As antas deram nome a um rio e serviram de alimentação aos índios e também aos imigrantes, em especial, que se fixaram na serra a partir de 1875.
A anta é um dos maiores mamíferos terrestres da América do Sul e já habitou amplamente as regiões de mata do sul do Brasil, incluindo o alto da serra do Rio Grande do Sul.
Animal de porte robusto, podendo ultrapassar os 200 quilos, a anta possui corpo arredondado, pernas curtas e uma característica marcante: o focinho alongado em forma de pequena tromba, que utiliza para apanhar folhas, frutos e brotos.
Nas áreas serranas, cobertas originalmente por densas matas de araucária, a anta encontrava um ambiente ideal, com abundância de água e vegetação. Discreta e de hábitos solitários, costumava percorrer trilhas na mata e frequentar rios e banhados, sendo excelente nadadora.
Sua alimentação é exclusivamente herbívora, desempenhando um papel ecológico fundamental na dispersão de sementes, o que contribui para a regeneração das florestas.
Para os primeiros habitantes e também para os imigrantes europeus que chegaram à Serra Gaúcha, a presença da anta era relativamente comum.
Muitas vezes, era vista como um animal curioso e até dócil, embora sua força e tamanho que inspira respeito. Com o avanço da colonização, o desmatamento e a caça reduziram drasticamente sua população na região.
A carne da anta é comestível e, historicamente, foi consumida por povos indígenas e também por moradores das regiões rurais do Brasil. Trata-se de uma carne considerada relativamente saborosa, muitas vezes comparada à carne bovina, porém mais escura e com sabor um pouco mais forte.
Temos um rio que se chama Rio das Antas. Nasce nos alto da serra geral, desce pela região colonial italiana e segue para os vales do Taquari Antas. O Rio das Antas, cujo nome já revela a antiga abundância desses animais na região, atravessa áreas que foram, por muito tempo, território de mata fechada e rica fauna.
Antes da colonização europeia, quem mais utilizava a carne da anta eram os povos indígenas que habitavam o Sul do Brasil, especialmente grupos ligados ao tronco tupi-guarani e também povos jês do planalto.
Para esses povos, a anta era um animal de grande valor. Sua carne servia como importante fonte de alimento, sendo apreciada por ser nutritiva e relativamente abundante nas matas.
Além disso, não se aproveitava apenas a carne: o couro podia ser usado para utensílios, e outras partes tinham funções práticas no cotidiano. A caça era feita de forma tradicional, com profundo conhecimento da floresta e respeito aos ciclos naturais.
Assim, pode-se dizer que quem mais utilizou e dependeu da carne da anta foram os povos indígenas, enquanto os colonizadores europeus recorreram a ela apenas em momentos de necessidade.

