Quando se diz que Flores da Cunha registrou 162,1 milímetros de chuva em um dia, de onde saiu esse número? A resposta está em uma pequena estação instalada nas proximidades da sede da Prefeitura. Ali, sensores trabalham continuamente para transformar chuva, temperatura, umidade, vento e outras condições do tempo em dados.
Foi essa estação que registrou os 162,1 milímetros da chuva recorde do dia 21 de setembro. O número, comparado ao histórico registrado desde 2002, evidencia que aquele foi um dos episódios de chuva mais intensos dos últimos anos no município e porque os sistemas de drenagem não conseguiram suportar o volume de água.
Na prática, um milímetro de chuva corresponde a um litro de água sobre cada metro quadrado. Assim, os 162,1 milímetros registrados naquele dia representam o equivalente a 162,1 litros de água por metro quadrado no ponto onde a estação está instalada.
É o tipo de informação que ajuda a dimensionar um temporal, comparar diferentes períodos e acompanhar o comportamento do clima. Mas também mostra por que os números precisam ser interpretados: a estação registra as condições de um ponto específico do município, e a chuva pode variar bastante entre diferentes localidades.
Da agricultura ao monitoramento climático
A estação da Secretaria de Agricultura funciona com sensores que acompanham diferentes variáveis meteorológicas. O pluviógrafo é responsável por medir a chuva, enquanto outros equipamentos registram temperatura, umidade, velocidade e direção do vento, ponto de orvalho e pressão atmosférica.
A temperatura é registrada a cada cinco minutos. Os dados são enviados automaticamente à Prefeitura e podem ser consultados no site do Município, que disponibiliza informações como temperaturas máxima e mínima, precipitação, velocidade dos ventos e acumulados de chuva.
As informações também ajudam a agricultura: as chamadas horas de frio, por exemplo, são utilizadas para acompanhar culturas como a videira.
Mais pontos de medição
A estação atual foi adquirida pelo município em 2015, substituindo o equipamento instalado em 2002, inicialmente voltado principalmente ao acompanhamento das condições para a agricultura. Agora, a Prefeitura integra uma iniciativa que prepara a ampliação da rede com novas estações distribuídas pelo interior. A proposta é importante porque a chuva pode variar bastante entre diferentes localidades: os 162,1 milímetros registrados representam o que aconteceu naquele ponto, e não necessariamente em todo o município.
As novas estações terão sensores adicionais, como os de umidade do solo e molhamento foliar, e os dados poderão ser acompanhados em tempo real por meio de aplicativo no celular. A ferramenta é preparada para ser de fácil acesso e reunir informações úteis aos agricultores, incluindo alertas de chuva e geada.
— O projeto terá um aplicativo disponibilizado para os agricultores, onde terão diversos dados como o alerta de chuvas e de geada. São ferramentas um pouco mais úteis do que simplesmente disponibilizar os dados de uma série de estações que fica um pouco difícil para o agricultor interpretar — explica o secretário de Agricultura, Jamur Mascarello.
O projeto tem o apoio do Centro Empresarial, da Sicredi Serrana, do Sindicato dos Trabalhadores Agriculotres Familiares e do Consevitis.

(Foto: Nadine Dilkin)

