada finalidade.
— O mobiliário não é apenas um elemento que ocupa o espaço, mas participa da construção das atmosferas e das relações entre as pessoas e os ambientes — destaca o arquiteto, ao abordar um dos princípios desenvolvidos em conjunto com a Caderode.
Ambientes corporativos e bem-estar
A influência dos espaços sobre o comportamento também será um dos eixos da discussão. Em ambientes corporativos, fatores como iluminação, sons, temperatura, proximidade entre as pessoas, privacidade e características táteis dos materiais participam da maneira como os profissionais percebem e vivenciam o local de trabalho.
Para Crízel, espaços que oferecem conforto, orientação espacial clara e possibilidades de escolha podem contribuir para experiências mais positivas no cotidiano. No entanto, ele ressalta que não existe uma resposta única aos estímulos ambientais.
— Aquilo que é estimulante para alguém pode ser desconfortável para outra pessoa. Por isso, projetar para o bem-estar não significa criar uma atmosfera única, supostamente ideal para todos, mas oferecer diversidade de condições e possibilidades de uso — explica.
Essa perspectiva reforça a importância de projetos que equilibrem acolhimento, interação, autonomia e concentração, considerando as diferentes atividades e necessidades de quem utiliza os espaços.
— Na Caderode, essa compreensão orienta nossa reflexão sobre a integração entre mobiliário, organização espacial e materialidade sensorial. Buscamos favorecer experiências que equilibrem acolhimento, interação, autonomia e concentração, respeitando as diferentes atividades e as pessoas que utilizam os espaços — acrescenta.
Referência na área
Lorí Crízel é um dos pioneiros da neuroarquitetura no Brasil e autor do primeiro livro publicado no país sobre o tema. Atualmente, preside a Academy of Neuroscience for Architecture (ANFA) no Brasil, integra o Conselho Consultivo da ANFA Internacional e atua como professor de Neuroarquitetura no POLI Design, do Politecnico di Milano, na Itália. Também é CEO do Instituto Neuro Bio Design.
A iniciativa da Caderode, em parceria com a Associação Sala de Arquitetos, busca aproximar os profissionais do setor de novas abordagens e possibilidades de aplicação da neuroarquitetura no desenvolvimento de projetos, ampliando a compreensão sobre como as decisões projetuais podem contribuir para experiências mais adequadas às pessoas e aos diferentes contextos de uso.

